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Estudo da URCA aponta que caranguejo guajá-do-araripe pode estar criticamente ameaçado de extinção

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA) revelou que o guajá-do-araripe (Kingsleya attenboroughi), caranguejo de água doce exclusivo da Chapada do Araripe, pode estar criticamente ameaçado de extinção.

Descrita apenas em 2016, a espécie foi registrada em apenas quatro dos 27 corpos de água analisados dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) da região, o que acendeu um alerta entre os cientistas.

🌊 Habitat cada vez mais raro
De acordo com o levantamento, o caranguejo demonstra preferência por riachos mais largos, águas frias e substratos arenosos com presença de pedras — características ambientais que vêm se tornando raras.

Entre os principais impactos identificados estão:

  • canalização de nascentes;
  • presença de esgoto e lixo;
  • construções irregulares;
  • atividades agrícolas próximas aos cursos d’água.

Com área de ocupação estimada em apenas 0,75 km², a espécie se enquadra nos critérios de risco crítico estabelecidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Segundo os autores, a fragmentação dos ambientes aquáticos da chapada pode levar o guajá-do-araripe ao desaparecimento em poucas décadas.

🔬 Desafios da pesquisa em campo
A autora principal do estudo, Lucineide Lima, egressa do programa de pós-graduação em diversidade biológica e recursos naturais da URCA, relata que o trabalho foi desafiador e enriquecedor.

“Os desafios se deram nos momentos de coletas, pelo hábito noturno da espécie. Enriquecedor por conhecer aspectos da vida do caranguejo visíveis em campo, assim como o convívio com a comunidade dos sítios próximos aos locais de ocorrência e que nos deram apoio logístico para executar o estudo”, afirma.

⚠️ Poluentes e redução da vazão preocupam pesquisadores
O estudo aponta que o guajá-do-araripe está diretamente ligado à integridade da água dos riachos onde vive. Os dados indicam poluição antrópica e diminuição da vazão em decorrência de canalizações.

Comunidades do entorno utilizam a água desses corpos hídricos para:

  • irrigação de plantações;
  • dessedentação de animais;
  • atividades de lazer.

Para os pesquisadores, preservar a espécie significa também proteger os ecossistemas hídricos da chapada, fundamentais para a biodiversidade regional e para o abastecimento local.

O professor Carlos Eduardo Alencar alerta que a perda do crustáceo não representaria apenas o desaparecimento de uma espécie isolada. “Seria um sinal de que os ecossistemas aquáticos da região estão entrando em colapso”, afirma. Segundo ele, os dados sobre a integridade dos corpos d’água são alarmantes e novos estudos estão em desenvolvimento para ampliar a divulgação das informações e subsidiar a gestão ambiental.

🌎 Espécie criticamente em perigo
Com base nos critérios globais de conservação, a área extremamente reduzida de ocupação e a intensa pressão humana colocam o guajá-do-araripe na categoria “criticamente em perigo”, o nível mais alto antes da extinção na natureza.

A chapada do araripe é reconhecida por abrigar espécies únicas, como o Soldadinho-do-Araripe, além de desempenhar papel crucial na recarga hídrica da região.

O guajá-do-araripe surge, assim, como mais uma peça essencial desse mosaico ecológico — e um alerta de que ainda há tempo para agir. Segundo os pesquisadores, a janela para decisões eficazes de conservação está se fechando rapidamente.

Por Bárbara Antonelli

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