Hospedagem de site ilimitada superdomínios

Fósseis retirados ilegalmente da Bacia do Araripe são repatriados ao Cariri

Diversos fósseis que haviam sido retirados ilegalmente da Bacia do Araripe foram oficialmente repatriados ao Ceará nesta quarta-feira (25). O lote veio da Suíça acondicionado em oito caixas, com peso total aproximado de 150 quilos.

O material é composto principalmente por exemplares de peixes e répteis datados de até 120 milhões de anos, incluindo espécies como Rhacolepis sp., Vinctifer sp. e Cladocyclus sp..

A repatriação foi coordenada pela Embaixada do Brasil em Berna, em cerimônia realizada na sede do Escritório Federal de Cultura da Suíça. Os fósseis estavam sob guarda do Museu de Paleontologia da Universidade de Zurique (PIMUZ – Paläontologisches Institut und Museum).

Segundo Allysson Pontes, diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, a expectativa é de que o lote contenha cerca de 45 fósseis, em sua maioria peixes cartilaginosos e peixes ósseos.

“O destaque é para os peixes cartilaginosos, que são mais raros. Entre os exemplares há uma arraia completa e em excelente estado de preservação. Temos poucos registros desse tipo, o que permitirá aprofundar os estudos sobre a espécie e seus detalhes anatômicos”, explicou o professor.

🇧🇷 Patrimônio cultural da União 
Os fósseis são considerados patrimônio cultural da União, conforme estabelece a Lei nº 3.924/1961, e passarão a integrar o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado em Santana do Cariri.

De acordo com a Universidade Regional do Cariri (Urca), o processo de devolução envolveu trâmites internos na Universidade de Zurique e será formalizado por meio de termo de doação bilateral, alinhado à Convenção da UNESCO de 1970 e à diplomacia científica brasileira.

A restituição também fortalece o Geoparque Mundial Araripe, ampliando o acervo disponível para pesquisas em tafonomia, paleoecologia e biodiversidade do período Aptiano.

🏛️ Como os fósseis chegaram à Suíça? 
Segundo Allysson Pontes, os materiais chegaram ao museu suíço em diferentes momentos, sobretudo no início dos anos 2000, período em que a legislação e a conscientização internacional sobre patrimônio fossilífero ainda eram menos difundidas.

“O Museu de Zurique nunca se negou a colaborar após o nosso pedido. O processo é longo e burocrático — levou quase três anos até chegarmos a este momento. Agora somos reconhecidos como proprietários do material, mas ainda há etapas administrativas a cumprir”, afirmou.

🤝 Impacto científico e cooperação internacional 
Para o diretor do museu cearense, a iniciativa representa um marco na cooperação entre instituições internacionais.

“Para nós, é a oportunidade de ter acesso ao nosso patrimônio e planejar estratégias de desenvolvimento científico e econômico a partir dele. Para eles, é uma forma de corrigir erros do passado e construir uma nova fase de colaboração entre Brasil e Suíça”, destacou.

O professor ressaltou ainda o apoio de órgãos estaduais e federais no processo de repatriação. O transporte dos fósseis até a região do Cariri será custeado pelo Governo do Ceará.

Por Bárbara Antonelli

Curta nossa página no Facebook e siga-nos no X

Nenhum comentário:

Postar um comentário