Para os foliões que encaram o Carnaval como uma oportunidade de conhecer novas pessoas, beijar na boca e até se envolver em relações mais íntimas, a orientação dos especialistas é clara: além da diversão, é fundamental adotar cuidados para prevenir as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Segundo a médica infectologista Mariana Albuquerque, o período carnavalesco costuma ser marcado por aumento nos casos de exposição a situações de risco. “O Carnaval é um momento de maior interação social e, muitas vezes, de redução da percepção de perigo. Por isso, é justamente nessa época que precisamos reforçar a prevenção”, alerta.
A principal recomendação é realizar testes antes mesmo do início da folia. A testagem permite identificar precocemente possíveis infecções e iniciar o tratamento adequado, além de reduzir a transmissão.
“Fazer o teste é um ato de cuidado consigo e com o outro. Muitas ISTs são silenciosas no início, e a pessoa pode transmitir sem saber”, explica a infectologista ao Blog Cariri.
Vacinas também são aliadas
Ainda no período pré-Carnaval, outro ponto essencial é manter o cartão de vacinação atualizado. Algumas infecções que podem ser transmitidas durante a relação sexual, como hepatite A, hepatite B e o vírus HPV, possuem vacinas disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos específicos.
De acordo com Mariana, a imunização é uma das estratégias mais eficazes de proteção. “A vacina é uma forma segura e duradoura de prevenção. Muita gente esquece que hepatite e HPV também podem ser transmitidos pelo contato sexual”, destaca.
Camisinha continua sendo indispensável
Na chamada “hora H”, a principal aliada contra as ISTs continua sendo a camisinha. Ela pode ser externa — a mais conhecida — ou interna, indicada principalmente para mulheres. Ambas são distribuídas gratuitamente na rede pública de saúde.
A recomendação é que os foliões já saiam de casa com preservativos, evitando depender da disponibilidade nos locais de festa.
“A camisinha ainda é o método mais eficaz para prevenir a maioria das ISTs. Não importa se é uma relação casual ou fixa, ela deve ser usada sempre”, reforça.
Além disso, especialistas alertam para o uso correto de lubrificantes, preferencialmente à base de água, e para a moderação no consumo de álcool e outras drogas, que podem reduzir a percepção de risco.
“O álcool e outras substâncias diminuem o senso crítico. A pessoa acaba se expondo mais, esquece a camisinha ou aceita situações que normalmente não aceitaria”, explica a médica.
Outro recurso importante são os protocolos de prevenção medicamentosa. A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é indicada para pessoas que têm maior risco de exposição ao HIV e consiste no uso contínuo de medicamentos. Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) deve ser utilizada em até 72 horas após uma possível exposição ao vírus, como em casos de relação sem preservativo.
“Essas estratégias são muito importantes, principalmente para quem tem múltiplos parceiros ou sabe que pode se expor. A PrEP reduz drasticamente o risco de infecção pelo HIV, e a PEP é uma emergência que não pode ser ignorada”, ressalta Mariana.
Onde buscar os serviços
Testes rápidos, vacinas, preservativos, lubrificantes, PrEP e PEP estão disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde, em hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
A orientação é que a população procure uma unidade antes do Carnaval para garantir todos os insumos necessários, como preservativos e testes rápidos — que, inclusive, podem ser levados para casa.
“A prevenção começa antes da festa. Se a pessoa se organiza, se informa e se protege, ela consegue curtir o Carnaval com muito mais tranquilidade e segurança”, conclui a médica.
Por Aline Dantas


Nenhum comentário:
Postar um comentário