Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 colocam novamente a educação brasileira diante de um cenário de desafios. Divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o levantamento mostra que os estudantes brasileiros de 15 anos ficaram abaixo da média internacional em matemática, ciências e leitura.
Na edição de 2025, participaram estudantes de 89 países e economias. No Brasil, a pontuação média foi de 377 pontos em matemática, 409 em ciências e 408 em leitura.
As médias da OCDE foram de 463 pontos em matemática, 482 em ciências e 463 em leitura.
O resultado colocou o Brasil na 71ª posição em matemática, 67ª em ciências e 52ª em leitura.
➗ Matemática é o maior ponto de atenção
Entre as três áreas avaliadas, matemática apresentou o resultado mais baixo para os estudantes brasileiros.
Apenas 28% dos alunos alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar básico da avaliação. Na média da OCDE, esse percentual chega a 65%.
Na prática, o resultado indica que aproximadamente sete em cada dez estudantes brasileiros não atingiram o nível básico de desempenho em matemática.
Entre as habilidades relacionadas ao nível 2 está a capacidade de interpretar e reconhecer, sem instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente.
O desempenho de alto nível também foi muito reduzido. Enquanto a média da OCDE chega a 8% dos estudantes nos níveis 5 ou 6, o Brasil teve percentual próximo de zero.
🔬 Desempenho em ciências também preocupa
Em ciências, 48% dos estudantes brasileiros chegaram ao nível 2 ou superior, contra 74% na média da OCDE.
Isso significa que mais da metade dos jovens avaliados não alcançou o nível básico esperado na área.
Entre as competências avaliadas estão a capacidade de reconhecer explicações corretas para fenômenos científicos familiares e utilizar conhecimentos científicos para avaliar se determinada conclusão é válida.
O grupo de alto desempenho também foi pequeno: apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiu os níveis 5 ou 6, enquanto a média da OCDE é de 7%.
📖 Leitura apresenta resultado um pouco melhor
Na avaliação de leitura, o Brasil registrou 408 pontos, contra 463 da média da OCDE.
Ao todo, 49% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, enquanto o percentual médio entre os países da OCDE foi de 69%.
Entre as dificuldades identificadas está a capacidade de identificar a ideia principal de um texto de comprimento moderado.
Nos níveis mais altos de desempenho, o Brasil também apresentou percentual baixo. Apenas 1% dos estudantes brasileiros alcançou os níveis 5 ou 6, contra 6% na média da OCDE.
📊 Brasil praticamente repete desempenho de 2022
Apesar dos resultados baixos, as pontuações brasileiras ficaram próximas das registradas na edição anterior.
Em 2022, o Brasil obteve:
- Matemática: 379 pontos
- Ciências: 403 pontos
- Leitura: 410 pontos
Em 2025, foram 377 pontos em matemática, 409 em ciências e 408 em leitura.
Os números indicam pequenas oscilações entre uma edição e outra, sem uma mudança significativa no desempenho médio dos estudantes brasileiros.
🌎 País fica no meio do cenário latino-americano
Na comparação com outros países da América Latina, o Brasil apresentou desempenho intermediário.
O país ficou atrás de Uruguai, Chile, Costa Rica, Colômbia e México, mas superou Peru, Equador, Argentina, El Salvador e Paraguai.
Em matemática, o Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia.
Já em leitura, o desempenho brasileiro foi relativamente melhor no contexto regional, ficando atrás somente de Chile e Uruguai.
Nenhum dos países latino-americanos participantes alcançou a média geral da OCDE nas principais áreas avaliadas.
🇸🇬 Países asiáticos lideram avaliação
Os melhores resultados do Pisa 2025 ficaram concentrados em países e economias asiáticas.
As jurisdições chinesas de Beijing, Shanghai, Jiangsu e Zhejiang, consideradas juntas na participação do exame, e Singapura aparecem entre os melhores desempenhos nas três áreas.
Também se destacaram Estônia, Japão, Coreia do Sul, Macao (China), Taipei Chinesa e Reino Unido.
O desempenho desses participantes contrasta com os resultados brasileiros, especialmente nos níveis básicos de proficiência.
📉 Média da OCDE também recua
O desempenho do Brasil precisa ser observado dentro de um contexto internacional mais amplo.
Segundo o relatório, a média da OCDE em 2025 foi a mais baixa já registrada nas três principais áreas do Pisa.
Isso mostra que as dificuldades educacionais não atingem exclusivamente países com resultados mais baixos. Sistemas educacionais de diferentes regiões também enfrentam desafios relacionados à aprendizagem.
🤖 Inteligência artificial entra no debate sobre leitura
O Pisa 2025 também chama atenção para uma transformação no modo como os estudantes consomem informação.
O relatório identificou um declínio em habilidades importantes de leitura, como avaliar informações, estabelecer conexões entre conteúdos de diferentes fontes e exercer pensamento crítico.
Ao mesmo tempo, a chamada leitura apressada praticamente dobrou em relação a 2018.
O fenômeno ganha ainda mais importância diante da expansão do uso de tecnologias digitais e da inteligência artificial, que mudaram a forma como estudantes acessam, selecionam e processam informações.

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