Lula livre: STF proíbe prisão de ex-presidente até volta do julgamento, no dia 4

Os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram no início da noite desta quinta-feira (22) adiar para o próximo dia 4 de abril a conclusão do julgamento do habeas corpus preventivo de Luiz Inácio Lula da Silva, impetrado pela defesa com o objetivo de evitar a prisão do ex-presidente.

Com a decisão, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de segunda instância, que condenou Lula a 12 anos e 1 mês em regime fechado, não poderá decretar a prisão do ex-presidente na próxima segunda-feira (26), quando julgará o único recurso da defesa contra a condenação – esse tipo de recurso não modifica o resultado do julgamento do TRF-4.

A retomada do julgamento pelo Supremo foi marcada para 4 de abril porque é a data da próxima sessão de plenário do STF, já que na semana que vem não haverá julgamentos em razão do feriado de Semana Santa.

O julgamento do habeas corpus de Lula no Supremo se iniciou na sessão desta quinta, com as manifestações da defesa e do Ministério Público Federal.

Mas, antes de apreciar o mérito (a concessão ou não do habeas corpus), os ministros resolveram decidir primeiro uma "questão preliminar": se o pedido do ex-presidente era 'cabível' de ser julgado pelo Supremo.

Por 7 votos a 4, eles admitiram julgar o habeas corpus. Mas, quando essa decisão foi tomada, às 18h30, já tinham transcorrido mais de quatro horas da sessão, e parte dos ministros tinha compromissos e necessitava viajar.

Diante da decisão do adiamento, o advogado José Roberto Batochio, integrante da defesa de Lula, pediu a concessão de uma liminar (decisão provisória) para que o ex-presidente não seja preso antes da conclusão do julgamento, no próximo dia 4.

A presidente Cármen Lúcia submeteu então o pedido aos demais ministros. Por 6 votos a 5, a liminar foi concedida.

Votaram em favor de impedir a prisão de Lula antes do dia 4 os ministros Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello. Em favor de permitir, votaram ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Após a sessão do STF, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que confia que o tribunal vai manter a posição favorável à execução provisória da pena após condenação em segunda instância. Segundo ela, esse entendimento auxilia no combate à corrupção.

“Essa decisão da Corte é importante para o futuro da persecução penal no Brasil e sobretudo em face de crimes de corrupção, de crimes de colarinho branco de crimes e crimes praticados pelo crime organizado”, disse Dodge.

Integrante da defesa de Lula e ex-ministro do STF, o advogado Sepúlveda Pertence disse que, se algum ministro pedir vista no dia 4 a fim de ter mais tempo para analisar o caso, a liminar continua valendo.

Ele evitou projetar a decisão que a Corte vai tomar no próximo dia 4. “Prognóstico só depois do jogo”, afirmou.

Votos sobre a prisão
Na parte final do julgamento, quando se decidiu impedir a prisão até o próximo dia 4, a maioria dos ministros ressaltou que não estava decidindo sobre a possibilidade de executar a pena de 12 anos à qual Lula foi condenado, mas apenas garantindo a liberdade do petista até o término da análise pela questão no STF.

Saiba como se posicionou cada um, de acordo com a ordem de votação:
  • Edson Fachin - O relator Edson Fachin explicou que, até o momento, o entendimento majoritário da Corte permite a prisão após segunda instância e, por isso, não haveria motivo para impedir eventual ordem de prisão pelo TRF-4.
  • Alexandre de Moraes - Votou pela possibilidade de prisão, por não ver precedente que permita à pessoa aguardar em liberdade o final de um julgamento de habeas corpus. “Não há nenhum precedente nesta casa de, durante o julgamento de habeas corpus, se conceder a liminar para se aguardar”, afirmou.
  • Rosa Weber - Foi a primeira a votar pela possibilidade de Lula ficar livre da prisão até o dia 4. Disse que se não fossem terminar o julgamento nesta quinta, teriam que permitir que Lula ficasse em liberdade até a decisão final. “Ou ficamos aqui ou temos que deferir. Se nós vamos suspender o julgamento, temos que necessariamente deferir [a liminar para impedir a prisão]”, afirmou.
  • Luís Roberto Barroso - Votou pela possibilidade de Lula ser preso. Afirmou que a condição de ex-presidente não dá a ele direito a tratamento diferenciado. “Considero irrelevante se tratar de ex-presidente da República. Deve ser tratado como qualquer brasileiro. Não vejo razão para a concessão da medida liminar. Nosso papel é cumprir a Constituição e as leis”, disse.
  • Luiz Fux - Votou pela possibilidade de prisão de Lula, citando também o atual entendimento do STF que permite a execução da pena após segunda instância. “Tendo em vista que a nossa jurisprudência autoriza a execução, acompanho relator Edson Fachin”, afirmou.
  • Dias Toffoli - Votou para impedir a prisão até o dia 4, ressaltando tratar-se de uma decisão “precaríssima”, pela ausência de análise sobre o pedido de mérito da defesa. “É algo absolutamente logico, justo, correto, não significa nenhuma antecipação a respeito do tema jurídico”, disse.
  • Ricardo Lewandowski - Votou contra a possibilidade de prisão, sob o argumento de que uma pessoa não pode ser prejudicada pelo adiamento do julgamento final sobre seu pedido. “É uma jurisprudência pacífica que a parte não pode suportar o ônus processuais que devem ser imputados ao Estado juiz. Ou seja, se o atraso se deve exclusivamente ao Estado juiz, não pode a parte suportar esse ônus”.
  • Gilmar Mendes - Também votou contra a eventual prisão e disse haver vários precedentes no STF que permitem resguardar a liberdade de uma pessoa até o julgamento final. “Estou absolutamente confortável, porque me é difícil imputar simpatia pelo PT”, disse, citando em seguida o jurista Rui Barbosa: “Se a lei cessa de proteger nossos adversários, cessa de nos proteger”.
  • Marco Aurélio Mello - Contra a prisão até o julgamento final no STF. “Nada mais natural do que congelar-se a situação jurídica do paciente, afastando-se pelo menos essa possibilidade latente de prisão”, disse.
  • Celso de Mello - Aceitou o pedido da defesa para evitar a prisão até o dia 4, devido ao risco de uma eventual decisão final permitir que ele recorra em liberdade. “Também entendo claramente configurada a situação de eminente periculum in mora [perigo da demora], o que poderia consumar-se frustrando-se o seu efeito prático do resultado desse julgamento”, afirmou.
  • Cármen Lúcia - Votou pela possibilidade de prisão, citando as decisões do STF que permitem a prisão após segunda instância. “Não vejo razões tão urgentes que possam levar a um perigo que não possa ser coartado imediatamente, se for o caso, se vier a se concretizar uma lesão que se mostra analisada duas vezes pelo relator”.
Condenação e habeas corpus
Em janeiro, o ex-presidente Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês em regime inicialmente fechado pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4) , responsável por analisar os processos da Lava Jato em segunda instância.

Os desembargadores do TRF-4 decidiram que a pena deverá ser cumprida quando não couber mais recurso ao próprio tribunal. O único recurso possível já foi apresentado e será julgado na próxima segunda (26).

Ao julgar Lula, os desembargadores decidiram que a pena deverá ser cumprida quando não couber mais recurso ao TRF-4. O único recurso possível já foi apresentado e será julgado na próxima segunda (26).

A defesa do ex-presidente, porém, recorreu ao STF pedindo que Lula só seja preso quando o processo transitar em julgado, ou seja, quando não couber recurso a mais nenhuma instância da Justiça.

Os advogados de Lula argumentam que, segundo a Constituição, "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".

Em 2016, a maioria dos ministros do STF entendeu que a pena pode começar a ser cumprida após condenação na segunda instância da Justiça. Ações na Corte, contudo, visam mudar esse entendimento.

Lula foi condenado no caso do triplex em Guarujá (SP). No entendimento do TRF-4, a OAS deu um apartamento ao ex-presidente em retribuição a contratos firmados pela construtora com a Petrobras. Lula se diz inocente, e a defesa alega que não há provas contra ele.

Fonte: G1

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Ao vivo: Supremo vota agora se julgará ou não pedido de Lula para não ser preso




Mark Zuckerberg pede desculpas por vazamento no Facebook; veja como se proteger

O Facebook está enfrentando uma tempestade desde a semana passada, quando o jornal inglês The Guardian revelou que a empresa de análise de dados Cambridge Analytica usou informações de 50 milhões de usuários do site para ajudar a campanha eleitoral de Donald Trump em 2016.

Ontem, finalmente, Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, se pronunciou sobre o caso através do seu perfil oficial. Em um extenso comunicado, ele assumiu a responsabilidade pelo ocorrido, disse que a Cambridge Analytica se aproveitou de brechas que o site tinha no passado e anunciou um programa para impedir que casos como esse ocorram novamente.

