Carnaval 2020: Adnet imita Bolsonaro e São Clemente critica fake news em desfile debochado

Escola da zona Sul do Rio de Janeiro, a São Clemente completa neste ano uma década inteira na elite do Carnaval carioca, fato inédito em sua história. Desde 2011 sem cair para a Série A (grupo de acesso), a agremiação levou à Sapucaí uma crítica à malandragem com o tema "O Conto do Vigário".

Com o humorista Marcelo Adnet entre os compositores, o samba da São Clemente contou fatos históricos envolvendo política e corrupção e mostrando como o "jeitinho" entrou no comportamento brasileiro.

Bem-humorado e debochado, o desfile parecia até um programa de Adnet. Além de compor, o humorista desfilou interpretando o presidente Jair Bolsonaro, com direito a "arminha" com a mão e flexões mal feitas. Cartazes mostraram frases características do atual governo e de seus seguidores, como "A Terra é plana" e "Acabou a mamata".

Adnet ainda chamou seus colegas de "Escolinha do Professor Raimundo". Mateus Solano foi seu "laranja", Érico Brás interpretou um "corretor lunar", que vende terrenos na Lua, e Marcos Veras foi um fazendeiro que caiu no golpe. Paulo Vieira representou um político cheio de regalias na cadeia.

O livro "Os Contos e os Vigários", do professor e historiador José Augusto Dias Jr. (1961-2019), foi o ponto de partida da pesquisa para o enredo.

A comissão de frente e o carro abre-alas narraram a história da expressão "conto do vigário". No século 18, dois vigários de Ouro Preto (MG) disputaram a imagem de Nossa Senhora, e um deles propôs que a santa fosse amarrada a um burro, sem falar que o animal já estava acostumado a ir para sua paróquia.

O VAR (arbitragem de vídeo), utilizado recentemente no futebol, e as notícias falsas, com uma alfinetada ao presidente, também foram citados no samba da São Clemente: "Brasil, compartilhou, viralizou, nem viu! E o País inteiro assim sambou, 'caiu na fake news!'".

A bateria, fantasiada de laranja, representa o verso "Tem laranja! Na minha mão, uma é três e três é dez!", mas além do erro matemático há uma crítica política ao "laranjal do PSL", com candidaturas laranjas do partido que elegeu Bolsonaro à Presidência.

O ex-presidente Fernando Collor também foi cutucado na ala dos "caçadores de marajás", como o ex-chefe do Executivo se apelidou quando foi eleito, em 1989. A São Clemente também criticou políticos que trocam votos por dentaduras em cidades mais pobres. Raphaela Gomes, rainha de bateria, desfilou fantasiada de Polícia Federal.

Fonte: UOL

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