STF autoriza investigação da PF sobre recursos destinados ao filme que retrata Jair Bolsonaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a investigar os repasses financeiros realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse", obra que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão permite que a PF apure o destino dos valores destinados ao projeto cinematográfico e faz parte de um inquérito que também envolve desdobramentos relacionados ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

🔎 Investigação foi ampliada após pedido ao STF
A apuração tem origem em um pedido de ampliação do escopo da investigação que, em 26 de maio deste ano, foi encaminhado pelo ministro Alexandre de Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.

Na ocasião, Moraes mencionou a ligação de Eduardo Bolsonaro com as negociações envolvendo a produção de "Dark Horse", cinebiografia inspirada na vida do ex-presidente.

O pedido de ampliação foi apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou ao STF autorização para incluir, tanto no aspecto objetivo quanto subjetivo da investigação, o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

🎬 Eduardo Bolsonaro atuou na produção do filme
De acordo com as investigações, Eduardo Bolsonaro exerceu a função de produtor-executivo do filme.

Apurações divulgadas anteriormente apontaram que ele atuava na captação de recursos para a produção e participava das decisões relacionadas ao projeto, inclusive em questões financeiras.

Em declarações públicas feitas anteriormente, Eduardo afirmou que o pedido de apoio financeiro apresentado a Daniel Vorcaro tinha como único objetivo viabilizar a produção do filme e negou a existência de qualquer irregularidade.

📄 PGR considerou haver elementos para investigação
Antes de autorizar a medida, André Mendonça solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu que havia elementos suficientes para justificar a abertura da investigação, posicionamento que antecedeu a decisão do ministro do STF.

💰 Ex-deputado admitiu investimento próprio
Após reportagens sobre o financiamento da produção, Eduardo Bolsonaro afirmou inicialmente que apenas havia cedido os direitos de imagem relacionados ao pai e que não exercia função de gestão no projeto.

Posteriormente, em pronunciamento divulgado nas redes sociais, declarou ter investido US$ 50 mil de recursos próprios, provenientes do curso "Ação Conservadora", para garantir o contrato inicial de dois anos com um diretor de Hollywood responsável pelo desenvolvimento do roteiro do filme.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e teve o mandato de deputado federal cassado.

Por Pedro Villela, de Brasília

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