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Memória em alerta: quando o esquecimento deixa de ser normal e pode indicar doença neurológica

Esquecer uma palavra, perder um compromisso ou não lembrar onde deixou um objeto são situações comuns do dia a dia — e, muitas vezes, fazem parte do processo natural de envelhecimento. No entanto, quando esses episódios se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, podem indicar algo mais sério.

Segundo especialistas, envelhecer não significa, necessariamente, perder a memória. O que deve ser observado é a intensidade, a repetição e o impacto desses lapsos na vida pessoal, profissional e social.

De acordo com o neurocirurgião Renato Albuquerque, o esquecimento ocasional é esperado, mas a persistência dos sintomas exige investigação.

“Existe uma diferença clara entre o esquecimento benigno do envelhecimento e os sinais iniciais de uma doença neurodegenerativa. Quando a pessoa passa a depender de anotações para tudo, perde autonomia e apresenta mudanças de comportamento, isso já acende um sinal de alerta”, explica ao Blog Cariri.

🚨 10 sinais de alerta para doenças neurodegenerativas
Especialistas apontam alguns sintomas que podem indicar comprometimento cognitivo mais sério:

  1. Dificuldade de guardar informações recentes, como datas e eventos;
  2. Perda de rendimento em tarefas habituais, especialmente com números;
  3. Desorientação no tempo e no espaço;
  4. Alterações visuais que dificultam a percepção de cores e profundidade;
  5. Dificuldade para encontrar palavras ou nomear objetos;
  6. Esquecer com frequência onde deixou objetos e criar justificativas irreais;
  7. Falhas no manejo do dinheiro;
  8. Descuido com higiene pessoal ou alimentação;
  9. Isolamento social e afastamento de atividades antes prazerosas;
  10. Mudanças de humor e personalidade, como irritabilidade ou apatia.

As principais doenças associadas a esses sinais são as demências, especialmente o Alzheimer, a demência vascular e a doença de Parkinson.

“As manifestações iniciais são, muitas vezes, sutis e podem passar despercebidas. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar a progressão dos sintomas”, destaca o neurocirurgião.

🏥 Quando procurar avaliação médica
A memória é dividida em curto e longo prazo, e nem toda falha é sinal de doença. Estresse, sono ruim, ansiedade e depressão também afetam a capacidade cognitiva.

Mesmo assim, é recomendado buscar um especialista quando:

  • Os sintomas se repetem e interferem na rotina;
  • Familiares percebem mudanças de comportamento;
  • Há histórico familiar de doenças neurodegenerativas.

“Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que estão com Alzheimer, quando, na verdade, estão com distúrbios de sono ou transtornos de humor. A avaliação médica é essencial para diferenciar”, afirma Renato.

🛡️ Como prevenir o declínio cognitivo
Embora algumas doenças tenham fator genético, hábitos de vida exercem forte influência na saúde cerebral. Entre os principais fatores de risco estão:

  • Sedentarismo;
  • Alimentação inadequada;
  • Estresse constante;
  • Privação de sono;
  • Isolamento social;
  • Tabagismo e consumo de álcool.

“O cérebro precisa ser estimulado. Ler, estudar, socializar, praticar exercícios físicos e manter uma alimentação equilibrada são formas comprovadas de proteção cognitiva”, orienta o especialista.

🧩 A importância da reserva cognitiva
Um conceito cada vez mais valorizado pela neurologia é o da reserva cognitiva, que representa a capacidade do cérebro de compensar perdas ao longo do tempo.

“A reserva cognitiva funciona como uma poupança cerebral. Quanto mais você estimula o cérebro ao longo da vida, mais recursos ele terá para enfrentar processos degenerativos no futuro”, explica o neurocirurgião.

Segundo ele, pessoas com maior nível de escolaridade, vida social ativa e hábitos intelectuais tendem a apresentar sintomas mais tarde e de forma menos agressiva.

Mesmo sem cura para muitas doenças neurodegenerativas, o diagnóstico precoce e a adoção de hábitos saudáveis podem garantir mais autonomia, qualidade de vida e bem-estar ao longo do envelhecimento.

Por Fernando Átila

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