Ministro de Bolsonaro ameaça: "Sem reforma da Previdência, servidor vai ficar sem salário"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira, 25, em encontro com prefeitos em Brasília, que a reforma da Previdência vai evitar a interrupção do pagamento de salários ao funcionalismo público. “Primeira coisa que vai acontecer (sem reforma) é a interrupção do pagamento de salários”, alertou, lembrando que quem está quebrado é o governo, e não o setor privado. “O primeiro atingido é o servidor”, disse.

Guedes afirmou ainda que a reforma da Previdência tem “várias dimensões favoráveis” e evita o “colapso das finanças”. “A reforma da Previdência não está na pauta por acidente”, disse Guedes aos prefeitos. “São 200 milhões de brasileiros que precisam da reforma, mas existem 8 milhões que se beneficiam da fábrica de desigualdades e querem barrar a reforma”, disse.

De acordo com o ministro, o déficit “galopante” da Previdência atinge todos os brasileiros e engole as finanças públicas. Para ele, no entanto, o Brasil está maduro o suficiente para enfrentar a questão. “Estamos reduzindo as desigualdades e vamos abrir a porta para o novo regime previdenciário. Vamos libertar filhos e netos, futuras gerações, dessa armadilha em que caímos”, disse.

Guedes afirmou ainda que a reforma da Previdência não é da equipe econômica ou do atual governo, mas sim do Brasil. “Se não conseguirmos uma reforma com impacto necessário, eu não consigo lançar o novo regime (de capitalização)”, afirmou.

“Se os militares não quiserem contribuir e as mulheres não quiserem se aposentar aos 62 anos, então o rural terá que contribuir”, exemplificou o ministro para reafirmar que qualquer mudança no Congresso precisa ter uma recompensa para garantir uma economia de no mínimo R$ 1 trilhão em uma década.

Agenda positiva
Com a economia em ponto morto, a equipe econômica coordena uma ofensiva para agilizar outras medidas e fazer uma “virada” na direção de uma agenda positiva, além da reforma da Previdência. Depois da “arrumação” da casa nos 100 primeiros dias de governo com a unificação dos três ministérios, a ordem no Ministério da Economia é destravar a agenda e fazer “barulho” com as medidas.

A área econômica quer barrar o processo de queda da confiança no crescimento, que já pode ser observado nas sucessivas reduções das previsões de alta do PIB pelos analistas. Um avanço mais brusco desse movimento pode afetar ainda mais as intenções de investimentos dos empresários e afundar o crescimento deste ano.

Ao mesmo tempo, o time do ministro Paulo Guedes quer reduzir a dependência da agenda econômica à reforma da Previdência, que está afetando o ânimo do mercado com a crise na articulação política.

Entre as medidas que devem ser ressaltadas estão a privatização da Eletrobrás, o acordo da cessão onerosa, destravamento do crédito, negociação com os Estados e medidas voltadas para o setor produtivo, sobretudo da construção civil.

A agenda de medidas de “descomplicação” tributária e da burocracia também deve ganhar mais relevância a partir de agora. Até agora, Guedes tinha concordado com os conselhos de lideranças políticas da Câmara em deixar os anúncios de medidas para depois para não atrapalhar as negociações da reforma da Previdência. Mas diante da virada de humor dos investidores em relação ao crescimento da economia, o ministro foi aconselhado por sua equipe a mudar de ideia.

‘Revogaço’
Nesta segunda, o governo prometeu a 11 associações industriais que formam a Coalizão Indústria um “revogaço” de medidas burocráticas nos próximos dias e o lançamento de um pacote de competitividade para as empresas nas próximas duas semanas – incluindo ações para baratear o custo do gás, como antecipou Guedes em entrevista ao Estado.

“É preciso limpar o terreno para que o empreendedor se sinta seguro e confortável para tocar os seus negócios”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel. Os executivos também levaram ao governo o pedido para uma reforma tributária “com mais transparência e justiça”.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antônio Carlos Megale, o custo de capital de giro hoje é um dos maiores entraves enfrentados pela indústria: “Embora tenhamos hoje uma Selic (taxa básica de juros) controlada no nível mais baixo da história, ainda há um custo excessivo de crédito que tira competitividade dos produtos nacionais.”

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, alertou que as exportações brasileiras de produtos manufaturados estão estagnadas desde 2014 devido ao custo Brasil. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, apontou que há hoje uma demanda reprimida muito grande no setor. A Coalizão Indústria reúne 39% do PIB do setor.

Fonte: Estadão

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