O câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no mundo e no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que cerca de 53 mil novos casos devem ser registrados em 2026 no país. Especialistas alertam que boa parte dessas ocorrências está associada ao estilo de vida.
Com o avanço de hábitos como alimentação rica em produtos ultraprocessados, sedentarismo e consumo excessivo de álcool, o risco da doença tende a crescer. Durante o Março Azul-Marinho, mês dedicado à conscientização sobre o tema, médicos reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
O que é o câncer colorretal?
A doença se desenvolve no intestino grosso, que inclui o cólon e o reto — partes finais do sistema digestivo. Na maioria dos casos, começa a partir de pólipos, pequenas lesões que surgem na parede interna do intestino e que, ao longo do tempo, podem sofrer alterações e evoluir para câncer.
Nas fases iniciais, o câncer colorretal costuma ser silencioso, sem sintomas evidentes. Quando surgem sinais, eles podem incluir:
Alterações persistentes no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre);
- Presença de sangue nas fezes;
- Dor abdominal;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Perda de peso sem causa aparente.
Segundo o Inca, muitos casos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida e adesão ao rastreamento adequado.
⚠️ Cinco hábitos que aumentam o risco
Especialistas destacam comportamentos que elevam as chances de desenvolver a doença:
1️⃣ Consumo frequente de carne processada
Alimentos como salsicha, presunto, mortadela e linguiça são classificados como carcinogênicos pela International Agency for Research on Cancer. O consumo diário superior a 50 gramas pode aumentar em cerca de 18% o risco de câncer colorretal. Mesmo pequenas porções consumidas regularmente já representam impacto ao longo do tempo.
2️⃣ Dieta pobre em fibras
A ingestão insuficiente de fibras compromete o funcionamento intestinal e a saúde da microbiota. Estudos indicam que dietas ricas em frutas, verduras, legumes e grãos integrais estão associadas à redução do risco da doença, enquanto a baixa ingestão favorece alterações celulares no intestino.
3️⃣ Sedentarismo e obesidade
A falta de atividade física regular contribui para o ganho de peso e para processos inflamatórios crônicos no organismo, fatores ligados ao desenvolvimento de tumores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada. O excesso de gordura corporal também pode interferir em hormônios e estimular o crescimento de células tumorais.
4️⃣ Adiar exames preventivos
O receio ou a negligência em realizar exames como a colonoscopia pode atrasar o diagnóstico. O Inca orienta que o rastreamento comece a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco adicionais — e antes disso para quem tem histórico familiar.
A detecção precoce é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade, pois permite identificar e remover pólipos antes que evoluam para câncer.
5️⃣ Consumo excessivo de álcool
O consumo exagerado de bebidas alcoólicas também está associado ao aumento do risco. Mesmo níveis moderados podem elevar a probabilidade da doença entre 10% e 20%. Em consumo elevado, esse risco pode chegar a 40% ou 50%. A combinação com tabagismo, obesidade e dieta rica em carnes processadas potencializa ainda mais os efeitos negativos.
🛡️ Prevenção é o melhor caminho
Especialistas reforçam que adotar hábitos saudáveis é uma das principais formas de reduzir o risco de câncer colorretal. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle do peso corporal, moderação no consumo de álcool e realização periódica de exames são medidas fundamentais.
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido e de cura, reforçando a importância da conscientização e do acompanhamento médico regular.
Por Nágela Cosme

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