Escolas da rede pública estadual fortalecem vínculos com alunos durante período de distanciamento social

As escolas da rede pública estadual cearense vêm se empenhando no sentido de continuar proporcionando uma educação de qualidade em tempos de distanciamento social, cuidando do aspecto cognitivo dos estudantes e também priorizando o fator socioemocional. Para tanto, além de manter os conteúdos curriculares em dia, tem sido necessário desenvolver estratégias para fortalecer os vínculos com os jovens, de maneira que se sintam cuidados e valorizados enquanto indivíduos. A Secretaria da Educação (Seduc) vem repercutindo as boas práticas desenvolvidas por professores na ação denominada Conexão Seduc, uma série de encontros virtuais em formato de palestras, colóquios temáticos e fóruns para trocas de conhecimentos.

Em Tabuleiro do Norte, área da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede) 10, o professor Cristiano Silva leciona as disciplinas de Língua Espanhola, Geografia, Projeto de Vida e Formação para a Cidadania, além de ser Professor Diretor de Turma da Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Avelino Magalhães. O educador defende que a escola é um dos instrumentos mais importantes de manutenção da esperança na sociedade, sobretudo em relação aos jovens.

“É por meio da atuação da escola que tentamos garantir que os jovens não abandonem os estudos, tenham atividades cognitivas e também relações sociais de respeito ético. Fatores como solidão, estresse nas relações familiares, sentimento de incompetência para realizar algo, falta de relação com os amigos, impossibilidade de sair de casa e contato constante com notícias negativas impacta diretamente na vida de estudantes adolescentes. Por isso, é tão importante que os aspectos socioemocionais sejam centrais neste momento, sem deixar de lado o aspecto cognitivo”, avalia.

Cristiano ressalta que a formação do vínculo com a turma não está sendo trabalhada somente agora, mas teve início tempos antes. “Esse vínculo se constrói com o conhecimento da realidade dos alunos e das famílias. Há muitas realidades diferentes. É um trabalho quase personalizado. Falo constantemente com eles e ao longo da semana procuro saber o que estão passando. Compartilho vídeos motivacionais, músicas e textos reflexivos. É necessário abrir caminhos para que eles saibam a quem procurar se precisarem desabafar. Plantar tranquilidade, confiança, companheirismo e empatia entre eles”, defende.

Entre os benefícios que podem ser obtidos a partir desta prática, Cristiano cita o aumento da criatividade, da iniciativa, do senso de responsabilidade, da autonomia para estudar, do comprometimento com a cidadania e da capacidade de enfrentar os desafios da vida adulta. “Procuro humanizar as relações com os alunos para ajudá-los a compreender esses caminhos. Não podemos deixar de passar mensagens de esperança, de que iremos reorganizar as nossas vidas em breve e que um futuro melhor nos espera, a depender de nós mesmos”, finaliza.

Aproximação
O professor Antônio Francisco Ferreira atua no Núcleo de Trabalho, Pesquisa e Práticas Sociais (NTPPS) da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Ana Noronha, no município de Parambu, região da Crede 15. Ele entende que a aproximação com os alunos é fundamental para o sucesso do processo pedagógico, principalmente no atual contexto.

“Procuro entender a situação de cada aluno e busco encontrar alguma qualidade nele. Encontrada esta qualidade, trabalho nela para, a partir daí, tentar superar a situação que o jovem enfrenta”, explica. “Pude perceber que os alunos gostam de comentar assuntos relacionados à família e aos amigos. Ou seja, da convivência. Diante disso, já estou me preparando para as próximas aulas, buscando temas que possam trazer reflexão e aprendizado. Através das aulas do NTPPS, vamos refletindo sobre as possíveis saídas para vencermos todas as dificuldades que se apresentarem”, aponta.

As ferramentas digitais oferecidas pela Seduc, que propiciaram a realização de aulas remotas, constituem um agente facilitador na visão do professor. Nos encontros virtuais, ele conta, reflete-se bastante sobre valores humanos. “Muitas vezes nos perguntamos ‘qual valor vale mais’, pegando emprestada a frase do filósofo Clóvis Barros Filho, e então descobrimos que todos têm o mesmo valor. Tudo depende da situação que vivenciamos para que cada um deles seja colocado em evidência”, observa.

“Vejo que a solução para o nosso mundo está numa educação que pense no desenvolvimento global do aluno. Isto é, que além do cognitivo, pense no amadurecimento psicossocial”, conclui Antônio Francisco.

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