Oi fará proposta para tentar comprar a TIM

A Oi vai fazer uma oferta para a compra da participação da Telecom Italia na TIM.

Em fato relevante aos acionistas divulgado nesta terça-feira (26), a Oi informa que assinou contrato com o banco BTG Pactual para fazer a proposta, que ainda será elaborada e apresentada à companhia.

Caso seja aceita pela Telecom Italia e seus acionistas, ainda deverá ser aprovada pelos órgãos reguladores do Brasil.

No documento, a empresa afirma que quer "desenvolver alternativas para viabilizar proposta para a aquisição da participação da Telecom Italia SpA na TIM Participações S.A."

Hoje, a Telecom Italia possui o controle da TIM com uma participação acionária de 67% na companhia. O valor da fatia, a preços de mercado, é de cerca de R$ 18,4 bilhões.

Em julho de 2014, a Oi possuía 18,5% do mercado de telefonia móvel brasileiro, com quase 51,1 milhões de linhas, enquanto a TIM tinha uma fatia de 26,93% (pouco menos de 74,4 milhões de linhas).

Com o anúncio, as ações da Oi dispararam na abertura do pregão desta quarta-feira (27). Os papéis da operadora chegaram a subir mais de 10% na Bolsa de Valores de São Paulo.

Por volta das 10h30, as ações das duas operadores avançavam mais de 6%.

As ações da Portugal Telecom também subiram na Bolsa de Lisboa. "Esta valorização surge depois de a Oi ter revelado que está preparando uma proposta para comprar uma participação na TIM, o que eleva o potencial de valorização do grupo do qual a PT também fará parte", disse Paulo Rosa, operador da Gobulling, no Porto.

Rosa frisou que "o desempenho das ações da PT está umbilicalmente ligado à cotação da Oi".

Balanços
Entre os grandes grupos de telefonia do país listados em bolsa, a Oi é a que tem saúde financeira mais frágil. A companhia encerrou o segundo trimestre com uma dívida líquida de R$ 46 bilhões, enquanto a da Telefônica Brasil, dona da marca Vivo e controlada pelos espanhóis, era de R$ 2,52 bilhões.

A TIM Participações tinha endividamento de R$ 1 bilhão no fim de junho.

No período, a Oi apresentou prejuízo líquido de R$ 221 milhões, ante perdas de R$ 124 milhões em igual período de 2013. A receita líquida somou R$ 9,02 bilhões entre abril e junho, com leve alta de 0,4% na comparação anual. No Brasil, as receitas do segmento residencial da Oi somaram R$ 2,52 bilhões, queda de 2,3% sobre um ano antes.

A TIM, por outro lado, apresentou lucro líquido de R$ 366 milhões no período, o que representa um recuo de 5,2% em comparação ao resultado do segundo trimestre de 2013. A receita bruta da operadora também teve retração, de 3,4%, e somou R$ 7,1 bilhões.

Portugal Telecom
A decisão da Oi de tentar comprar a concorrente é divulgada após meses de um imbróglio da companhia com a Portugal Telecom (PT), com a qual tenta realizar uma fusão.

A união entre as duas empresas tem sido atrapalhada por problemas financeiros resultantes de investimentos da PT no Grupo Espírito Santo, de Portugal. A PT possui € 897 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) aplicados em papeis da Rioforte, que pertence ao grupo.

Com os pedidos de proteção contra credores feitos pelas empresas do GES, reduziram as chances da PT recuperar os empréstimos feitos ao grupo, o que traria prejuízos à Oi com a fusão.

A combinação entre as empresas, que está em curso, criará um grupo de 100 milhões de clientes, com receitas da ordem de R$ 14 bilhões ao ano.

Os problemas levaram as agências de avaliação de risco Standard & Poor's e Fitch Ratings a rebaixar as notas de crédito da Oi em julho.

GVT
A própria Telecom Italia tenta fazer uma aquisição no mercado brasileiro. A companhia está em negociação para tentar comprar a GVT, que pertence ao grupo de mídia francês Vivendi.

Com esse fim, o grupo italiano trava uma disputa de ofertas com a Telefónica, que anunciou nesta terça-feira (26) que pretende aumentar o lance para a aquisição da GVT, caso a Telecom Italia ofereça um valor maior que € 7 bilhões.

Caso isso ocorra, a Telefónica estaria disposta a elevar o preço da compra para € 8 bilhões, equivalente a mais de R$ 24 bilhões.

A Telecom Italia envia nesta quarta a sua proposta à Vivendi, após aprovação do seu conselho de administração. O grupo francês já tem a oferta da Telefónica na mesa e irá analisar as duas propostas nesta quinta (28), em reunião de conselho.

Durante a assembleia, as duas operadoras poderão aumentar seus lances. A decisão poderá ser divulgada no mesmo dia.

Leilão do 4G
Todas as movimentações de consolidação ocorrem ao mesmo tempo em que as operadoras de telefonia se preparam para o leilão da frequência de 700 MHz do 4G, marcado para 30 de setembro.

O preço mínimo total das seis licenças no leilão é de R$ 7,7 bilhões. Além disso, as empresas terão que gastar R$ 3,6 bilhões na limpeza da faixa, atualmente usada pela radiodifusão analógica.

Na semana passada, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reconheceu em entrevista à Reuters que o processo de consolidação no setor tem influência sobre o leilão de 4G, mas disse que o governo não mudará os prazos. "Isso não é problema nosso", afirmou.

Fonte: Folha.com



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