Covid-19: O que dizem os estudos sobre a cloroquina?


Teich discorda do presidente Jair Bolsonaro em alguns pontos, o ex-ministro apoia o distanciamento como medida de combate à covid-19 (Bolsonaro defende o isolamento vertical, apenas para pessoas do grupo de risco), e afirmou, por meio do Twiter, que o uso da cloroquina no tratamento contra a covid-19 deve ser feito com base em avaliações médicas, já que a droga oferece efeitos colaterais. Já o presidente aposta no uso mais amplo do remédio, justificando-o por sua eficácia contra outros quadros.

Não é à toa que se fala tanto em hidroxicloroquina ou cloroquina (ambos são remédios parecidos e o primeiro oferece, de acordo com especialistas, menos efeitos colaterais). Desde o início da pandemia, cientistas do mundo todo têm feito testes para avaliar a eficácia e segurança do remédio contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Teoricamente, a hidroxicloroquina consegue controlar a infecção no organismo, impedindo que o vírus se reproduza. Além disso, um dos efeitos do remédio é modificar o pH de vesículas que estão no interior das células. Isso prejudica a produção de partículas que um vírus precisa para se multiplicar.

Até hoje, não há consenso na comunidade científica. Mostramos, abaixo, os resultados preliminares das principais pesquisas sobre o fármaco.

Estudo publicado no New England Journal of  Medicine
Uma pesquisa publicada no renomado periódico científico New England Journal of Medicine no dia 7 de maio aponta que pacientes da covid-19 que foram tratados com hidroxicloroquina não apresentaram resultados melhores do que aqueles que não receberam o medicamento.

O estudo foi liderado por cientistas da University of Columbia e contou com a participação de mais de 1.300 pessoas em Nova York (EUA). Conforme aponta a análise, "dado o desenho observacional e o intervalo de confiança (estimativa por intervalo de um parâmetro populacional desconhecido) relativamente amplo, o estudo não deve ser levado como regra para descartar benefícios ou danos do tratamento com hidroxicloroquina. No entanto, nossos resultados não apoiam o uso de hidroxicloroquina fora de ensaios clínicos randomizados que testam sua eficácia no momento".

O estudo não designou pessoas aleatoriamente para receber o medicamento, tomar placebo e comparar seus resultados, abordagem considerada muito importante para análise de medicamentos.

Análise publicada no JAMA (Journal of the American Medical Association)
Publicada no JAMA, outra análise traz resultados semelhantes, apontando que a hidroxicloroquina não é capaz de evitar mortes pela covid-19 e ainda pode causar problemas no coração, tanto sozinha como quando associada à azitromicina.

De acordo com os pesquisadores, em comparação com os pacientes que não receberam nenhum dos medicamentos, não houve diferenças significativas na mortalidade daqueles que foram tratados com hidroxicloroquina, azitromicina ou ambos.

Pesquisa feita em Wuhan, na China
Um estudo feito no Renmin Hospital of Wuhan University, em Wuhan, na China, com 64 pacientes, aponta que quem recebeu a hidroxicloroquina teve melhora nos sintomas mais rapidamente e apenas dois deles tiveram efeitos adversos relacionados ao remédio.

Os bons resultados, no entanto, são questionados por questões como a pequena quantidade de participantes e não haver grupo placebo (todos sabiam o que estavam recebendo).

Testes da Fiocruz foram interrompidos
Um ramo do estudo brasileiro conduzido pela Fiocruz e pela Fundação de Medicina Tropical com a cloroquina em 81 pacientes foi interrompido precocemente, por motivos de segurança, depois que pacientes sentiram efeitos colaterais ao tomar uma dose mais alta do remédio.

Aproximadamente metade dos participantes do estudo recebeu uma dose de 450 miligramas de cloroquina duas vezes ao dia por cinco dias, enquanto o restante recebeu uma dose maior de 600 miligramas por 10 dias. Em três dias, os pesquisadores perceberam arritmias cardíacas em pacientes que tomavam a dose mais alta. No sexto dia de tratamento, 11 pacientes haviam morrido. O CloroCovid-19 agora permanece em andamento com doses mais baixas.

Teste feito pela rede Prevent Senior
Uma pesquisa feita pela rede Prevent Senior aponta resultados positivos em idosos que apresentavam apenas sintomas menos graves da doença e foram medicados com a droga e o antibiótico azitromicina.

No teste, o uso dos medicamentos foi capaz de reduzir em mais de duas vezes o número de internações, comparado com pacientes que não tomaram os remédios. É importante ressaltar que a pesquisa tem uma série de limitações, como não saber se os pacientes que receberam o tratamento estavam infectados com coronavírus, ter sido suspensa pelo Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) por supostas irregularidades e não ter sido publicada em um periódico científico.

Fonte: UOL

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