A utilização de inteligência artificial durante a Expocrato 2026 resultou na prisão de 19 foragidos da Justiça entre os dias 11 e 19 de julho, no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, em Crato. Os dados foram divulgados pela empresa de tecnologia em segurança pública Pax, responsável pela implantação da ferramenta durante o evento.
A operação marcou a primeira atuação da empresa no Ceará, por meio de um projeto-piloto desenvolvido em parceria com o Governo do Estado. A iniciativa foi realizada com base em um acordo de cooperação técnica não oneroso, permitindo a avaliação da tecnologia em apoio às forças de segurança pública.
🤖 Sistema identificou procurados por diversos crimes
Segundo a Pax, a plataforma de inteligência artificial contribuiu para localizar pessoas com mandados de prisão em aberto por crimes como roubo, furto, organização criminosa e invasão de domicílio.
Entre os casos registrados durante a Expocrato, está a captura de um homem procurado pela Justiça desde 2013 por roubo à mão armada.
A empresa informou ainda que, em uma das ocorrências, a tecnologia conseguiu identificar um foragido mesmo após mudanças significativas em sua aparência física em relação à fotografia disponível nos bancos de dados das forças de segurança. Após o alerta emitido pelo sistema, a correspondência foi analisada pelos policiais, que confirmaram a identidade durante a abordagem.
👮 Tecnologia atua como apoio ao trabalho policial
A plataforma desenvolvida pela Pax utiliza visão computacional e inteligência artificial para analisar, em tempo real, as imagens captadas pelas câmeras já instaladas no evento.
De acordo com a empresa, a tecnologia amplia a capacidade de monitoramento das equipes policiais ao fornecer informações que auxiliam na localização de pessoas procuradas pela Justiça.
A abordagem, a conferência da identidade dos suspeitos e o eventual cumprimento de mandados de prisão permanecem sob responsabilidade exclusiva das forças de segurança.
A assessora jurídica da Expocrato, Suellem Fortaleza, afirmou que a utilização da ferramenta ocorreu de forma integrada ao esquema de segurança da feira, sem interferir na experiência do público.
"Para nós, é um orgulho que a Expocrato tenha sido palco dessa experiência com tecnologia de ponta. Quem veio à festa talvez nem tenha percebido, e é exatamente essa a beleza: uma segurança que funciona de forma discreta e eficiente, para que as famílias se divirtam com ainda mais tranquilidade."
Já o cofundador e diretor de operações (COO) da Pax, Fernando Czapski, destacou o potencial da inteligência artificial no combate à criminalidade.
"A inteligência artificial tem potencial para ser o maior avanço tecnológico para o trabalho policial desde a introdução do DNA nas investigações. Os resultados comprovam que a IA já é uma ferramenta estratégica no combate ao crime."
A empresa informou ainda que a plataforma utiliza tecnologia nacional e realiza o processamento das informações em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
⚖️ Ministério Público destaca avanço no combate à impunidade
Para o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), Thiago Marques Vieira, a utilização da inteligência artificial representa um avanço importante nas investigações e no cumprimento de mandados judiciais.
"O que essa ferramenta inaugura é um novo capítulo para a investigação: mandados de prisão que aguardavam cumprimento há anos saíram do papel em poucos dias. E o fez dentro da lei, com decisão humana em cada etapa e registros rastreáveis — exatamente o que se espera de uma tecnologia a serviço da Justiça. É um passo concreto no enfrentamento da impunidade no Cariri."
📊 Tecnologia já contribuiu para milhares de investigações
A Pax informou que sua tecnologia teve a primeira implantação em larga escala no município de Luziânia (GO), quando ainda operava sob a marca Paladium.
Segundo a empresa, a ferramenta contribuiu para uma redução de 27% dos crimes violentos, ajudou a dobrar a taxa de elucidação de casos e elevou em 59% a percepção de segurança da população em seis meses.
Atualmente, a tecnologia está presente em mais de 50 cidades brasileiras e, somente em 2026, já auxiliou as forças de segurança na resolução de mais de 2.500 casos criminais, incluindo investigações relacionadas a homicídios, roubos e furtos de veículos.


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