Bolsonaro derrete. Ele é o presidente com a pior avaliação da história do Brasil

Quando Gustavo Bebianno foi demitido da Secretaria Geral da Presidência com apenas 48 dias do governo de Jair Bolsonaro, criou-se a primeira grande crise no novo governo. Ele deixou o cargo depois de ter sido chamado de “mentiroso” por Carlos Bolsonaro, o filho do meio do presidente. Por essa e por outras, uma pesquisa divulgada na quarta-feira 20 pelo Instituto Ibope mostra que Bolsonaro segue correndo atrás de recordes negativos. O levantamento do Ibope aponta Bolsonaro como o presidente com a pior popularidade nos primeiros três meses de governo. Com um indicativo ainda mais preocupante: a popularidade só despenca.

E esse derretimento se deve justamente à impressionante capacidade que o novo governo tem de produzir suas próprias trapalhadas. A que envolveu Bebianno é um exemplo evidente. Em três meses de governo, o brasileiro viu o partido de Bolsonaro envolver-se em uma enxurrada de denúncias de uso de laranjas na campanha. Algumas delas tendo como protagonista o próprio filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O próprio presidente também constrangeu o país ao divulgar, em pleno carnaval, um vídeo pornográfico no seu perfil nas redes sociais. Gerando uma crise atrás da outra, ele foi perdendo apoio popular.

Perda de apoio
A pesquisa do Ibope mostra que a popularidade de Bolsonaro é uma preocupante linha descendente. Em janeiro, 49% dos brasileiros consideravam seu governo ótimo ou bom. Em fevereiro, a queda já tinha sido de dez pontos percentuais: eram 39%. Agora, são apenas 34% os que o consideram bom ou ótimo. A mesma linha descendente se aplica ao grau de confiança no próprio presidente: era de 62% em janeiro; despencou para 55% em fevereiro; e agora já é menos da metade o percentual de brasileiros que confiam em Bolsonaro, 49%. E hoje desconfiam de Bolsonaro 44% dos brasileiros. Eram 30% em janeiro, 38% em fevereiro.

Em função disso, até a credibilidade do governo também ficou abalada. A agenda de reformas que Bolsonaro tenta aprovar no Congresso patina de forma preocupante. Como a popularidade do presidente só diminui, a tendência do Congresso em emprestar apoio a reformas que são polêmicas e podem provocar desgaste só diminui. “Por mais que seja necessária, a reforma da Previdência não é exatamente uma pauta popular”, avalia Murilo Hidalgo, do Instituto Paraná Pesquisas.

Comparados a todos os demais presidentes eleitos após três meses do primeiro mandato, os números de Bolsonaro mostram ainda mais como sua situação é preocupante. Em março de 1995, Fernando Henrique Cardoso tinha 41% de avaliação ótima ou boa. Em março de 2003, o percentual de Lula era de 51%. Em março de 2011, Dilma Rousseff tinha 56%. Bolsonaro tem somente 34%.

A diretora do Ibope, Márcia Cavallari, que realizou a pesquisa, reforça a impressão de que a tendência é de que os percentuais de popularidade de Bolsonaro venham a piorar ainda mais. “A curva é perigosa”, disse ela. Para Márcia, o processo de eleição do presidente provocou um grau muito alto de expectativa de mudança na sociedade. “Como as coisas não mudam rapidamente, há um sentimento de frustração”.

Certamente nada ajuda Bolsonaro quando ele pergunta a seus seguidores o que é “golden shower”. Ou o guru do presidente, Olavo de Carvalho, chama o vice-presidente Hamilton Mourão de “idiota”. O governo Bolsonaro vem morrendo pela boca.


Fonte: Istoé

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