Uma descoberta envolvendo um dinossauro que viveu há aproximadamente 115 milhões de anos na região da Chapada do Araripe está trazendo novas informações sobre a preservação de componentes biológicos ao longo do tempo. Cientistas identificaram moléculas derivadas do heme, substância relacionada à hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no organismo, em um fóssil do Aratasaurus museunacionali.
O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e também revelou estruturas mineralizadas com características semelhantes às dos glóbulos vermelhos do sangue. A investigação reuniu pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de instituições estrangeiras.
🧬 Análises revelaram compostos preservados no fóssil
Entre as substâncias identificadas estão o heme B e um composto derivado denominado 3,8-dietil heme B. Os pesquisadores também observaram estruturas microscópicas mineralizadas que apresentam semelhanças com as hemácias, células responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo organismo.
Os cientistas destacam que os resultados precisam ser interpretados com cuidado: não foram encontradas células sanguíneas intactas no material. As estruturas apresentam características semelhantes às hemácias, enquanto as análises químicas identificaram moléculas derivadas do heme.
A descoberta amplia as possibilidades de investigação de fósseis antigos, permitindo que os pesquisadores estudem não apenas a anatomia dos animais, mas também vestígios de sua composição biológica.
Alexander Kellner, pesquisador do Museu Nacional/UFRJ, ressaltou a importância da identificação desses componentes para o conhecimento sobre a preservação de materiais biológicos ao longo de milhões de anos.
“Encontrar vestígios bioquímicos associados a componentes biológicos em um fóssil de mais de 100 milhões de anos nos ajuda a ampliar nossa compreensão sobre o que pode ser preservado ao longo do tempo. É uma oportunidade de investigar a história desses animais para além dos ossos e de suas características anatômicas”, afirmou.
🦖 Dinossauro foi descoberto em Santana do Cariri
O Aratasaurus museunacionali pertence ao grupo dos terópodes, que reúne diferentes espécies de dinossauros, incluindo numerosos animais carnívoros. Seu esqueleto foi encontrado em 2008, no município de Santana do Cariri, e contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a diversidade de dinossauros que habitaram o território brasileiro durante o período Cretáceo.
Para Renan Bantim, pesquisador da URCA, a descoberta reforça a importância dos achados paleontológicos da região e sua contribuição para a ciência.
“Contribuiu para ampliar o conhecimento sobre os dinossauros que habitaram o Brasil durante o período Cretáceo, colocando novamente os fósseis da nossa região no mapa mundial da paleontologia”, ressaltou.
A investigação não se limitou à análise dos ossos fossilizados. Os cientistas examinaram estruturas microscópicas e utilizaram técnicas químicas para identificar substâncias preservadas no material, buscando informações adicionais sobre a composição biológica do animal.
O trabalho envolveu especialistas em paleontologia, geologia e química, demonstrando a importância da integração entre diferentes campos científicos para estudar vestígios de organismos que viveram há milhões de anos.
Embora tenha contado com a participação de instituições brasileiras, a pesquisa foi liderada pela cientista australiana Kliti Grice, professora da Universidade Curtin.
Antônio Álamo Feitosa Saraiva, pesquisador da URCA, destacou que a cooperação internacional permite reunir conhecimentos e métodos de investigação capazes de ampliar as informações extraídas de fósseis já conhecidos.
“Pesquisas como esta mostram a importância de integrar diferentes áreas do conhecimento para responder a questões complexas sobre a história da vida na Terra. A colaboração entre instituições brasileiras e estrangeiras permite combinar conhecimentos e técnicas para extrair novas informações de materiais que já fazem parte do nosso patrimônio científico”, destacou.



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