Artigo no Financial Times diz que mercado pode estar despreparado para a incompetência de Bolsonaro

Em um artigo opinativo, o jornal britânico Financial Times salientou que o caminho para as reformas parece tão rochoso como sempre foi para as economias emergentes e que investidores ficaram nervosos com a perda de impulso pós-eleitoral no México e no Brasil. Especificamente sobre o País, o jornalista Jonathan Wheatley observou que os mercados podem não ter se preparado para a extensão da incompetência do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

"Investidores em mercados emergentes esperavam um ano de continuidade política em 2019, após uma série de eleições potencialmente transformadoras no ano passado. Mas passado um quarto de ano, as coisas não estão funcionando como planejado. O caminho para as reformas pró-mercado nas grandes economias em desenvolvimento está se mostrando mais difícil do que nunca", pontuou o autor.

Após mencionar com detalhes as votações que ocorrerão em 2019 nesses mercados, o artigo se ateve à safra de eleições do ano passado, que teria fracassado em garantir a certeza sobre o caminho futuro. Além de se aprofundar sobre o México, a publicação também dá espaço para o Brasil, dizendo que, no País, os eventos são ainda mais inquietantes.

"Lá, muitos investidores estão preparados para aturar o que alguns consideram como as atitudes racistas, misóginas e homofóbicas de Jair Bolsonaro, o ex-capitão do Exército de extrema direita que assumiu o cargo em 1º de janeiro, sob a alegação de que seu ministro da economia liberal faria reformas vitais para o sistema de bem-estar", trouxe Wheatley relatando que, em um encontro nesta semana com um banqueiro brasileiro, ele confessou "odiar" Bolsonaro, mas argumentou que o "Brasil precisava de mudanças".

Os mercados, de acordo com o autor, podem não ter sido preparados para a extensão da incompetência de Bolsonaro. Ele citou o episódio, na semana passada, em que o presidente e seu filho Carlos, que não tem nenhum papel formal no governo nacional, ofenderam publicamente o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que é a figura mais importante na condução da reforma previdenciária enviada aos legisladores no mês passado.

Anteriormente, lembrou, os investidores estavam confiantes de que chegaria o momento da reforma: como nunca antes, há consenso entre os políticos brasileiros de que o fracasso em aprová-la derrubará a economia.

Aconteceria, acreditavam os investidores, independentemente da incapacidade de Bolsonaro assumir a liderança. "Mas ele acabou sendo tão incompetente que essa afirmação não é mais verdadeira", disse o banqueiro ao jornalista.

O artigo segue dizendo que os investidores de mercados emergentes estão acostumados a isso, é claro: se não fosse pelo risco, eles não esperariam a recompensa. Mas coloca um ponto de interrogação sobre a história de crescimento a longo prazo para as economias emergentes, especialmente à luz de repetidos rebaixamentos de expectativas este ano.

Fonte: Estadão

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