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Forte calor gera oportunidade de renda na Região do Cariri

Nos últimos 80 dias, choveu apenas uma vez neste Município, conforme a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Essa última precipitação, de 11mm, veio após um longo período de estiagem e não foi suficiente para amenizar a forte onda de calor. Os termômetros ultrapassam, em alguns dias, a casa dos 40ºC.

O intenso calor, entretanto, foi visto, por alguns, como oportunidade. Em tempos de retração na economia e alta taxa de desemprego, em cada semáforo da cidade onde há maior fluxo de veículos dois ou três ambulantes comercializam água mineral, sorvete, picolé e água de coco. "Foi uma forma de ganhar dinheiro, já que estou desempregado há dois anos", diz Orlando Eduardo de Oliveira, um dos primeiros a iniciar a atividade.

O vendedor conta que, inicialmente, alternou entre os semáforos da Avenida Padre Cícero, próximo a dois atacados, e a Avenida Castelo Branco, ao lado do shopping. A estratégia de venda, no entanto, sofreu alteração ao longo dos dias. "Vi que era melhor escolher um local e ficar fixo. Percebi que, ao passar dos dias, os clientes iam se lembrando do meu rosto e eu tinha mais chance de vender ganhando a confiança deles", explica.

Renda
Apesar de não revelar quanto fatura por dia, Orlando, como é conhecido, afirma que "está dando para pagar as contas". A menos de 100m, outros dois ambulantes também viram o "bico" se transformar na principal fonte de renda. "Aqui o fluxo é grande, além de ser em frente ao shopping, é perto da parada de ônibus de Crato para Barbalha", afirma Luzinete Maria. De um lado da rua, ela vende água e, do outro, o esposo, água de coco.

A renda dos dois, asseguram, dá para manter em dias a prestação da motocicleta, comprada há dois anos, além de "pagar outras continhas". Apesar do sucesso nas vendas, o casal confidencia outros planos para 2017. "É duro trabalhar o dia todo no sol, desgasta e não temos nenhuma segurança, já que não há carteira assinada", reconhece Maria. "Torço para que as coisas no Brasil melhorem e a gente consiga um emprego", finaliza. Orlando compartilha a opinião e diz que pretende abrir seu negócio.

"Desde que comecei a vender água, há dois anos, perdi 13Kg. É um trabalho exaustivo. A gente tem que correr e não pode nem pensar em ir pra casa na hora do almoço, pois é nesse horário que mais vendemos", conta.

A taxa de desemprego no Brasil, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), subiu para 11,8% no trimestre encerrado em agosto. Segundo a pesquisa, mais de 12 milhões estão desocupadas no País. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), este ano encerrará com previsão pior que a traçada no início de 2016 e o Brasil deve fechar 2016 com 11,2% de desempregados.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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