Fóssil de 120 milhões de anos encontrado no Cariri recebe nome em homenagem à Menina Benigna

A história da Menina Benigna, mártir cearense que se tornou a primeira beata do Estado, agora também integra registros da paleontologia. Uma nova espécie de araucária fóssil, que viveu há aproximadamente 120 milhões de anos, recebeu o nome científico de Araucaria benignae em homenagem a Benigna Cardoso da Silva, natural de Santana do Cariri.

O fóssil foi encontrado na região da Bacia do Araripe, em uma unidade geológica localizada nas proximidades de Nova Olinda, Santana do Cariri e Crato. O material que permitiu a identificação da nova espécie fazia parte de uma coleção de fósseis repatriados da França em 2024.

A descoberta envolveu pesquisadores e instituições do Brasil e da Alemanha, ampliando o conhecimento sobre as espécies de araucárias que existiram no território do Cariri durante o período do Cretáceo, quando a região apresentava características ambientais muito diferentes das atuais.

🌿 Uma homenagem que atravessa milhões de anos
O nome benignae é uma forma latina que significa “de Benigna” ou “dedicada a Benigna”.

A escolha presta homenagem a Benigna Cardoso da Silva, que nasceu e viveu em Santana do Cariri e foi assassinada aos 13 anos após recusar uma relação sexual com um rapaz.

A trajetória da jovem passou a ser associada à resistência contra o feminicídio e a violência contra crianças e adolescentes. Em 2022, Benigna foi beatificada pela Igreja Católica, tornando-se a primeira beata do Ceará e a quarta mártir brasileira reconhecida pela instituição.

Agora, seu nome também integra a nomenclatura científica de uma espécie que existiu milhões de anos antes de sua própria história.

🦴 Fóssil permanece em Santana do Cariri
O exemplar utilizado como referência para a descrição da nova espécie permanece no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

Segundo a Secretaria de Cultura, Turismo e Romarias do município, a permanência do material no território reforça a conexão entre a homenagem e a cidade onde Benigna nasceu e viveu.

“Além de levar o nome de Benigna para o universo científico, o próprio exemplar que representa a nova espécie permanece fisicamente ligado ao território onde a jovem nasceu e viveu”, informou a secretaria, em nota.

Dessa forma, o fóssil passa a desempenhar um papel duplo: contribuir para o estudo científico da flora do passado e carregar o nome de uma personagem que se tornou parte da história religiosa e cultural do Ceará.

🔬 Pesquisa reuniu instituições brasileiras e alemãs
A investigação paleobotânica contou com a participação da Universidade Regional do Cariri (URCA), da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Também participaram pesquisadores do Museu de História Natural de Chemnitz, na Alemanha.

A colaboração entre as instituições permitiu identificar e descrever a nova espécie, aumentando o conhecimento sobre a diversidade vegetal existente no Cariri durante o Cretáceo.

🌎 Cariri amplia registro de espécies fósseis
A descoberta de Araucaria benignae acrescenta mais uma espécie ao rico conjunto de fósseis encontrados na Bacia do Araripe.

A descrição é importante para a paleobotânica porque ajuda os pesquisadores a compreender quais plantas habitavam a região há cerca de 120 milhões de anos e como era a diversidade vegetal daquele ambiente.

A homenagem a Benigna também coloca o nome da mártir cearense ao lado de outras figuras da tradição cristã que já foram utilizadas na nomenclatura científica de espécies fósseis.

Um dos exemplos citados pela Secretaria de Cultura é o gênero Papulavis, nome dado a uma ave fóssil do Eoceno encontrado na França. A denominação faz referência a Papulus, eremita e mártir cristão dos séculos V ou VI.

No próprio Ceará, outra personalidade religiosa também já foi homenageada na ciência. Trata-se do Cicero spectabilis, espécie de crustáceo fóssil cujo nome faz referência ao Padre Cícero.

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