Bárbara de Alencar ganhará memorial em Campos Sales

A heroína Bárbara Pereira de Alencar ganhará um memorial na cidade de Campos Sales, onde seus restos mortais estão enterrados. O equipamento, sediado na centenária casa Paroquial Nossa Senhora da Penha, onde funcionava a Secretaria de Assuntos para Juventude, Cultura, Lazer e Turismo, vai se dedicar a contar a história da revolucionária pernambucana e também do município cearense. A expectativa é que seja aberto no dia 29 de julho, aniversário da cidade.  

Batizado de Casarão da Memória Bárbara Pereira de Alencar, além da memória da própria heroína, o espaço também terá, ao todo, 15 salas, divididas em temas como a história da paróquia, política, artesanato, cultura popular, objetos raros, acervo de fotografias antigas da cidade, entre outros setores.

O artista plástico Reginaldo Guilherme, já falecido, também será homenageado no equipamento. Cada uma terá um guia, responsável por apresentá-las e fazer intercâmbio com instituições de ensino e cidades vizinhas.  

De acordo com a secretária de Assuntos para Juventude, Cultura, Lazer e Turismo, Elionete Leite, o memorial será aberto pela “admiração a esta mulher guerreira, de destaque no nosso país e que tentou fazer o máximo para melhorar a vida das pessoas”, reforça.

Outra preocupação, na avaliação da gestora, é que muitos jovens não conhecem a história de Campos Sales e seus patrimônios, como o Boqueirão e o recém-inaugurado Mirante de Nossa Senhora da Penha. “Precisam conhecer a admirar sua história”, justifica.  

A inauguração do equipamento em homenagem à pernambucana é apenas mais uma que atende a uma série de leis aprovadas para perpetuar sua memória na cidade onde está enterrada. A primeira veio da mudança da denominação da Rua Presidente Kennedy para Rua Bárbara de Alencar. Antes disso, a criação do prêmio cultural como medalha em seu nome e a implantação da Semana de Arte e Cultura Bárbara Pereira de Alencar. A heroína também recebeu o Título de Cidadão Campossalense.  

Antes da abertura, foram mapeadas famílias e instituições que pudessem contribuir com relíquias para serem doadas e expostas ao Memorial. Da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, foram entregues, por exemplo, a primeira pia batismal, onde ilustres moradores foram batizados, e o órgão da igreja, seu primeiro instrumento musical.

Também foi resgatada a primeira pedra fundamental que sinalizava o túmulo de Bárbara de Alencar, homenagem antiga do Instituto Cultural do Cariri (ICC). “Todos esses bens serão tombados. Toda família que doar terá um cadastro junto ao Casarão da Memória”, adverte a secretária. 

Trajetória 
Heroína Revolução Pernambucana de 1817, avó do escritor José de Alencar, Bárbara Pereira de Alencar, nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu (PE). Ainda jovem, se mudou para o Crato, no Cariri cearense, onde casou com José Martiniano e trabalhava como comerciante. No Ceará, foi uma das lideranças do movimento emancipacionista que lutava pela separação do Brasil de Portugal.  

Por causa de sua participação na luta de 1817, foi presa e torturada em uma das celas da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção. Na cadeia subterrânea passou três anos sob o regime de trabalho forçado. Por isso, é considerada a primeira prisioneira política do Brasil.   

Bárbara esteve ainda na chamada Confederação do Equador, movimento separatista e republicano que proclamou a independência de algumas províncias do restante do país, que teve como algumas das lideranças seus filhos José Martiniano Pereira de Alencar e Tristão Gonçalves.

Sua luta foi reconhecida pela Lei 13.056 de 22 de dezembro de 2014, com o seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. 

Enterro em Campos Sales foi por acaso 
Com a rebelião de Pinto Madeira, grande inimigo da família Alencar, eclodindo em 1831, Bárbara de Alencar fugiu de Crato e, com apoio do Coronel Manoel de Barros Cavalcante fugiu para Brejo Grande — atual Santana do Cariri. Segundo o advogado e pesquisador Heitor Feitosa, de lá, ela partiu para o extremo do Ceará, onde já morava sua filha, Joaquina. 

Já com idade avançada, ela morreu aos 72 anos na sua Fazenda Alecrim, município de Fronteiras (PI), também chamada de Fazenda Trevo ou Touro. “Como houve um desmembramento da fazenda, há essa divergência no nome”, explica Heitor. Como a igreja mais próxima era a Capela de Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Itaguá, seu corpo foi enterrado em Campos Sales, onde permanece até hoje.  

Chegada dos Alencar ao Brasil 
Do outro lado do Oceano Atlântico, na região do Minho, em Portugal, vieram os irmãos Leonel de Alencar Rego, João Francisco, Alenxandre e Marta. O primeiro se instalou no alto do vale do Rio Brígida, na fazenda Cayssara – atual Caiçara - , em Exu, no ano de 1709. Os demais, tomaram outros rumos do Ceará e Piauí. Conta-se que Leonel chegou ao sertão pernambucano por causa da descrição feita por vaqueiros de um lugar rico em vegetação, muita água e clima agradável. E por lá ficou.  

Seu filho, Joaquim Pereira de Alencar, comandou a expansão das terras da fazenda que, na época, abrangia territórios que hoje são de municípios vizinhos como Granito e Bodocó. Foi no Caiçara que no dia 11 de fevereiro de 1760 nasceu sua filha, Bárbara Pereira de Alencar. 

Equipamento semelhante em Exu  
E lá no Sítio Caiçara, a 13 km da sede de Exu, continua erguida a casa construída início do Século XVIII, de Leonel de Alencar Rego, avô de Bárbara, onde a heroína nasceu. Tudo isso graças ao apoio dos descendentes da família “Alencar”, tendo à frente, principalmente, a professora aposentada Maria Amparo Alencar. Ela foi responsável por arrecadar o dinheiro para reconstruir o imóvel em 1995.  

“Eu tive fora de Exu seis anos. Deixei a casa de pé. Depois ela tinha ruído e só tinha as paredes externas. Tinha o piso, conseguiram tirar umas madeiras e telhas e guardaram. Olhei e vi que tinha possibilidade de ser recuperada. Reuni o pessoal que quis e a história se espalhou com muita aceitação. Dentro de um ano colocou de pé do jeito que está hoje”, descreve Amparo.

Ele acrescenta que foram necessários sete tipos de tijolos para reconstruir o mais próximo da arquitetura original. Hoje, na casa que nasceu Bárbara de Alencar foi criado um museu para dar vida ao espaço e, com um valor de R$ 5 por visitante, ajuda a preservar o imóvel.  

Por Antonio Rodrigues

Fonte: Diário do Nordeste

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