Serão realizadas investigações sobre os aplicativos da plataforma que tenham acessos a essas informações e todos que se recusarem a participar da auditoria serão banidos. Os novos contratos terão mais clausulas para proteger o usuário, e será proibido que as empresas mantenham dados de pessoas que não usam o seu aplicativo há três meses.

O responsável por tudo foi o aplicativo “thisisyourdigitallife”, que coletou dados dos usuários e os repassou para a Cambridge Analytica, que era responsável pela parte online da campanha de Trump.

Para evitar que os seus dados sejam vazados, você deve verificar quais aplicativos têm acesso à sua conta do Facebook. Para fazer isso, é necessário entrar no menu de Configurações do Facebook (tanto no celular quanto no computador, ele fica no canto direito da tela).

Aí é só entrar no item Aplicativos (ou Configurações de Aplicativos), e você irá encontrar uma lista com todos os apps que estão conectados à sua conta. Alguns deles têm utilidade, e podem ser mantidos – os aplicativos de sites em que você se cadastrou via Facebook, por exemplo. Mas você também irá encontrar outros apps, relacionados a pesquisas e joguinhos, que você nem se lembra de ter adicionado. Esses podem ser deletados sem medo – o que ajudará bastante a evitar o vazamento das suas informações.

Fonte: Superinteressante

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Habeas corpus de Lula: histórico indica vitória do petista por 6 a 5 no STF

Se todos os 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) permanecerem fieis ao que vêm decidindo em meses recentes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter uma vitória por 6 a 5 na sessão desta 5ª feira (22.mar.2018).

A Corte vai julgar 1 habeas corpus preventivo para Lula. Trata-se de uma ação que pede ao Supremo que impeça a prisão do petista antes de ele ter seus recursos analisados em tribunais superiores, em Brasília.

Lula foi condenado em 2ª Instância pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre, a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Na 2ª feira (26.mar.2018), o TRF-4 conclui a análise de recursos apresentados pela defesa do petista. Depois, há 1 outro tipo de ação chamado “embargo dos embargos”, que pode protelar a conclusão do processo para o final de abril. Depois disso, viria a prisão.

Se o STF conceder o habeas corpus preventivo a Lula –o que parece ser o mais provável–, o ex-presidente ficará em liberdade até que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) termine de analisar todos os seus recursos. Isso pode levar, pelo menos, 1 ano.

Como votam os 11 do STF
Os 6 votos que devem conceder o habeas corpus a Lula são destes ministros do STF: Celso de Mello, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber.

Quem vai rejeitar o habeas corpus: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Luiz Fux e Roberto Barroso.

O que pode dar errado
A ministra que menos fala no STF é Rosa Weber. Ela foi voto vencido quando foi firmado o entendimento atual da Corte: condenados em 2ª Instância podem começar a cumpria a pena.

Por essa razão, a mídia recebeu uma enxurrada de interpretações sobre Rosa sempre ressalvar sua posição pessoal, mas votando conforme a jurisprudência geral. Ou seja, nesta 5ª feira, a ministra diria que tem posição a favor de conceder habeas corpus, mas que vota pela não concessão do benefício por respeitar a maioria da Corte.

Ocorre que essa interpretação sobre como Rosa Weber tem procedido está errada. É curioso que tenha frequentado a mídia sem contestação.

Rosa Weber votou recentemente para conceder 1 habeas corpus, como mostra a imagem abaixo. Foi uma decisão de fevereiro deste ano e tratava-se de 1 habeas corpus para réu condenado em 2ª Instância. A ministra foi voto vencido, mas manteve-se firme em sua convicção.

É claro que Rosa Weber poderá, de ontem para hoje, ter mudado de opinião. Mas seria uma alteração abrupta de convicção, difícil de ser entendida por quem acompanha os votos da ministra.

O fato é que de ontem para hoje Brasília viveu 1 ambiente de pressão e contrapressão a favor ou contra conceder 1 habeas corpus para Lula. Até porque, uma vez que o plenário decidir, essa será a jurisprudência formada –valerá para todos os demais réus condenados em 2ª Instância.

Derrota para Cármen Lúcia
Se der a lógica e os ministros se mantiverem fiéis a suas posições conhecidas, o julgamento do habeas corpus nesta 5ª feira é uma derrota para a presidente do STF. Ela deu inúmeras entrevistas se negando a pautar o assunto.

Ontem, 4ª feira (21.mar.2018), prestes a ser questionada e derrotada no plenário do STF, teve de recuar e pautar esse julgamento para hoje.

Há uma estratégia na decisão de Cármen Lúcia. Já que seria derrotada pelo plenário, resolveu personalizar ao máximo a tomada de decisão da Corte. Hoje, o Supremo vai votar “a favor de Lula” ou “contra Lula”. Por mais que os ministros digam que examinam o tema “em tese”, a personificação do acusado impede que a interpretação se relacione diretamente ao líder petista.

Uma forma de deixar o STF em posição mais neutra teria sido pautar para o plenário a votação das ADCs 43 e 44 (Ações Declaratórias de Constitucionalidade) que questionam a possibilidade de condenados em 2ª Instância cumprirem a pena imediatamente. Mas Cármen Lúcia afirmou em 29 de janeiro de 2018 que incluir esse julgamento na pauta da Corte seria “apequenar” o Supremo. Repetiu isso de outra forma inúmeras vezes nas últimas semanas. Ficou aprisionada a essa afirmação.

Para não parecer 1 recuo completo —o que de fato foi—, Cármen Lúcia manteve sua palavra e não pautou as ADCs sobre prisão após 2ª Instância. Preferiu jogar para o plenário a decisão a respeito de conceder 1 habeas corpus preventivo para Lula.

Antes de iniciar a sessão do STF da 4ª feira, Cármen Lúcia comunicou a todos os colegas que estava cedendo e colocando o HC do petista para ser votado. Chegou a fazer uma proposta curiosa, prontamente rechaçada por todos os presentes: marcar o julgamento em uma sessão na 2ª feira (26.mar.2018).

Todos recusaram essa hipótese porque seria uma armadilha política. É nessa data, 2ª feira, que o TRF-4 vai analisar recursos de Lula. O Brasil nesse caso ficaria entre 2 julgamentos na mesma data: o TRF-4 votando para que o petista fosse preso ao mesmo tempo que o STF, em Brasília, estaria decidindo que o petista teria de ficar em liberdade. O grau de esquizofrenia do Poder Judiciário poderia chegar ao paroxismo, com consequências imprevisíveis.

Sucessão presidencial
O cenário deve ficar 1 pouco mais claro a partir da decisão de hoje, quando o STF possivelmente concederá 1 habeas corpus preventivo para Lula. Antes havia dúvida se o petista seria preso, se seria solto depois de 1 período na cadeia e quando tudo isso poderia acontecer. Agora, a realidade estará posta.

A partir desse novo cenário, o petista ficará possivelmente livre por pelo menos mais 1 ano com recursos em tramitação no STJ. Não poderá ser candidato a presidente, pois a Lei da Ficha Limpa é incontornável. Mas ficará à vontade para percorrer o país, dar entrevistas e fazer discursos de apoio a quem vier a apoiar em eleições locais e na disputa presidencial.

Livre, apesar de condenado em 2ª Instância, Lula deve ser confirmado como candidato a presidente pelo PT na data-limite para registro no TSE, em 15 de agosto. A partir daí sua candidatura será impugnada e posteriormente cassada pela Lei da Ficha Limpa. Só que ele poderá fazer muita campanha até meados de setembro, adotar o discurso da vitimação e apresentar 1 substituto na última hora.

Análise eleitoral
É claro que a definição sobre prisão ou não de Lula ajuda a tornar o cenário mais claro. Mas esta é uma das corridas presidenciais mais imprevisíveis de anos recentes.

Lula vai transferir quantos votos para o candidato de verdade do PT ao Planalto? Difícil saber. A lógica manda acreditar que o petista presidenciável, seja quem for, dificilmente terá menos de 10% ou 15% dos votos –podendo, bem trabalhado, bater em 20% e ir para o 2º turno.

Ao mesmo tempo, as forças do “centro liberal” continuam a desconfiar do tucano Geraldo Alckmin. O Poder360 ouve coisas impublicáveis de líderes do DEM, partido que tradicionalmente fica com o PSDB.

Tudo considerado, com a decisão desta 5ª feira no STF, a disputa presidencial terá 1 elemento a mais conhecido (a possível presença de Lula, livre, percorrendo o país). Só que ainda seria arriscadíssimo vaticinar o desfecho.

