Chapada do Araripe ganha novo impulso em candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco

A candidatura da Chapada do Araripe ao título de Patrimônio Mundial da Unesco ganhou novo impulso após a visita conjunta de representantes dos ministérios da Cultura (MinC) e do Meio Ambiente (MMA) ao Cariri na última semana.

A proposta busca reconhecer o território como patrimônio misto, categoria destinada a locais que apresentam valores naturais e culturais considerados de relevância excepcional.

Para o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, a Chapada do Araripe reúne características naturais e culturais que justificam a mobilização em torno do reconhecimento internacional.

“A Chapada do Araripe reúne um patrimônio natural extraordinário, com biodiversidade, paisagens notáveis, recursos hídricos e um acervo paleontológico de importância internacional, mas reúne também uma riqueza cultural igualmente excepcional, expressa nos modos de vida, nas manifestações populares, nos saberes tradicionais e na própria relação que as comunidades construíram com esse território ao longo do tempo”, afirma Capobianco, ao destacar a diversidade de elementos presentes na região.

🌿 Reconhecimento exige estudos e articulação
Segundo o ministro, o conjunto de atributos naturais, culturais e históricos da Chapada do Araripe merece ser considerado no processo de busca pelo reconhecimento como Patrimônio Mundial.

A candidatura, entretanto, exige uma série de etapas, incluindo estudos técnicos, articulação entre instituições, participação da sociedade e comprovação do chamado “Valor Universal Excepcional”, requisito estabelecido pela Unesco para a inscrição de um bem na lista do Patrimônio Mundial.

Um eventual reconhecimento internacional poderá contribuir para fortalecer ações relacionadas à conservação ambiental, proteção do patrimônio cultural e paleontológico, pesquisa científica, educação ambiental, turismo sustentável e geração de renda na região.

📚 Cultura e meio ambiente em articulação
Durante a agenda no Cariri, o secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, destacou a integração entre as políticas ambientais e culturais desenvolvidas na região.

Segundo Piúba, os ministérios vêm desenvolvendo ações relacionadas ao clima, à cultura e à valorização dos saberes tradicionais, além de investimentos direcionados ao Cariri.

Entre as iniciativas citadas estão o Ciclo de Saberes com Mestres da Cultura, a Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura e ações de formação de agentes culturais e ambientais.

Piúba também ressaltou que diferentes biomas brasileiros concentram, simultaneamente, patrimônios culturais materiais, imateriais e naturais, contexto no qual, segundo ele, a Chapada do Araripe está inserida.

O secretário lembrou ainda o pioneirismo do Ceará, ao lado de Pernambuco, no reconhecimento de mestres e mestras da tradição popular por meio da política dos Tesouros Vivos.

🌱 Bioeconomia é outro destaque
Além da candidatura à Unesco, a visita dos representantes dos ministérios também colocou em evidência o potencial da bioeconomia no Semiárido.

Na avaliação de João Paulo Capobianco, o Cariri reúne condições especiais para se tornar uma referência nesse segmento, principalmente pela combinação entre biodiversidade, conhecimento e uma cultura profundamente ligada ao território.

Para transformar esse potencial em uma atividade econômica de maior escala, o ministro aponta a necessidade de estruturar cadeias produtivas, fortalecer cooperativas e pequenos empreendedores, ampliar o acesso ao crédito e à assistência técnica e estimular investimentos em pesquisa e inovação.

Outra estratégia apontada é agregar valor aos produtos dentro da própria região e desenvolver mercados capazes de garantir uma remuneração adequada às pessoas que atuam na conservação da biodiversidade.

“É também por isso que a presença das universidades e instituições de pesquisa do Cariri é tão importante”, destaca Capobianco, ao reforçar o papel da produção científica e das instituições de ensino para o desenvolvimento de uma economia baseada na biodiversidade regional.

🏞️ Patrimônio natural e cultural
A proposta de reconhecimento da Chapada do Araripe como patrimônio misto busca justamente reunir, em uma mesma candidatura, a importância de seus ecossistemas, biodiversidade, recursos hídricos e patrimônio paleontológico com a riqueza das manifestações culturais e dos saberes tradicionais construídos pelas comunidades ao longo das gerações.

O processo ainda depende de estudos e articulações para demonstrar à Unesco o Valor Universal Excepcional do território. A iniciativa também envolve a participação de instituições e da sociedade na construção da proposta.
 
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