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Cidades do Interior do CE lutam para conter aumento de arboviroses

O Ceará enfrenta um quadro de epidemia de chikungunya, uma das arboviroses que se alastram ao lado da dengue e da zika, neste ano nos municípios do Estado. Já são 26 mortes por chikungunya, segundo registro da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) até a semana passada. O órgão enfatiza a necessidade de redobrar atenção no processo de vigilância, fazer adequado manejo clínico dos pacientes e intensificar ação de controle vetorial (mosquito).

As arboviroses são transmitidas por um mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. Os dados históricos mostram que a cada início de ano, que coincide com o período chuvoso, há um aumento no número de notificações e confirmações dessas doenças. Neste ano, o pico, de acordo com o boletim epidemiológico da Sesa, ocorreu em meados de março passado. Entretanto, a chikungunya continua de forma crescente e significativa.

Problema crônico
O prefeito de Cedro e vice-presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Nilson Diniz, desta a cronicidade do problema. "A presença do mosquito em nosso meio já vem de algum tempo e, na época das chuvas, o número de casos cresce, mas depois diminui e há um relaxamento das ações de controle ao vetor. Isso é uma postura errada", frisou.

O gestor observou que, neste ano, a dengue tem tido menor incidência por uma questão simples. A doença chegou ao Ceará há 30 anos. A Sesa notificou casos da doença em 1986. "Os quatro vírus permanecem circulantes, por isso muitos estão imunes", destacou.

"Neste ano, o vilão é a chikungunya", disse o gestor municipal. A cronicidade do problema, a perda de ritmo nas ações de controle e combate aos vetores e a descontinuidade das ações administrativas nos municípios contribuem para a ocorrência de ciclos anuais das arboviroses. Neste ano, houve um agravante. Em outubro de 2016, foram realizadas eleições municipais e a maioria dos gestores não foi reeleito ou não elegeu o sucessor.

O resultado direto do elevado índice de renovação das gestões municipais foi a paralisação das ações no último trimestre de 2016 e a demorada na retomada do trabalho de combate ao Aedes aegypti no início de 2017 pelas novas administrações. "Precisamos de um trabalho contínuo, que envolva todas as secretarias, agentes de endemias, de saúde, garis e a população, com ações de combate e educativas", frisou Diniz.

Três ações básicas
O prefeito de Cedro sugere três ações básicas: diagnóstico da realidade e identificação dos focos; definir estratégia de trabalho; formar um grupo de combate à parte para atuar no que denomina 'foco no foco', isto é, realizar visitas semanais nos imóveis onde foi detectada presença do mosquito. "Cada município tem uma realidade peculiar, não há uma receita única, pronta", disse Diniz. "O importante é o diagnóstico e a estratégia de trabalho", completou.

O ciclo reprodutivo do vetor é de sete dias e a demora em realizar as visitas domiciliares favorece o crescimento de casos de arboviroses. Em Cedro, por exemplo, de um total de 8.700 imóveis, havia cem com infestação. "Formamos um grupo à parte e fizemos o acompanhamento por três semanas seguidas, com visita em intervalo de cinco dias. Hoje temos menos de cinco casos positivos", disse Diniz.

Além dos três passos básicos, Nilson Diniz afirma que é fundamental o apoio da gestão municipal para a equipe de endemias, fornecendo boas condições de trabalho, pagamento de hora-extra aos agentes e equipamentos individuais. Cedro, no mais recente boletim epidemiológico, apresentou cinco casos confirmados de chikungunya e nenhum de dengue e zika. O índice de infestação predial é de 3,26%, quando o recomendado pelo Ministério da Saúde é inferior a 1%. "Temos problema de abastecimento de água e nas casas há reservatórios, que se transformam em focos do vetor", justificou o prefeito.

Maiores índices
Sem incluir os municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), Acarape, General Sampaio, Iguatu, Jaguaribara e Milagres esteve entre os municípios com as maiores incidências de dengue e chinkungunya do Brasil. Os números são relativos ao período de janeiro a maio deste ano, segundo informações do Ministério da Saúde. General Sampaio, com 3.856 casos por 100 mil habitantes, liderava o ranking nacional.

Na região Centro-Sul, após Catarina registrar quadro de epidemia de chikungunya, os casos da doença se espalharam por outros municípios. Catarina ainda lidera o ranking regional com índice incidência de 5.792, por 100 mil habitantes, seguido de Acopiara (2.663), Piquet Carneiro (2.433) e Iguatu (1.604).