Fonte: Poder 360

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Falha em disjuntor causa apagão e paralisa ao menos 13 estados brasileiros

O apagão que atingiu o Ceará e outros 12 estados do Norte e Nordeste brasileiro, ontem, alterou completamente a rotina de milhares de pessoas. Em Fortaleza, se no início da falta de energia, por volta das 15h48, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ainda havia luz solar e os transtornos estavam relacionados ao tráfego urbano, ao comprometimento da oferta de serviços e a realização das atividades produtivas e domésticas, com o avançar das horas, a escuridão generalizada afetou qualquer tentativa de deslocamentos e permanência nas ruas. Na capital cearense, a população sofreu por pelo menos 2h horas a ausência de energia. Em determinadas regiões da cidade, por volta das 20h, o apagão ainda persistia. Em outras, após retornar, a energia apresentou oscilações e novas quedas.

O apagão, segundo o ONS, órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), ocorreu devido uma falha no disjuntor na subestação Xingu, no Pará. Esta ocorrência provocou o desligamento automático de diversas linhas de transmissão, componentes dos troncos de interligação, sobretudo, no Nordeste - com os nove estados afetados - e no Norte, em que foram atingidos Amapá, Amazonas, Pará e Tocantins.

A frequência nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste também foram atingidas, no entanto, as cargas interrompidas nessas regiões foram restabelecidas, em cerca de 20 minutos por conta da atuação do Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC).

Impactos
No Ceará, segundo a Enel Distribuição Ceará, o fornecimento de energia só foi normalizado em todos os municípios por volta das 20h54. Um ausência de energia que perdurou por 5h06. Nesse intervalo de tempo, muitos foram os transtornos. Na Capital, os obstáculos iam desde as tentativas de regressar para casa a simples travessia das ruas. Quem precisou se deslocar ontem durante o apagão teve que redobrar os cuidados, a atenção e a paciência.

Em relação o tráfego nas rodovias, a Polícia Rodoviária Federal informou que equipes foram acionadas para orientação de trânsito principalmente nos locais mais afetados. Nos limites de Fortaleza, o trânsito ficou crítico na BR-222, nas proximidades da Lagoa do Tabapuá.

Outros transportes afetados foram as linhas de metrô. A operação da Linha Sul do Metrofor - que liga o Centro de Fortaleza a Pacatuba foi suspensa, no final da tarde, em decorrência do apagão. O funcionamento normal da Linha é de 5h30 às 21h. As demais linhas operadas pela Cia Cearense de Transportes Metropolitano (Linha Oeste, VLT Cariri e VLT Sobral) tiveram operação encerrada mais cedo, às 17h30. Já o Aeroporto Internacional Pinto Martins, na Capital, registrou 10 minutos sem energia. Depois, as operação foram retomadas. Mas, estacionamento, escadas rolantes e elevadores ficaram sem operação. (Colaborou Bárbara Câmara)

O que causou a queda de energia em parte do País
De acordo com o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata Ferreira, a queda no fornecimento de energia foi causada em razão de falha em um disjuntor na Subestação Xingu, no Pará, responsável pela distribuição da maior parte da carga gerada pela Usina de Belo Monte para a Região Sudeste.

Quando o disjuntor foi desligado, houve um excesso de geração de energia para a Região Norte, disparando uma proteção automática em todo o sistema e separando as regiões Norte e Nordeste (entre si) e do resto do país. O blecaute também afetou as regiões Sul e Sudeste, mas sem maior gravidade.

O apagão se iniciou às 15h48, provocando interrupção do suprimento de energia elétrica e levando transtornos a mais de 70 milhões de brasileiros. Ainda não se sabe o que provocou a falha no disjuntor, mas a ONS descartou sobrecarga no sistema, fatores climáticos ou queimadas.

Todas as empresas responsáveis diretamente pelo sistema afetado farão reunião na sexta-feira (23) ou na segunda-feira (26) para detalhar os fatores que contribuíram para a falha no disjuntor.

THATIANY NASCIMENTO/LUCAS RIBEIRO ALBUQUERQUE
REPÓRTERES

Fonte: Diário do Nordeste 

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Apagão deixa todas as cidades do Ceará no escuro nesta quarta-feira (21); saiba as causas

Uma queda de energia atingiu todo o Ceará e outros 12 estados do Norte e Nordeste do Brasil por volta das 16 h desta quarta-feira (21). Após retomada da energia em alguns bairros de Fortaleza e cidade do interior, o Ceará voltou a ficar sem energia na noite desta quarta. Houve queda também em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde a energia já foi restabelecida.

A Enel, distribuidora de energia no Ceará, informou que uma interrupção no sistema interligado nacional (SIN) afetou o fornecimento de energia do Ceará. "A companhia aguarda informações do Operador Nacional do Sistema e trabalha para normalizar o serviço o quanto antes", diz a distribuidora, em nota.

Problema em Belo Monte
De acordo com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o apagão foi causado foi uma falha na usina de Belo Monte, no Pará.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que às 15h48 desta quarta houve "uma perturbação no SIN [Sistema Interligado Nacional] causou o desligamento de cerca de 18.000MW", a maior parte deles nas regiões Norte e Nordeste, correspondendo a 22,5% da carga total do SIN.

"As equipes do ONS estão neste momento dedicadas a recomposição dos sistemas Norte e Nordeste", diz o operador, em nota.

Fonte: G1 CE

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Patrimônio arqueológico fará parte do Geopark Araripe

O povoamento do Cariri envolve resistência, lutas, suor, mortes e muitas lendas. Uma delas é que a Chapada do Araripe é um mar subterrâneo represado pela Pedra da Batateira, que seria a cama da Mãe D'água. Pelo imaginário popular, se um dia a pedra rolar, todo vale seria inundado. Também conta-se que uma princesa transformada em serpente gigante era vista com frequência na "Lagoa Encantada". Resquícios dessas histórias e da chegada do homem na região podem estar presentes no sítio arqueológico de Santa Fé que, em breve, se tornará um geossítio do GeoPark Araripe e, após isso, estruturado para visitação e pesquisa. 

No último mês, a diretoria do GeoPark Araripe se reuniu com representantes da Fundação Casa Grande para discutir o gerenciamento da proposta do Geossítio de Santa Fé, que fica a cerca de 20 quilômetros da sede do município do Crato e está a 800 metros de altitude. Seu principal atrativo são as inscrições rupestres deixadas pelos antigos habitantes que viveram na Região do Cariri cearense, ao sul do Estado do Ceará. A área, de 8,3 hectares, possivelmente, fará parte do território da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco).

A  caracterização arqueológica está sendo feita pela Fundação Casa Grande, que há três décadas pesquisa no local. Já o mapeamento geológico ficará por conta da equipe de Geoconservação do GeoPark Araripe. A expectativa é que todo levantamento seja concluído até junho para ser apresentado no dia 10 de setembro deste ano, na Conferência Global de Geoparques, na Itália, junto com a candidatura de mais dois geossítios: Levadas de Água e Caldeirão da Santa Cruz. Todos no município de Crato.

O objetivo é que, a partir da inclusão, possam atrair turistas, curiosos e estudiosos. Hoje, o processo mais avançado é o Sítio de Santa Fé, no distrito homônimo. O levantamento topográfico está sendo feito para definir a área, os locais de trilhas, ponto de destaque, além do inventário geológico. O terreno é privado, mas seu proprietário, o empresário Demétrio Jereissati, é parceiro da Fundação Casa Grande e do GeoPark Araripe. "Com as devidas justificativas, informações sobre entorno, de acesso ao local, fica pronto para fazer o encaminhamento para o parecer", explica o diretor executivo do GeoPark Araripe, Nivaldo Soares.

Depois de aprovado, a expectativa é que, a partir de um projeto junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), comece a fazer os investimentos para melhorar o acesso, sinalização e divulgação de Santa Fé. Algumas atividades com as comunidades do entorno devem ser realizadas para instruir os moradores a fazer uso do espaço com geração de emprego e renda a partir da recepção de visitantes e artesanato. Outras possibilidades podem ser o turismo sustentável e rapel.

"Pela técnica, altitude e tipo de gravismo, Santa Fé é um sítio que se mostra muito mais antigo, eles avançaram lá primeiro. A vertente norte, a qual está incluído, é o trecho mais avançado para o vale do Cariri. A gente acredita que o Santa Fé é mais antigo", pontua a arqueóloga Heloísa Bitú, que também pesquisa sobre o local.

