Ceará tem 40% de probabilidade de receber chuvas acima da média entre março e maio, diz Funceme

O Ceará tem 40% de probabilidade de receber chuvas acima da média no período de março a maio de 2020, segundo prognóstico climático divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) na manhã desta sexta-feira (28). Ainda segundo o estudo, existem também 40% de chance de precipitações em torno da normalidade e ainda 20% abaixo da média nos próximos três meses.

De acordo com a Funceme, não se trata de uma atualização do primeiro prognóstico divulgado em janeiro para o trimestre de fevereiro a março, pois o período de previsão é diferente. Para chegar aos resultados, de acordo com o órgão, foi realizada uma análise dos campos atmosféricos e oceânicos de grande escala (vento em superfície e em altitude, pressão ao nível do mar, temperatura da superfície do mar, entre outros) e dos resultados de modelos numéricos globais e regionais e de modelos estatísticos de diversas instituições de meteorologia do Brasil e do exterior, além da própria Funceme.

Os modelos de previsão climática indicam ainda uma diferença espacial nas regiões Norte e Sul, de modo que na Região Sul do Estado, a categoria mais provável é em torno da normal ou mesmo abaixo da normal em algumas áreas, enquanto na região ao norte do Ceará, a categoria mais provável é acima da normal.

"Previsão Otimista"
De acordo com a meteorologista da Funceme, Meiry Sakamoto, a previsão continua otimista.  No entanto, o esfriamento no Oceano Atlântico pode trazer impacto nas chuvas no Estado. Isso porque quanto mais frias as águas do oceano mais distante ficará a Zona de Convergência Intertropial (ZCIT). A ZCIT é principal sistema indutor de chuva no norte do Nordeste no período de fevereiro a maio.

"Houve uma alteração em relação ao prognóstico divulgado em janeiro primeiramente. Precisamos observar que trata-se da previsão para um trimestre diferente, agora para um trimestre março, abril, maio de 2020. Outra razão está relacionada a algumas alterações que estão sendo observadas no Oceano Atlântico tropical sul que vem nas últimas semanas mostrando um certo esfriamento, o que poderia, se essa tendênca se manter, acabar prejudicando o deslocamento da ZCIT [Zona de Convergência Intertropial] para latitudes mais ao Sul e isso pode ter algum impacto na chuvas no estado daqui do Ceará", explica.

Fevereiro de 2020 é o segundo mais chuvoso da década
O mês de fevereiro já é o segundo fevereiro mais chuvoso da década, segundo a Funceme. Até quarta-feira (26), o órgão já havia registrado média de 182,8 milímetros para o mês, o que representa desvio positivo de 54,1%. As precipitações também já superaram o índice de janeiro deste ano, quando choveu 142,5 mm.

Fevereiro de 2018 foi o mês com maior média de chuvas da década (196,7 mm). No entanto, se o volume pluviométrico das últimas semanas se mantiver até o fim deste mês, fevereiro de 2020 ultrapassará esta marca e passará a ser o mais chuvoso dos últimos 10 anos. O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Flaviano Fernandes, acredita que as chuvas seguirão com boa intensidade no Estado. Ele pontua que o "Sertão cearense tem boas possibilidades de receber chuvas pelo menos até a primeira quinzena de março".

O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, também acredita que é possível superar a média de 2018. "Apesar de ter ocorrido uma redução das chuvas, é provável a volta de mais chuvas, elevando a média mensal", analisa.

Médias elevadas
Fritz explica, ainda, que em março e abril, estatisticamente, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) - principal sistema indutor de chuva no Nordeste - aproxima-se da costa cearense e favorece a ocorrência de mais chuvas. "A convergência dos ventos do Hemisfério Norte com o Hemisfério Sul e temperatura elevada das águas superficiais do Oceano Atlântico Equatorial Sul formam o cenário ideal para chuva em nosso Estado". O período coincide com as celebrações de São José e, por isso, "o agricultor associa a data a um bom inverno", reforça o meteorologista do Inmet, Flaviano Fernandes.

A esperança do sertanejo é transposta às terras produtivas. Diante dos bons volumes, e da boa perspectiva futura, muitos estão expandindo a produção. No distrito de José de Alencar, em Iguatu, o agricultor de base familiar José Cosmo de Jesus aumentou o plantio de milho e feijão de um para 1,5 hectare. "A gente sempre confia que o inverno vai ser bom". A Secretaria de Agricultura de Iguatu estima que, neste ano, a área cultivada de grãos - 3.160 hectares - será 15% maior do que ano passado (2.750ha).

Fonte: Diário do Nordeste

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