Precipitações no Cariri ficaram abaixo do esperado entre as oito macrorregiões do Estado

Das oito macrorregiões do Ceará, o Cariri foi a única que registrou chuvas abaixo da média no mês de fevereiro. Para o período eram esperados 157,7 mm no Sul do Ceará, mas foram observados apenas 109,8 mm, ou seja, um déficit de 30,4%.

Já a média pluviométrica estadual observada foi de 180,8 mm, o que representa 52,4% acima do esperado que era de 118,6 mm. Os dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) ainda são parciais.

As chuvas seguem localizadas nos municípios cearenses, e a região Centro-Norte, com destaque para o litoral, foi a mais beneficiada com chuvas em fevereiro, que é o primeiro mês da quadra chuvosa (fevereiro a maio). O Maciço de Baturité e o Litoral de Fortaleza registraram, respectivamente, 116% e 105% acima da média para o período. A terceira macrorregião que observou boas precipitações foi o Litoral Norte com desvio positivo de 77,7%.

Os dados da Funceme mostram que até as regiões do Sertão Central e Inhamuns, que historicamente não são beneficiadas com muitas chuvas, registraram em fevereiro 46,9% acima do esperado. A média histórica para essas duas regiões é de 97,7mm e foram observados 143,4mm.

Nos últimos três anos, fevereiro vem registrando chuvas acima da média no Ceará. Em 2017, houve um desvio positivo de 34,8%; em 2018, 66,1% e neste ano, 52,4%. Já em 2016, as precipitações ficaram 55,2% abaixo do esperado para o período e, em 2015, o déficit pluviométrico foi de 18,9%.

As chuvas localizadas ainda não foram suficientes para a recarga dos médios e grandes reservatórios, que são estratégicos para o abastecimento de grandes áreas urbanas, como a Região Metropolitana de Fortaleza. E o que esperar para o próximo trimestre que se inicia hoje? Infelizmente, as previsões não são animadoras referentes a aumento significativo do volume dos açudes.

Os meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe), do Ministério da Ciência e Tecnologia, e da Funceme divulgam hoje previsão para o trimestre (março, abril e maio) para o semiárido nordestino. O segundo prognóstico com base em modelos estatísticos para o período foi definido no fim da tarde de ontem (28).

Abaixo
O meteorologista Ednaldo Correia de Araújo, do 3º Distrito de Recife do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) adianta que as regiões Centro-Sul e Sul do Ceará devem continuar com chuvas abaixo da média.

"A situação está complicada porque não há previsão de intensas chuvas para as bacias dos principais reservatórios (Orós e Castanhão)", observa Araújo. "Vamos ter de acompanhar e esperar".

A bacia do Salgado fica no Cariri, e a do Alto Jaguaribe está localizada nos Inhamuns, mas é favorecida por chuvas no Sul do Ceará por meio do Rio Cariús. Ednaldo Araújo observa que, em fevereiro, em muitas localidades rurais não houve registro de chuvas acima da média. "Temos tido chuvas localizadas, irregulares na distribuição espacial, e a média estadual não reflete a realidade de muitas áreas".

O meteorologista do Inmet acrescenta que já eram esperadas para a região do Cariri cearense e Centro-Sul do Estado precipitações reduzidas na atual quadra chuvosa.

HONÓRIO BARBOSA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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