A arqueóloga Rosiane Limaverde, que faleceu em março de 2017, aos 51 anos, se dedicou a estudar as rotas migratórias deste "Homem Kariri", onde foi a sua penetração na região e seu modo de vida. Ela acreditava que aquele local tratava-se de um santuário pré-colonial e foi utilizado para uma série de funções ritualísticas com elementos não encontrados em nenhum outro sítio. Santa Fé se tornou um ponto de referência para entender a ocupação humana no Cariri.

Na superfície pétrea foi talhado um ícone muito forte, que se repete, com elementos que levam a crer tratar-se de representações de aves, segundo as pesquisas de Rosiane. Ele foi escolhido como símbolo do Memorial Homem Kariri e muito se assemelha ao tuiuiú ou jaburu. Dá pra imaginar que o Cariri era uma terra com água em maior abundância, já que esta espécie vive em locais mais úmidos, como o Pantanal.

Mas o que mais chamou atenção foi a presença de uma linha sinuosa que as pessoas da comunidade associam a uma serpente. É ela que pode estar ligada ao mito dos índios da "Mãe D'água", que vive na lagoa encantada em cima da Chapada do Araripe. Santa Fé é o único sítio arqueológico que possui essa representação. "São alguns fragmentos que ainda continuam nas comunidades e podem fazer relação com essa ocupação", pontua Heloísa.

Heloísa Bitú identificou outra serpente após análise da imagem fotográfica em laboratório. O contraste da imagem reforçava a figura. "Essa pode afirmar que se tratava de uma serpente porque tinha a cabeça definida e uma boca semiaberta. Nada é por acaso", garante a arqueóloga.

Preservação
Em 1991, o bancário Sérgio Limaverde adquiriu a área que compreende o Sítio Arqueológico de Santa Fé. No entanto, ele não conhecia nada das gravuras até Alemberg e Rosiane visitarem o local para os estudos. Hoje, aposentado, Sérgio lembra que foi graças ao casal que ele manteve a conservação. "Nunca desmatei porque pediram para não tirar a originalidade que era a mata e ter cuidado com invasão", lembra.

Como ainda não morava no Crato, ele chegava a flagrar dois a três carros subindo e invadindo o local sem permissão. Foi aí que tomou a atitude de colocar um portão e cadeado na entrada da estrada. "Eu dizia que ali só mexiam se fosse com o Alemberg e Rosiane. Antes, eu não tinha conhecimento, mas após saber do valor, ajudei a mantê-lo", destaca.

Hoje, a principal ameaça do para Santa Fé é o tempo. Ele sofre com os processos naturais das de desgaste das rochas e os registros estão ameaçados de desaparecimento. Segundo Heloísa Bitú, a ocupação do painel é antiga e aconteceu em períodos distintos. Boa parte já se destacou da rocha e teve uma perda de quase 40%. "Todo o processo não acontece da noite para o dia. É um processo natural que leva bastante tempo para acontecer. A gente consegue perceber que tem gravuras incompletas. O painel era muito maior e tinha muitas gravuras", conta a arqueóloga.

A deterioração está ligada à umidade presente e mantida na formação geológica do sítio. A água das chuvas é absorvida, penetra nas rochas e o sítio fica, exatamente, entre essa parte de absorção e acúmulo de água da Chapada do Araripe. Isso provoca a aceleração dos processos de oxidação e degradação da rocha. "Não podemos intervir de forma mais incisiva por haverem uma série de leis que protegem a manutenção da originalidade do patrimônio. Como é um processo natural e impossível de exinguir, nos resta desacelerar o processo. Fazer com que leve mais tempo para desaparecem", completa.

Com a criação do geossítio, o GeoPark Araripe planeja atuar na diminuição de umidade e fazer escoamento da água para que não caia diretamente nas gravuras. Além disso, será feito um projeto, junto com a Fundação Casa Grande, para gerir o espaço. "A partir de uma análise ecológica, identificamos outros problemas que são a invasão das raízes, o desmatamento da vegetação nativa, filetes de água que deterioram a área pintada, a atividade de cupins, roedores e insetos. Tudo isso foi analisado, diagnosticado", conclui Heloísa.

Para o diretor da Fundação Casa Grande, Alemberg Quindins, com a criação do geossítio Santa Fé haverá mais condição técnica de preservação à sua disposição ao reconhecê-lo como um patrimônio natural, material e imaterial. "O intuito desta mobilização e parceria entre empresas privadas, instituições acadêmicas, instituições de pesquisas e organizações não governamentais, é inédito e exemplar no Cariri e no Estado", exalta.

Conheça os já existentes
Nove geossítios compõem o GeoPark Araripe, em seis municípios do Cariri cearense: Colina do Horto, em Juazeiro do Norte; Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada, em Missão Velha; Batateira, em Crato; Riacho do Meio, em Barbalha; Ponte de Pedra, em Nova Olinda; e Pedra Cariri, Parque dos Pterossauros e Pontal de Santa Cruz, em Santana do Cariri.

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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Tirar selfies em excesso pode ser uma doença

A fotografia nos dá a chance de guardar conosco registros de situações que valem a pena lembrar. Isso é ótimo, afinal nem sempre nossa memória dá conta de guardar tudo que precisamos. Dessa forma, ter um registro simbólico do que foi vivido ajuda a mantermos a conexão com o momento.

Uma das formas de captarmos esses registros é por meio da selfie - tipo de fotografia que consiste em tirar foto de si mesmo. As justificativas para tirar selfies são as mais variadas e podem ir desde querer registrar um local bonito que foi visitado, até guardar um autorretrato. Na verdade, por trás de todas as motivações para tirar uma selfie, existe uma vontade maior: a de mostrar algo. E isso também não é um problema. Afinal, vivemos em uma sociedade que valoriza a imagem e disponibiliza ferramentas para que fotos como selfies sejam divulgadas, como os aplicativos e as redes sociais.

No entanto, existem evidências de que tirar selfies e postá-las nas redes sociais adquiriu um significado maior do que apenas o autorretrato: ele virou um balizador de autoestima tão poderoso que psicólogos passaram a caracterizar o hábito como um possível transtorno obsessivo apelidado de "selfiti".

O que é Selfit
Selfit pode ser entendido como um vício em tirar selfies. O termo foi divulgado a primeira vez em 2014 em uma notícia afirmando que a Sociedade Americana de Psiquiatria tinha definido o hábito de tirar muitas fotos de si mesmo para se autopromover como uma desordem psicológica. No entanto, a notícia em questão era falsa e a própria Sociedade Americana de Psiquiatria desmentiu o fato. No entanto, na sequência do engano, pesquisadores da Universidade de Nottingham Trent, de Londres e da Escola de Administração de Thiagarajar, na Índia, decidiram investigar se o fenômeno era verdadeiro. As universidades realizaram um estudo chamado .

Para a realização da análise foram recrutados cerca de 400 estudantes, dos quais eram 230 homens e 130 mulheres de escolas superiores da Índia. O motivo de escolher a Índia como pólo de investigação foi o fato de o País concentrar o maior número de usuários de Facebook. Além disso, a Índia também é o país que registra o maior número de pessoas que morrem por tirar selfies em locais perigosos. Para se ter uma ideia, um levantamento realizado por pesquisadores americanos identificou que entre os anos de 2014 a 2016, cerca de 127 pessoas morreram ao não calcular os riscos no momento de tirar selfie. Destas 76 ocorreram na Índia. O estudo não registrou nenhuma morte no Brasil.

O Selfiti é uma condição psicológica ainda em estudo, portanto não é reconhecida pela Associação Americana de Psiquiatria ou pela Associação Brasileira de Psiquiatria como uma patologia.

De acordo com o psicanalista e doutor em psicologia clínica Eduardo Fraga de Almeida Prado, que também é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o Selfiti deriva de um fenômeno mais amplo de medicalização da vida. Portanto é preciso cautela para abordar o assunto.

O psicólogo Cristiano Nabuco que também é coordenador do Programa de Dependência de Internet do Laboratório Integrados dos Transtornos do Impulso (AMITI) dos Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, reforça que vivemos uma tentativa de caracterizar tudo que pode ter relação com o uso abusivo de tecnologia. "Precisamos tomar cuidado para não criarmos um excesso de classificação relacionado à dependência de tecnologias, mesmo porque este exagero pode estar relacionado a algo maior, como um quadro de depressão, ansiedade ou tipo de transtorno que só poderá ser identificado por um profissional", alerta.

Mesmo que o Selfit não seja identificado como um transtorno, a psicoterapeuta cognitiva comportamental Dora Sampaio Góes, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, afirma que é preciso estudar a complexidade do hábito de tirar muitas selfies. "A dependência de internet, que hoje é uma patologia, começou como uma observação clínica de profissionais que foram pesquisar. Não há como dizer se o Selfiti será considerado uma patologia, pois é necessário muito estudo para isso acontecer, mas a investigação é válida", explica Dora.