O secretário de Saúde de Iguatu, Marcelo Sobreira, frisou que as ações de controle e combate ao mosquito foram reforçadas com uso de carro fumacê e intensificação das visitas domiciliares dos agentes de endemias. O gestor frisou que o índice de infestação predial é de apenas 0,6%. "O nosso esforço é para diminuir os casos e acreditamos que, com o apoio da população, vamos vencer essa luta", afirmou o secretário.

Na lista dos municípios cearenses com maior índice de infestação e notificações de casos de arboviroses registrados pelo Boletim Epidemiológico da Sesa, Reriutaba, na região Norte, contabiliza, neste mês de junho 1.015 notificações. No geral, cerca de 70% dos resultados obtidos têm sido para chikungunya, sendo, o restante (30%), para resultados inconclusivos, tanto para essa doença, quanto para dengue.

De acordo com o levantamento feito pela Secretaria da Saúde de Reriutaba, de janeiro a abril deste ano, a média mensal de notificações para as arboviroses era de 450. Em maio, esse número subiu para pouco mais de 500; alcançando, neste mês, índices assustadores.

Segundo o coordenador da Vigilância Sanitária do Município, Jailson Moreira, Reriutaba, que possui cerca de 19.455 habitantes, um hospital de pequeno porte, nove unidades básicas de saúde e 19 agentes de endemias, tem trabalhado intensamente para diminuir os números. "Ainda aguardamos o resultado da sorologia das últimas notificações, mas continuamos com ações variadas, com apoio de mutirões, buscando envolver mais ainda a população", disse.

Moreira destacou a série de ações em andamento na prevenção e combate aos focos do mosquito: visitas domiciliares dos agentes, com orientação; o controle biológico, com peixamento nos reservatórios de água, além da notificação, do próprio morador, para que tome providências, se detectada a infestação em seu terreno. "Após 15 dias, se nada mudar, o morador será denunciado ao Ministério Público, sobre o problema, tendo em vista que 80% dessas infestações são prediais", alertou.

Uruoca (2.352/100.000 habitantes), que aparece no boletim, entre os 11 municípios em situação crítica, divide espaço com Tejuçuoca (2.624,4) e São Gonçalo do Amarante (2.623,9), ambos da região Norte. Por lá, os cerca de 13 mil habitantes têm recebido visitas domiciliares das equipes de Saúde, num trabalho que abrange a zona rural, com seus dois distritos.

Para cada dez casos notificados, oito são provenientes de infestações adquiridas nas próprias residências, daí a participação do carro fumacê com cobertura de três ciclos (intervalo de uma semana para a outra). "Também utilizamos o controle químico com bombas costais, além das ações de educação, prevenção e orientação quanto ao combate ao mosquito", explicou a enfermeira Ione de Souza Silveira. Em Uruoca, há o projeto "Sexta-Feira Sem Mosquito", no qual todas as ações de saúde se concentram em um esforço para tentar baixar os índices de infestação predial.

Retrocesso
Pedra Branca, no Sertão Central, é um exemplo da perda de continuidade das ações com combate ao Aedes aegypti. A implantação de uma metodologia exitosa trouxe resultados surpreendentes. A piaba-rabo-de-fogo, peixe bastante conhecido na região, passou a ser colocado nas caixas d'água, cisternas e outros depósitos de grande porte, se encarregando de devorar toda larva em água depositada. Associada a outras ações como a utilização do gesso para fixação das telas de proteção nas caixas d'água, os índices de infestação zeraram, e foram mantidos.

A iniciativa chamou a atenção de técnicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A Prefeitura montou uma estrutura com laboratório, piscicultura, equipe de monitoramento, e um grupo formado por 33 agentes de endemias. Também foram instaladas armadilhas para se verificar possível colocação de larvas, além de um trabalho educativo.

A administração foi derrotada nas eleições de outubro passado e, nos três últimos meses, a estrutura foi desmontada. Neste ano, os índices se elevarem novamente. Conforme o último boletim epidemiológico, o índice de infestação predial em Pedra Branca hoje é de 5,7%.

A secretária de Saúde de Pedra Branca, Tânia Parente, confirmou a elevação dos índices de infestação e atribuiu ao desmonte do trabalho no fim de 2016. "Reestruturamos o projeto de combate ao Aedes aegypti iniciado em 2004 que se tornou exemplo nacional e criamos o Comitê de Combate e Brigadas nas instituições públicas".

HONÓRIO BARBOSA
COLABORADOR E SUCURSAIS

Fonte: Diário do Nordeste

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