A reabilitação fonoaudiológica é uma das etapas essenciais no tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e tem desempenhado papel fundamental na recuperação de pacientes atendidos no Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
O cuidado tem início ainda na fase aguda do AVC, com avaliação especializada e planejamento terapêutico individualizado. A atuação precoce busca reduzir complicações e minimizar sequelas.
🧠 Alterações mais comuns após o AVC
Entre as principais alterações provocadas pelo AVC estão:
- Disfagia: dificuldade para engolir;
- Disartria: fala arrastada, com dificuldade de articulação;
- Afasia: alterações na compreensão ou expressão da linguagem.
“A disartria é um dos primeiros sinais que aparecem no AVC. A fala já começa a ficar ‘embolada’ por conta da musculatura que pode paralisar em um lado da face”, explica a coordenadora de Fonoaudiologia do HRC, Héllen Ribeiro.
A fonoaudióloga da Unidade de AVC (UAVC) do hospital, Thalia Reis, destaca a importância do início imediato da terapia para aproveitar a chamada janela de neuroplasticidade — período em que o cérebro apresenta maior capacidade de reorganização após a lesão.
“A intervenção precoce previne complicações clínicas, reduz o tempo de internação, minimiza sequelas funcionais e diminui o impacto psicossocial”, ressalta.
👄 Técnicas utilizadas no tratamento
Na UAVC do HRC, a abordagem envolve:
- Exercícios oromiofuncionais para fortalecimento e coordenação da musculatura orofacial (lábios, língua, bochechas, mandíbula e palato);
- Estímulos com diferentes toques, temperaturas e sabores para ativar a sensibilidade da boca;
- Técnicas que tornam a alimentação mais segura e reduzem o risco de engasgos;
- Exercícios voltados à melhora da fala e da comunicação.
Outro recurso aplicado conforme a necessidade de cada paciente é a bandagem elástica na região facial e cervical. A técnica auxilia no controle do acúmulo de saliva, na melhora da abertura e fechamento da boca e na estabilização do tônus muscular.
“E também para retornar a boca à posição correta. Se a boca está mais caída para um lado, a gente pode utilizar a bandagem para estimular o músculo para voltar ao normal”, complementa Héllen.
Segundo Thalia Reis, a combinação dessas estratégias potencializa os resultados.
“Quando associamos exercícios oromiofuncionais, bandagem, estimulação e treino funcional, observamos maior segurança na deglutição, redução de engasgos e pneumonia aspirativa, evolução mais rápida na progressão da dieta, melhora da inteligibilidade da fala e, consequentemente, redução do tempo de internação”, pontua.
❤️ Assistência precoce faz diferença na recuperação
A aposentada Socorro de Macedo, 77 anos, foi atendida na UAVC do HRC após apresentar os primeiros sintomas na noite anterior à internação.
“Comecei a sentir como se estivesse faltando meu fôlego”, relembra.
Na manhã seguinte, já com dificuldade para falar, conseguiu pedir ajuda aos filhos, que a levaram para atendimento médico. Encaminhada ao HRC, iniciou o tratamento.
“Depois que cheguei aqui, fui me acalmando. Os médicos me medicaram e a voz foi voltando. Alguma coisa eu não sabia dizer, eles perguntavam e eu sabia na mente, mas não sabia falar”, conta.
Ela relata melhora significativa no quadro.
“Está normalizando. No rosto, eu não sinto nada. Meu problema é mais na garganta, porque quando vou comer, como bem ‘devagarinho’ e só comida pastosa, porque eu engasgava.”
Após a alta hospitalar, foi recomendado que a paciente continue com a fonoterapia.
🏠 Qualidade de vida e retorno à rotina
De acordo com a coordenadora Héllen, muitos pacientes que utilizam sonda para alimentação conseguem, com o suporte da fonoaudiologia, retirar o dispositivo mais rapidamente e receber alta com uma dieta mais próxima da habitual.
“A gente tenta mandar o paciente para casa o mais próximo possível da realidade que ele tinha antes, adaptando-o novamente à rotina que sempre teve”, conclui.



Nenhum comentário:
Postar um comentário