Níveis de Selfitis
Para a realização do estudo, os participantes passaram por entrevistas com perguntas como: "O que te motiva a tirar selfies?", "Você acha que uma pessoa pode desenvolver um vício em tirar selfies?". Por meio dos questionários, os pesquisadores identificaram perfis comportamentais que poderiam ser classificados dentro de um comportamento obsessivo por autorretratos. Com as análises, os pesquisadores classificaram os participantes em três níveis distintos de "Selfitis":
  • Borderline: pessoas que tiram fotos de si pelo menos 3 vezes por dia, mas não necessariamente publicam nas redes sociais
  • Agudo: pessoas que tiram fotos de si ao menos 3 vezes por dia e postam cada uma nas mídias sociais
  • Crônico: impulso incontrolável de tirar selfies e publicar as fotos mais de 6 vezes por dia.
  • Ao analisar o comportamento dos estudantes, os pesquisadores descobriram 40% dos jovens poderia se enquadrar no nível agudo de Selfiti. Cerca de 34% dos participantes se enquadrou ao nível borderline e os 25% restantes estariam entre as pessoas com um nível crônico de Selfiti.
O que pode desencadear o Selfiti
De acordo com a pesquisa, o que motiva pessoas a tirar um número excessivo de selfies é, entre muitos aspectos, o prestígio que recebem de seus seguidores depois que a foto é publicada. Segundo os cientistas, os jovens explicaram que quando divulgavam as fotos nas redes sociais ficavam felizes com o reconhecimento das outras pessoas. Alguns disseram que sentiam que sua vaidade era legitimada a partir do elogios que recebiam. Outros gostavam da competição que criavam com os outros amigos.

Para os especialistas entrevistados pela redação, o hábito de tirar muitas fotos de si demonstra, entre muitos aspectos, um sentimento de insegurança em relação à própria aparência. Pode parecer um paradoxo atrelar problemas de auto-aceitação com um excesso de autorretratos, mas os especialistas explicam que o hábito é justamente para tentar buscar, por meios externos, uma aprovação que não se tem de si mesmo.

"Quanto mais inseguro ou com incertezas o indivíduo é mais será necessário o hábito de tornar-se público. Isso porque esse indivíduo sente a necessidade de ser constantemente apreciado por quem o vê", afirma Almeida Prado.

Essa não é a primeira vez que o excesso de fotos de si está relacionado com uma baixa autoestima. Um estudo realizado pela Brunel University London chamado "Facebook status updates reveal low self-esteem and narcissism" afirma que pessoas que tiram muitas selfies na academia tendem a ser narcisistas e inseguras.

O estudo foi realizado com 555 usuários do Facebook e lhes foi solicitado que respondessem a um questionário. Os pesquisadores descobriram que pessoas com personalidade narcisista, por exemplo, tendem a postar mais fotos na academia, pois esses ambientes costumam receber um número maior de likes em relação a outras situações cotidianas. Sendo assim, essas pessoas procuravam divulgar suas fotos nesses ambientes como forma de manter uma grande quantidade de likes.

A professora de psicologia Tara Marshall, da Brunet University London, explica que as curtidas e comentários postados nas fotos proporcionam uma sensação de inclusão social, enquanto as pessoas que não recebem nada sentem-se como se estivessem em um tipo de ostracismo.

Vale ressaltar que grande parte das fotos publicadas nas redes sociais conta com recursos de edição e embelezamento que possibilitam corrigir de forma rápida pequenas imperfeições, afinar o rosto, aumentar os olhos, deixar o sorriso mais atraente e até rejuvenescer a pele. Dessa forma a pessoa que posta a selfie mostra aos outros uma versão editada de si.

"Quando uma pessoa que não tem uma boa autoestima publica uma foto e recebe elogios, é como se ela adquirisse durante algum tempo uma autoestima adequada. Isso pode gerar uma dependência comportamental, pois o indivíduo sempre estará atrás de mais aprovação", alerta Dora.

Sensação química do Selfie
Experiências prazerosas fazem com o cérebro libere dopamina. No caso das selfies o raciocínio é semelhante. O indivíduo publica uma foto e rapidamente recebe um elogio, um emoji ou uma interação que mostre que ele "acertou" na escolha da foto e é admirado por isso. Logo na sequência tem-se a sensação de prazer. No entanto, assim como um medicamento, uma bebida alcoólica, ou um cigarro em um certo momento a sensação de prazer irá passar, e aí será necessário postar uma nova foto.

No livro "Irresistible: The Rise of Addictive Technology e Business of Keeping Us Hooked". O escritor e professor da Universidade de Nova York Adam Alter explica que existe também uma excitação em relação à imprevisibilidade ocasionada pelo selfie, uma vez que não se sabe quantas curtidas e interações a foto postada receberá. "É justamente a imprevisibilidade desse processo que o torna tão viciante. Se as pessoas soubessem que toda vez que postassem iriam receber 100 likes, isso tornaria o processo muito chato". enaltece.

Por que damos tanto valor a Selfie?
É possível entender as motivações que levam às pessoas a publicar selfies nas redes sociais. Prestígio, autopromoção, validação da autoestima. Mas a pergunta que fica é por que essas fotografias significam tanto para nós? E deveríamos atribuir tanto valor a elas?

Essas questões são complexas e podem ter diferentes respostas. Uma forma de começar a compreender esse assunto pode ser olhando para nossos antepassados. Antigamente os povoados contavam com um número reduzido de pessoas, por volta de 150 indivíduos. Essas pessoas se conheciam, estabeleciam conexões dentro das suas possibilidades e, obviamente, relações de poder. "Dentro dessas comunidades havia um número reduzido de machos e fêmeas alfas, que se destacavam diante dos restantes", explica Nabuco.

No entanto, avançando alguns séculos no tempo, nossa sociedade evolui de pequenos povoados para megalópoles. As comunidades que antes eram restritas a poucas pessoas ganharam os ambientes virtuais e adquirimos contato com muito mais pessoas. Mas, por mais que tenhamos aprendido a interagir com uma grande quantidade de pessoas e sejamos capazes de sobreviver e criar nossas micro comunidades nos centros urbanos, nosso emocional não evolui com a mesma velocidade do progresso urbanístico e tecnológico. Como consequência estamos inseguros.

"Quando uma pessoa entra numa rede social ela não vai ver duas ou três pessoas que se destacam na multidão, todos os perfis estão tentando se destacar na multidão. Daí surge a necessidade de tentar se destacar mais do que o outro", explica Nabuco.

Outro ponto seria o fato de que vivemos em uma sociedade voltada para o indivíduo. "É comum nos depararmos com frases como 'a rádio que toca a música que você gosta', 'o produto que atende às suas necessidades', 'aprenda a ter mais sucesso em suas conquistas'. Temos a impressão de que tudo é direcionado exclusivamente para nós", esclarece Almeida Prado. Outro ponto seria o fato de que vivemos em uma sociedade voltada para o indivíduo. "É comum nos depararmos com frases como 'a rádio que toca a música que você gosta', 'o produto que atende às suas necessidades', 'aprenda a ter mais sucesso em suas conquistas'. Temos a impressão de que tudo é direcionado exclusivamente para nós", esclarece Almeida Prado.

Logo, escrevendo de outra forma, uma sociedade em que tudo é direcionado ao indivíduo, também é uma sociedade em que o selfie (eu mesmo em tradução livre) também é valorizado. Juntando isso ao fato de que somo seduzidos por imagens é possível entender o que nos leva a sermos tão atraídos por um autorretrato.

Sintomas do Selfiti
Os especialistas que concederam entrevista ao Minha Vida explica que não é possível atribuir um conjunto de sintomas para uma pessoa viciada em selfies uma vez que ainda é uma condição em estudo. No entanto, existem algumas características que podem indicar que uma pessoa pode estar atribuindo uma dependência emocional dos selfies que pode causar problemas para sua saúde mental:
  • Apresentar vaidade excessiva
  • Sentimento de autodepreciação
  • Postar muitas selfies por dia e ficar observando como elas performaram
  • Apresentar mudança de humor diante da repercussão de uma selfie
  • Sentir-se inferior, se uma selfie postada não receber muitos likes
  • Sentir-se superior a outras pessoas, se uma selfie receber muitas interações
  • Se colocar em situações de risco para ter uma boa selfie, como tentar ir a lugares perigosos para tirar foto ou se expor sem medir consequências
  • Registrar uma foto de si a todo momento e deixar de compartilhar experiências reais com quem está ao seu redor para se dedicar ao mundo virtual
É importante ressaltar que somente um especialista pode diagnosticar possíveis problemas psicológicos desencadeados pela dependência de internet e os aspectos citados não são oficiais. São apenas alguns traços de personalidade que podem indicar que uma pessoa precisa de ajuda profissional. Se você acha que sua saúde emocional pode estar prejudicada, converse com um especialista.

