Uma alimentação equilibrada pode desempenhar um papel importante na proteção da saúde do cérebro e na redução do risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia, que reforça a importância dos hábitos alimentares para um envelhecimento mais saudável.
Embora ainda não exista uma forma comprovada de prevenir o Alzheimer, os pesquisadores destacam que mudanças no estilo de vida, especialmente na alimentação, podem contribuir para preservar a memória e as funções cognitivas por mais tempo.
📊 Estudo acompanhou mais de 92 mil participantes
A pesquisa analisou dados de 92.849 pessoas, com idade média de 59 anos. Em uma segunda etapa, 45.065 participantes responderam novamente aos questionários alimentares cerca de dez anos depois, permitindo aos cientistas avaliar como as mudanças na dieta influenciaram o risco de desenvolver demência.
O objetivo foi investigar a relação entre diferentes padrões de alimentação baseada em vegetais e o surgimento do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas.
Os pesquisadores compararam dietas compostas predominantemente por alimentos vegetais saudáveis, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, oleaginosas e óleos vegetais, com padrões alimentares ricos em produtos ultraprocessados, açúcares, sódio e gorduras.
🥦 Dieta saudável apresentou menor risco de demência
Após a análise dos dados, os pesquisadores observaram diferenças significativas entre os grupos.
As pessoas que consumiam maior quantidade de alimentos de origem vegetal apresentaram 12% menos risco de desenvolver demência.
Entre os participantes que seguiam uma alimentação baseada em vegetais considerada de boa qualidade, a redução do risco foi de 7%.
Por outro lado, aqueles cuja dieta vegetal era composta principalmente por alimentos ultraprocessados apresentaram um risco 6% maior de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência.
Segundo a pesquisadora Song-Yi Park, do Centro de Câncer da Universidade do Havaí em Manoa, embora os benefícios das dietas à base de vegetais já fossem conhecidos para doenças como diabetes e hipertensão, ainda existiam poucas evidências sobre sua relação com doenças neurodegenerativas.
🔄 Nunca é tarde para mudar os hábitos
Outro resultado que chamou a atenção dos pesquisadores foi a influência das mudanças alimentares ao longo da vida.
No grupo acompanhado durante aproximadamente uma década, os participantes que passaram a consumir mais alimentos ultraprocessados apresentaram um risco 25% maior de desenvolver demência.
Já aqueles que melhoraram a qualidade da alimentação reduziram em 11% o risco de desenvolver Alzheimer e outras formas da doença.
Os resultados sugerem que adotar hábitos alimentares mais saudáveis pode trazer benefícios mesmo quando as mudanças acontecem em idades mais avançadas.
🍎 Alimentos associados à saúde do cérebro
Embora o estudo não proponha uma dieta específica para prevenir o Alzheimer, ele reforça recomendações já amplamente adotadas por especialistas em nutrição.
Entre os alimentos mais presentes nas dietas consideradas saudáveis estão:
- frutas;
- verduras e legumes;
- grãos integrais;
- oleaginosas, como castanhas e nozes;
- óleos vegetais de boa qualidade.
Em contrapartida, os pesquisadores observaram maior risco entre pessoas que consumiam frequentemente alimentos ultraprocessados e produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras.
Os cientistas ressaltam, no entanto, que nenhum alimento isoladamente é capaz de impedir o surgimento da doença. O benefício está relacionado ao padrão alimentar como um todo.
❤️ Relação entre alimentação e memória
Os pesquisadores explicam que o Alzheimer é uma doença complexa, influenciada por diversos fatores.
Uma alimentação rica em vegetais costuma favorecer o controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, condições que também estão diretamente ligadas à saúde dos vasos sanguíneos e ao bom funcionamento do cérebro.
Além disso, dietas com menor consumo de ultraprocessados geralmente estão associadas a um estilo de vida mais saudável.
⚠️ Pesquisa possui limitações
Os próprios autores destacam que o estudo apresenta limitações.
As informações sobre alimentação foram obtidas por meio de questionários preenchidos pelos próprios participantes, método que depende da memória e da precisão dos relatos individuais.
Ainda assim, o elevado número de voluntários e o longo período de acompanhamento fortalecem a relevância dos resultados.
Além disso, como se trata de um estudo observacional, a pesquisa identifica associações entre alimentação e risco de demência, mas não comprova que uma dieta baseada em vegetais seja, sozinha, responsável por prevenir o Alzheimer.
🩺 Hábitos que ajudam a cuidar da saúde do cérebro
Com base nas conclusões do estudo e nas recomendações de especialistas, algumas atitudes podem contribuir para um envelhecimento mais saudável:
- manter uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais;
- reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados;
- praticar atividade física regularmente;
- dormir bem;
- controlar fatores como hipertensão, diabetes e colesterol;
- manter a mente ativa por meio da leitura, estudos e outras atividades cognitivas;
- cultivar boas relações sociais;
- realizar acompanhamento médico periódico.
Embora nenhuma dessas medidas garanta a prevenção do Alzheimer, especialistas afirmam que elas fazem parte de um conjunto de estratégias capazes de favorecer a saúde cerebral e reduzir o risco de doenças neurodegenerativas ao longo da vida.
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