III Marcha das Mulheres Negras do Cariri movimenta as ruas de Crato

O Dia da Consciência Negra na região do Cariri foi marcado, pela terceira vez, pela Marcha Regional das Mulheres Negras, em Crato, que reuniu cerca de 300 pessoas, na manhã desta quarta-feira (20). Com o tema “Mulheres negras movem o Brasil contra o racismo, o machismo, a violência e pelo bem-viver: nossos passos vem de longe”, o movimento percorreu as principais ruas comerciais da cidade para gritar pela igualdade e pela vida das mulheres negras.

A concentração começou ainda cedo, de frente à Prefeitura de Crato, onde foram colocadas várias faixas lembrando mulheres vítimas de feminicídio no Cariri. Como tema central deste ano, as camisas de algumas participantes lembravam a vereadora carioca e ativista dos Direitos Humanos, Marielle Franco, assassinada no 14 de março de 2018, junto com Anderson Gomes, seu motorista.

A pé, o grupo formado em sua maioria por mulheres negras seguiu até o largo da RFFSA. “No dia 20, nós lembramos da luta do povo negro, de Zumbi dos Palmares, que traz a luta pela libertação dos escravos”, explica a professora Zuleide Queiroz.

Agora, Zuleide acredita que há latente uma nova pauta social: viver. “Quando lembramos os números da violência contra a mulher, a maioria atinge as mulheres negras. Este contexto vem trazer uma pauta fundamental: a luta do povo negro pelo direito à vida”, acredita a professora.

O movimento foi concebido pelo Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), Cáritas Diocesana e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Cratense. “A gente tem construído coletivamente esta marcha com os movimentos, sindicatos, organizações, universidades, coletivos. Tem tentando dar o máximo de diversidade a este momento”, enfatiza a professora Verônica Isidorio.

A marcha também serviu como lançamento oficial da campanha dos 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero, que é uma empreitada internacional de combate à violência contra mulheres e meninas, que acontece todos os anos, entre 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, e 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Por Antonio Rodrigues

Fonte: Diário do Nordeste

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