Selfiti não tem relação somente com o selfie
É possível que o hábito de tirar muitas selfies esteja atrelado, na verdade, a outras condições de saúde mental. Sendo assim, a compulsividade pelos autorretratos é na verdade uma forma de manifestação de um outro distúrbio emocional. Vale ressaltar que esse tipo de diagnóstico só pode ser feito por especialistas.

Tratamento para Selfiti
Quando uma pessoa tem um vício em uma substância é comum afastar a pessoa daquele ativo para que o corpo perca a dependência. Mas e em relação ao selfie? Uma pessoa que tira muitas selfies precisaria parar com o hábito? Não necessariamente.

A tecnologia é uma ferramenta que está inserida na rotina das pessoas de forma geral. Sendo assim, mesmo que a pessoa não use o celular, ainda assim ela teria contato com outras pessoas que estão, por exemplo, tirando selfies.

Assim como o selfiti pode estar atrelado a outros fatores, o tratamento também será direcionado para tratar as outras questões relacionadas à saúde emocional do indivíduo. Logo, pode ser que o tratamento não seja exclusivo para tratar o vício em selfies, mas identificar e fazer com que o indivíduo tenha ferramentas emocionais para lidar com as causas que fazem com que ele precise tirar selfies para ter a legitimação de outras pessoas.

m suma, o ideal é buscar o caminho do meio. Fazendo com que a pessoa busque outras formas de aumentar a autoestima de forma emocionalmente sustentável.

É possível ajudar uma pessoa que tem Selfiti?
Uma forma de ajudar uma pessoa que apresenta um comportamento obsessivo por selfies é, primeiramente, não incentivar esse tipo de hábito. Como fazer isso? Não servindo de plateia para as fotos que essa pessoa divulga. Em outras palavras, não curtir, não comentar, não compartilhar.

Em contrapartida, é importante elogiar essa pessoa fora da internet, de preferência por realizações que não tenham relação com a aparência dela e sim com suas qualidades emocionais ou por outras realizações. Você pode dizer coisas como:
  • Você é uma boa pessoa
  • Gosto como você me trata
  • Você é um (uma) bom (boa) ouvinte
  • Admiro seu caráter
  • Me inspiro em você para alcançar meus objetivos
  • Sua amizade é importante para mim
  • Bom trabalho
  • Gosto da sua companhia
  • Acho que eu tenho Selfiti. O que eu posso fazer?
  • Pode acontecer de o próprio indivíduo perceber que está tendo um comportamento excessivo em relação as suas selfies. Se isso acontecer com você, o primeiro a fazer é não se culpar.
Em seguida, você pode tentar desapegar um pouco do celular quando estiver com seus amigos por exemplo. Além disso, quando perceber que está com vontade de tirar uma selfie, tente fazer outra coisa que não envolva tecnologia. Você pode fazer uma caminhada, conversar com algum amigo, meditar. Existem muitas opções.

Pode ser que você sinta dificuldade em se afastar do celular. Nesse caso, é necessário procurar ajuda de um profissional. Você pode marcar uma consulta com um psicólogo e expor a ele que notou que posta uma quantidade alta de selfies.

É possível prevenir o Selfiti?
Uma forma de se desligar da dependência das selfies é estabelecer relações consistentes e sinceras no mundo real. Demonstrar interesse pelas pessoas que ultrapassem as aparências e devaneios do ego. Ter conversas sinceras e tentar criar conexões emocionais com as pessoas.

Além disso, desenvolver e aprimorar competências que não tenham relação apenas com a estética, fazer um curso, se dedicar a um projeto pessoal, fazer um projeto voluntário. enfim, ocupar a cabeço com elementos que possam fortalecer a autoestima de forma que não seja por um autorretrato.

Tirar selfies não tem problema, desde que não cause problema a própria pessoa ou a outros. Em suma, se estivermos bem conosco, o autorretrato será uma forma de lembrança de um momento que ficará registrado e comemorado na memória e não apenas nas redes sociais.

Fonte: Minha Vida

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Pessoas com menos amigos são mais inteligentes, diz estudo

Um novo estudo descobriu por que gênios tendem a ser solitários. De acordo com uma pesquisa publicada recentemente na revista científica British Journal of Psychology, quanto mais as pessoas muito inteligentes precisarem socializar, menos satisfeitas elas estarão com a vida.

Para chegar aos resultados, os psicólogos evolucionistas Satoshi Kanazawa, da London School of Economics, na Grã-Bretanha, e Norman Li, da Universidade de Administração de Singapura, em Singapura, questionaram 15.000 pessoas, com idade entre 18 e 28 anos, sobre a felicidade. Foram analisados também dados como a densidade populacional do local onde os voluntários viviam e a frequência de interação com os amigos.

O estudo se baseou na teoria da savana, proposta em 2004 por Kanazawa. Segundo a tese, ancestrais que viviam na savana Africana precisavam ser sociáveis para sobreviver a um ambiente hostil. Naquele tempo, a população era escassa, com cerca de 150 integrantes por grupo. Os pesquisadores acreditam então que, por causa da herança ancestral, a maioria das pessoas atualmente relata sentir-se mais feliz quando vive em lugares com menor densidade demográfica e quanto mais convive com amigos e familiares.

O que o novo levantamento mostrou, contudo, é que isso não se aplica para aqueles que são muito inteligentes. No caso de pessoas com QI muito alto, a densidade demográfica baixa não aumenta a sensação de felicidade. Além disso, quanto mais elas precisam socializar com outras pessoas, a satisfação delas com a vida tende a ser menor. "O efeito da densidade populacional na satisfação com a vida era mais de duas vezes maior para os indivíduos de baixo QI do que para os indivíduos com QI mais alto. E indivíduos mais inteligentes eram, na verdade, menos satisfeitos com a vida se socializavam com seus amigos com mais frequência", escreveram os autores.

Os autores acreditam que os indivíduos considerados gênios possuem cérebros mais evoluídos, o que os tornaria mais adaptados aos desafios da vida moderna. O problema é que essas pessoas estão sujeitas a viver em constante conflito entre aspirar objetivos maiores e estar vinculado às raízes do passado evolutivo.

Fonte: Veja

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Açudes devem reter apenas 1% de toda a água das chuvas

Cachoeira de Missão Velha, há um mês (20/2), com
abundância de água (Foto: Antonio Rodrigues) 
A redução das chuvas no Ceará nos últimos 17 dias aumenta a preocupação do governo, que teme agravamento da crise hídrica que castiga o Estado desde 2012, e a perda de safra agrícola. O meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), David Ferran, explicou que quando o ano é considerado seco, do total do volume de todas as águas que caem no Estado, em média, só 1% chega aos reservatórios. Em períodos de chuvas acima da média, esse percentual varia entre 5% e 10%.

Sem recarga significativa nos reservatórios, o abastecimento fica comprometido para o último trimestre deste ano em várias cidades. Até ontem, choveu apenas 52,3mm (25,7%) do esperado para março, cuja média histórica é de 203.4mm.

Caso o quadro atual persista até o fim deste mês e no decorrer de abril, as reservas hídricas de importantes açudes devem atingir no transcorrer do ano volume morto, agravando ainda mais a situação de abastecimento de médios e grandes centros urbanos. "Estamos atravessando um ano limite no volume da maioria dos reservatórios e, senão houver chuvas intensas e próximas, a situação vai ficar muito complicada", observou o secretário Executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara.

No início da quadra chuvosa, em 1º de fevereiro, o volume médio acumulado nos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) era de 7,1%. De acordo com o Portal Hidrológico da Cogerh, ontem, era de 8,4%. Os dados demonstram que, até agora, houve um aporte mínimo de 1,3%.

"O veranico que se observa neste mês de março foi bastante prejudicial para a ocorrência de aportes", observou David Ferran. "Esse intervalo atrapalha. É preciso que as chuvas sejam concentradas em um período para que a água escorra e chegue aos açudes".

A Funceme, ontem, registrou precipitações em 72 municípios. As cinco maiores foram observadas em Pentecoste (50.6mm), Barreira (45mm), Madalena (37.8mm), Jaguaribe e Catunda (36mm). A expectativa para os próximos três dias não são nada animadoras. "A previsão não está muito otimista. As chuvas devem continuar isoladas e, muito provavelmente, março vai ficar abaixo da média", pontuou David Ferran.

A imagem de satélite fornecida pela Funceme mostra que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que é uma imensa massa de nuvens e o principal sistema que traz chuvas para o Ceará, nesta época do ano, está afastada da costa cearense.

