Esquecer uma palavra, perder um compromisso ou não lembrar onde deixou um objeto são situações comuns do dia a dia — e, muitas vezes, fazem parte do processo natural de envelhecimento. No entanto, quando esses episódios se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, podem indicar algo mais sério.
Segundo especialistas, envelhecer não significa, necessariamente, perder a memória. O que deve ser observado é a intensidade, a repetição e o impacto desses lapsos na vida pessoal, profissional e social.
De acordo com o neurocirurgião Renato Albuquerque, o esquecimento ocasional é esperado, mas a persistência dos sintomas exige investigação.
“Existe uma diferença clara entre o esquecimento benigno do envelhecimento e os sinais iniciais de uma doença neurodegenerativa. Quando a pessoa passa a depender de anotações para tudo, perde autonomia e apresenta mudanças de comportamento, isso já acende um sinal de alerta”, explica ao Blog Cariri.
🚨 10 sinais de alerta para doenças neurodegenerativas
Especialistas apontam alguns sintomas que podem indicar comprometimento cognitivo mais sério:
- Dificuldade de guardar informações recentes, como datas e eventos;
- Perda de rendimento em tarefas habituais, especialmente com números;
- Desorientação no tempo e no espaço;
- Alterações visuais que dificultam a percepção de cores e profundidade;
- Dificuldade para encontrar palavras ou nomear objetos;
- Esquecer com frequência onde deixou objetos e criar justificativas irreais;
- Falhas no manejo do dinheiro;
- Descuido com higiene pessoal ou alimentação;
- Isolamento social e afastamento de atividades antes prazerosas;
- Mudanças de humor e personalidade, como irritabilidade ou apatia.
As principais doenças associadas a esses sinais são as demências, especialmente o Alzheimer, a demência vascular e a doença de Parkinson.
“As manifestações iniciais são, muitas vezes, sutis e podem passar despercebidas. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar a progressão dos sintomas”, destaca o neurocirurgião.
🏥 Quando procurar avaliação médica
A memória é dividida em curto e longo prazo, e nem toda falha é sinal de doença. Estresse, sono ruim, ansiedade e depressão também afetam a capacidade cognitiva.
Mesmo assim, é recomendado buscar um especialista quando:
- Os sintomas se repetem e interferem na rotina;
- Familiares percebem mudanças de comportamento;
- Há histórico familiar de doenças neurodegenerativas.
“Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que estão com Alzheimer, quando, na verdade, estão com distúrbios de sono ou transtornos de humor. A avaliação médica é essencial para diferenciar”, afirma Renato.
🛡️ Como prevenir o declínio cognitivo
Embora algumas doenças tenham fator genético, hábitos de vida exercem forte influência na saúde cerebral. Entre os principais fatores de risco estão:
- Sedentarismo;
- Alimentação inadequada;
- Estresse constante;
- Privação de sono;
- Isolamento social;
- Tabagismo e consumo de álcool.
“O cérebro precisa ser estimulado. Ler, estudar, socializar, praticar exercícios físicos e manter uma alimentação equilibrada são formas comprovadas de proteção cognitiva”, orienta o especialista.
🧩 A importância da reserva cognitiva
Um conceito cada vez mais valorizado pela neurologia é o da reserva cognitiva, que representa a capacidade do cérebro de compensar perdas ao longo do tempo.
“A reserva cognitiva funciona como uma poupança cerebral. Quanto mais você estimula o cérebro ao longo da vida, mais recursos ele terá para enfrentar processos degenerativos no futuro”, explica o neurocirurgião.
Segundo ele, pessoas com maior nível de escolaridade, vida social ativa e hábitos intelectuais tendem a apresentar sintomas mais tarde e de forma menos agressiva.
Mesmo sem cura para muitas doenças neurodegenerativas, o diagnóstico precoce e a adoção de hábitos saudáveis podem garantir mais autonomia, qualidade de vida e bem-estar ao longo do envelhecimento.
Por Fernando Átila






