"Há um sistema de alta pressão que vem inibindo a formação de nuvens de chuva", explicou Ferran. Para hoje e amanhã, segundo a Funceme, há possibilidade de chuva no litoral, na Serra da Ibiapaba, no Maciço de Baturité e no Cariri. As chuvas devem continuar de forma isolada. Esse tipo de precipitações não favorece a cheia de riachos, rios e até mesmo de pequenos reservatórios porque a água tende a se infiltrar no solo.

Perda
Desde 2012 que o Ceará enfrenta perda seguida das reservas hídricas dos principais reservatórios. Um ou outro foi beneficiado no período com recarga. Nesse período, os aportes sempre estiveram abaixo da média. Em 2017, foi registrado o maior da série, cerca de 1,45 bilhões de metros cúbicos. Em março de 2017, houve um aporte de 700 milhões de metros cúbicos e no atual março, até ontem, de apenas 210 milhões m3. De um total de 28 mil açudes, entre um e um meio hectare de área, cerca de 22 mil estão secos, no Estado.

A situação vem se agravando porque os poços estão secando no sertão cearense. Aderilo Alcântara observa que o trabalho de perfuração de poços continua, mas tem aumentado a quantidade daqueles que apresentam reduzida vazão ou estão secos. "O lençol freático está muito baixo e há perda de suas reservas com a sequência de anos ruins de chuva", pontuou. O tempo está passando, o fim do mês se aproximando e o Ceará não registra significativo aporte em seus principais e estratégicos reservatórios. "Até mesmo os açudes da Região Metropolitana de Fortaleza, que poderiam ser beneficiados com as chuvas na faixa litorânea, estão com volume reduzido", lamenta o presidente da Cogerh, João Lúcio. "Outra preocupação é com o Banabuiú, que continua sem recarga, com a região do Sertão Central, que está seca". Em várias regiões do Ceará já se observa risco elevado ou mesmo perda da lavoura. Nos sítios Cajás, zona rural de Iguatu, os agricultores lamentam perda do cultivo de milho. "Aqui não há mais o que esperar. A lagarta atacou e o milho murchou. A chuva não veio faz dezessete dias", disse o agricultor Marconi Souza. "Nessa região do Alencar, muita gente já perdeu a safra e o desânimo é geral. Eu mesmo vou abandonar a agricultura. Não dá mais", desabafou.

"O sol queimando como se fosse verão", bradou o vendedor Francisco Pereira, sobre o tempo seco na maior parte do mês de março, até agora. O Cariri cearense voltou a receber chuvas em mais de 10 municípios, na última segunda-feira (19), após 13 dias, atingindo 11 cidades. Entretanto, o resultado foi mais animador entre 7h da segunda-feira e às 7h de ontem (20), já que 16 municípios registraram chuvas na macrorregião, segundo a Funceme.

Mas isso ainda não é suficiente para reanimar os agricultores. As macrorregiões mais beneficiadas com as chuvas foram o Litoral Norte e a Ibiapaba. Já o Cariri está com um desvio negativo de 80,2% de sua média. Os dados são preliminares. O meteorologista David Ferran afirma que, desde a semana passada, havia a presença do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), no leste do Nordeste Brasileiro, que se tornou um Cavado de Altos Níveis (CAN). Foi o deslocamento deste sistema que causou as chuvas no Estado nos últimos dias.

"Esse sistema deve persistir pelo menos até esta quinta-feira. Ainda há tendência de poucas chuvas em todo o Ceará. Sobre o Cariri, há possibilidade de chuva na quarta e na quinta-feira, porém, sendo estes eventos de pouca intensidade", disse Ferran .

Na zona-rural de Crato, muitos agricultores foram afetados pela ausência de precipitações mais intensas desde o último dia 2 de março. De lá para cá, não choveu em 11 dias e, quando caiu água, não passou dos 13 milímetros registrados nessa segunda-feira (19), Dia de São José. O Município apresenta um desvio negativo de -74.5%, até agora, neste mês de março. O pior, no Cariri cearense, é na cidade vizinha de Nova Olinda, tendo desvio negativo de 98,6%.

Crítico
No sítio Rodeador, distrito de Ponta da Serra, cerca de 16km da sede do Município, a falta de chuvas afetou a produção do agricultor Antônio Leite Alexandre. "Aqui está crítico. Se não chover logo, vamos perder legumes. Tem o que plantou e não nasceu. O pouco que nasce o passarinho arranca", descreve. A dificuldade só não é maior graças a cisterna que ainda conseguiu pegar um pouco de água.

O vendedor Francisco Pereira, que compra legumes e verduras dos agricultores, afirma que tem encontrado muita "roça perdida. O rendimento caiu e não tem como recuperar. Só Deus mesmo. Muitas pessoas estão no prejuízo. Daqui a 10 dias, se não tiver chuva regular, não tem como recuperar mais. De Caririaçu para cá está tudo seco".

HONÓRIO BARBOSA/ANTONIO RODRIGUES
COLABORADORES

Fonte: Diário do Nordeste

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Entenda o que é hanseníase e como ela afeta o organismo

Apesar de já ter sido uma doença bastante comum e que assusta, nem todos sabem o que é hanseníase. Na verdade, o mais comum é que ela seja associada a outro nome: lepra, denominação proveniente do bacilo que provoca a infecção, o Mycobacterium leprae.

Diferente do que é comum imaginar, sua origem não é hereditária e seu desenvolvimento depende apenas do sistema imunológico de quem é afetado. Hoje o Ministério da Saúde mobiliza os brasileiros em uma data nacional, dedicada ao combate da doença.  Que tal aproveitar o momento para conhecer mais sobre os sintomas e o tratamento?

Fique alerta para o que é hanseníase
Manchas esbranquiçadas, vermelhas ou em tom marrom, acompanhadas de sensibilidade ao frio, ao calor e ao toque são os principais sinais para identificar o que é hanseníase. Além disso, caso as marcas apareçam acompanhadas de dor localizada e sensação de formigamento ou dormência nas extremidades, é necessário atenção redobrada.

Essa doença é infecciosa e bastante contagiosa. Nos infectados, ela pode provocar o surgimento de caroços por todo o corpo, diminuindo a força dos músculos e causando dificuldade para segurar objetos com as mãos.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2013, a doença ocorria em 16 a cada 100 mil pessoas. O número, porém, é 68% menor do que em 2003, quando eram 30 pessoas infectadas para essa mesma proporção. A queda se deve a uma política de informação sobre o que é hanseníase e melhorias nos tratamentos.

Em 2014, uma atualização dos levantamentos do Ministério apresentou uma redução ainda maior nos casos, que passaram a ser de 12,14 pessoas infectadas para cada 100 mil habitantes.

Tratamento da hanseníase pode ser gratuito
O tratamento mais utilizado para a hanseníase é feito por via oral, através de poliquimioterapia (PQT), quando remédios são combinados para evitar que o bacilo causador da doença resista aos efeitos. Ele deve ser administrado por seis meses ou um ano, dependendo das condições do paciente.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente com hanseníase pode ser tratado de forma gratuita. Assim que começa o tratamento, o risco de transmissão é controlado e a pessoa pode voltar ao convívio de amigos e familiares. No entanto, é necessário que o diagnóstico seja feito o quanto antes, para aumentar a eficácia e a resposta do corpo à cura.

Além de exames de pele, é necessário também um acompanhamento neurológico. Todos aqueles que conviveram com alguém infectado também precisam passar por exames para assegurar que não estão contaminados.

Os dados para cura da doença são bastante positivos. Em 2014, o Brasil já registrava que 84% dos pacientes estavam curados. No entanto, as políticas de conscientização não param. Por meio do Dia de Luta contra a Hanseníase, diversas campanhas mobilizam a conhecer o que é hanseníase e quais seus efeitos, além de incentivar a realização do diagnóstico precoce no SUS.

Fonte: Doutíssima

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Publicado edital do Enem 2018; veja as novidades

Os candidatos que participarão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) neste ano terão 30 minutos a mais para fazer a prova do segundo dia, que reúne conteúdos de ciências da natureza e matemática.

Segundo o edital da prova, publicado nesta quarta-feira (21) no "Diário Oficial da União", os estudantes terão cinco horas para fazer a prova no segundo dia -em 2017 foram quatro horas e meia. No primeiro dia, os candidatos continuarão a ter as cinco horas e meia previstas.

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) também retirou do edital o item que determinava que a redação que desrespeitasse os direitos humanos teria nota zero.

No ano passado, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a suspensão da regra que previa a anulação da redação que violasse os direitos humanos.

Assim como em 2017, neste ano as provas do Enem serão realizadas em dois domingos seguidos: nos dias 4 e 11 de novembro. A estrutura da prova também não mudou: no 1º dia serão aplicadas as provas de redação, linguagens e ciências humanas; 2º dia serão as provas de ciências da natureza e matemática.

As inscrições deverão ser feitas das 10h do dia 7 de maio às 23h59 de 18 de maio deste ano. A taxa de inscrição foi mantida em R$ 82. O pagamento deve ser feito entre os dias 7 e 23 de maio.

Os resultados do Enem poderão ser usados em processos seletivos para vagas no ensino superior público, pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada), para bolsas de estudo em instituições privadas, pelo Prouni (Programa Universidade para Todos) e para obter financiamento pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

Isenções
A solicitação de isenção da taxa de inscrição deve ser feita entre os dias 2 e 11 de abril. Serão isentos os estudantes que estejam cursando a última série do ensino médio neste ano em escola da rede pública, ou que tenha cursado todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsista integral na rede privada e tenha renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio.

Também tem isenção o participante que declarar estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por ser membro de família de baixa renda e que esteja inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal .

Neste ano, também são isentos os participantes do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) do ano passado.

Os participantes isentos da taxa de inscrição que não compareceram nos dias de prova no Enem do ano passado terão que justificar a ausência por meio de atestado médico, documento judicial ou boletim de ocorrência para fazer o Enem 2018 sem pagar a taxa. O prazo para justificar a ausência no Enem do ano passado vai de 2 a 11 de abril.

O participante que não apresentar justificativa de ausência no Enem 2017 ou tiver a justificativa reprovada após o recurso e desejar se inscrever no Enem 2018 deverá pagar o valor da taxa de inscrição.

Segurança
O edital do Enem continua prevendo a realização de revista eletrônica nos locais de prova, por meio do uso de detectores de metais. A novidade deste ano é que os alunos também deverão permitir que os artigos religiosos, como burca e quipá, sejam revistados pelo aplicador das provas. Quem não permitir a revista poderá ser eliminado.

Imprevistos
Segundo o edital deste ano, o participante afetado por problemas logísticos durante a aplicação poderá solicitar reaplicação do exame em até cinco dias úteis após o último dia de aplicação. Os casos serão julgados individualmente pela Comissão de Demandas.

No ano passado, cerca de 3.500 estudantes tiveram que refazer as provas em outra data por problemas como falta de energia nos locais do exame.

Fonte: Folhapress

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1,87%: PIB do CE em 2017 aumenta quase o dobro da média nacional, destaca Camilo Santana

Durante a transmissão desta terça-feira (20) pelo Facebook, o governador Camilo Santana informou que o Ceará registrou crescimento de 1,87% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, quase o dobro da alta do País, que foi de 1%. O volume de investimentos do Estado, que representou 13,9% da receita corrente líquida no ano passado, também foi destacado pelo chefe do Executivo. Outro anúncio importante foi a implantação de mais um campus avançado da Universidade Estadual do Ceará (Uece), com a oferta de dois cursos superiores, no município de Mombaça, na região do Sertão Central.

“É uma conquista importante do Ceará na economia. Vivemos uma das piores crises econômicas dos últimos 100 anos e temos nos mantido forte. Esse aumento significa mais emprego, mais investimento, mais oportunidades. Autorizei também mais um campus da Uece no Ceará, em Mombaça, já aprovado pelo conselho da universidade. Serão dois cursos, de Artes e Ciências da Computação, que abrirão vagas no vestibular ainda neste semestre e as aulas vão começar já no semestre que vem”, disse o chefe do Executivo.

Aproveitando que nesta terça-feira ele entregou 100 novas viaturas para a Polícia Militar, o governador citou as medidas voltadas para a segurança pública e informou que já foram iniciadas as obras do primeiro presídio de segurança máxima do Ceará. “Iniciamos a construção na semana passada. Em breve vamos oficializar, mas a obra já está acontecendo, um investimento de R$ 127 milhões. Temos 132 cadeias espalhadas pelo Ceará e vou também construir 14 novos presídios regionais para acabar com essa superlotação. Lugar de preso não é nessas cadeias perto da população ou em delegacias. Já tenho dois garantidos pelo Governo Federal e vamos atrás de um empréstimo do BNDES para fazer o resto”.

Camilo Santana também anunciou a construção e um novo Parque de Exposições na região Sertão Central, no município de Quixeramobim. “Será nos mesmos moldes dos que existem em Sobral e no Crato. Faço aqui o apelo para doarem um bom terreno e em breve vamos lá assinar a ordem de serviço para o início das obras”, informou.

Assessoria de Imprensa/Governo do Estado

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Agricultura familiar do Ceará recebe R$ 660 milhões em ações

É hora do almoço do cearense. No prato, é quase certeza ter cuscuz, feijão, farofa e verdura. Mas esses alimentos, certamente, não brotaram no supermercado, mas em terras aradas e cuidadas por milhares de agricultores familiares do Estado. Aliás, a agricultura familiar corresponde a cerca de 70% dos alimentos consumidos em todo o País, diz o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Ontem, para auxiliar a modalidade de cultivo, o governador Camilo Santana anunciou um pacote de mais de R$ 660 milhões em ações de abastecimento d'água, projetos produtivos e novos tratores.

"É um conjunto de ações para fortalecer os homens e as mulheres do campo, para que vivam dignamente e com mais qualidade de vida", destacou o chefe do Executivo estadual, durante solenidade no Parque de Exposições César Cals, em Fortaleza. Só na segunda fase do Projeto São José, cujo foco é o desenvolvimento das comunidades familiares rurais, serão investidos R$ 490 milhões (US$ 150 milhões).

O evento também marcou a entrega de 173 tratores, no valor de mais de R$ 21 milhões pelo Projeto de Mecanização Agrícola do São José. Outra ação, a partir de convênio assinado com o MDS, no valor de quase R$ 20 milhões, será a construção de 4.195 cisternas de primeira água - voltada para consumo humano - e 411 cisternas escolares em 48 municípios cearenses.

Já por meio do Projeto Paulo Freire, serão implantadas mais 4 mil cisternas de primeira água e 100 cisternas escolares em 152 comunidades pobres de 39 municípios nos territórios dos sertões de Sobral, Cariri e Sertões dos Inhamuns. Além disso, o Governo também liberará R$83 milhões para 478 comunidades rurais e entregará títulos de terra para agricultores familiares.

Conforme Dedé Teixeira, titular da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), os investimentos beneficiarão 182 municípios cearenses com zona rural - as exceções são Fortaleza e Eusébio - no intuito de amenizar os efeitos de seis anos de seca.

Inovação
"Temos que inovar em produção com menos água, através de irrigação por gotejamento, com melhoras genéticas dos rebanho, introdução de novas culturas que gastem menos água, com silagem de insumos para quando faltar, com o reúso da água e fontes alternativas de energia. O agricultor precisa se acostumar a novas formas de produzir", detalha o secretário.

Ainda segundo Teixeira, o Governo aprovou recurso para a realização do Observatório da Agricultura Familiar, estudo que medirá a porcentagem que a modalidade fornece para o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Esse tipo de cultivo sustenta a família de João Santa, 60, na comunidade Bom Gosto, em Pacujá, a 314 Km de Fortaleza. Suportando uma seca "braba", se virando como pode com a água de cisternas e poços profundos, ele segue semeando feijão, milho e mandioca.

Otimismo
Questionado sobre as ações anunciadas pelo Governo, João pensa que elas "vão vingar". É o mesmo desejo de Maria Barbosa, 22, que cultiva a terra de Madalena, a 185 Km da Capital, com a ajuda de um trator da associação de produtores rurais, que às vezes reserva para utilizar. O trabalho está feito, agora aposta na ação de São José. "A comunidade começou a plantar. O milho já tá dando", relata.

Na opinião do presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Ceará (Fetraece), Raimundo Martins, o pacote anunciado vai na contramão da "desestruturação de políticas públicas de agricultura familiar em todo o Brasil", garantindo, no Ceará, emprego e renda ao homem do campo.

Já Gadyel Gonçalves, presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), reconhece que o Projeto São José, a cada ano, "se renova e nos ajuda a atravessar toda a crise hídrica".

Saiba mais
  • Projeto São José: R$ 490 milhões para obras hídricas
  • Tratores: R$ 21,7 milhões aplicados na compra de 173 veículos
  • Cisternas: R$ 34,8 milhões investidos em 8,7 mil unidades
  • Projetos produtivos: R$30,5 milhões para 152 projetos que atendem a 5,1 mil famílias
  • Recursos extras: R$ 83,1 milhões a 478 comunidades rurais

NICOLAS PAULINO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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