Pesquisadores da URCA apresentam nova espécie de camarão fóssil

A Universidade Regional do Cariri (URCA) apresentou, na última quinta-feira (27), uma nova espécie de camarão fóssil, encontrada na Bacia Sedimentar do Araripe, no município de Trindade (PE). Batizado de Prioryncha feitosai, ele faz parte da família Solenoceridae, no qual possui nove gêneros atuais e apenas dois gêneros fósseis. A descoberta dá indícios de incidência marinha na região do Cariri no período Cretáceo.

A descrição da espécie foi aceita há pouco mais de 20 dias, mas o material foi coletado em 2016. De lá, seguiu para o Laboratório de Paleontologia da URCA, onde passou por um processo de triagem, preparação, iniciar a identificação. Uma das responsáveis pelo trabalho foi a estudante Damares Ribeiro, que faz parte do programa de Bioprospecção Molecular da instituição. “Aí entra a revisão bibliográfica, descrição das características, que vão reforçar ser um novo gênero, uma nova espécie. É um processo longo”, explica.  

“Ele apresenta uma série de dentes rostrais na carapaça, esses espinhos são característicos do grupo. Não há essa série de espinhos dispostos na região dorsal como nele. Difere das espécies descritas da Bacia do Araripe e também difere das escritas da família. Por isso, sugerimos um novo gênero”, justifica Damares. Além da ausência de dentes na região ventral, outra característica peculiar apresentada foi a presença de um suco cervical, uma depressão bem profunda, em sua carapaça.  

Para o professor Álamo Feitosa, responsável pelo Laboratório de Paleontologia da URCA, esta descoberta é importante, pois, mostra que a Instituição possui um grupo de pesquisa que produz ciência com qualidade. “Também é importante para o Cariri que mostra a importância do Geopark Araripe, que essa região tem que ter uma proteção, vista de forma especial, não apenas pelos caririenses, mas por todo Brasil. Isso é patrimônio nacional e internacional. Em nenhum lugar do mundo foram descritas tantas espécies de camarões como foram descritas aqui na Bacia do Araripe”, exalta.  

Esta é a sexta espécie de camarão descrita na Bacia do Araripe, no entanto, Álamo Feitosa acredita que mais uma ou duas possam ser identificadas. “A gente tem material com mais de 400 espécimes, restos de camarão fóssil, claro que basicamente de duas espécies. Olhando bem, essas impressões, fazendo microscopia e fotomicroscopia eletrônica a gente encontra algumas variações e isso mostra como é rico e como é diverso a fauna pretérita aqui do Cariri”, completa.  

Homenagem  
O nome dado a espécie, Prioryncha feitosai, veio da junção das palavras “prio” e “ryncha”, que significam “rosto” e “serreado”, fazendo alusão as características peculiares encontradas no novo gênero. Já o “feitosai”, homenageia o padre Neri Feitosa, que contribuiu com a Paleontologia na década de 1960 e 1970, iniciando pesquisas no distrito de Jamacaru, em Missão Velha.  

Hipóteses 
Os camarões solenocerídeos, que são estritamente marinhos, reforçam os indícios de que a Região Cariri teve incidência de oceano no período Cretáceo. “São espécies de mar aberto, não costeiro, marinho de profundidade”, ressalta o professor da URCA Allyson Pontes, que faz parte do Laboratório de Crustáceos do Semiárido. No mesmo município de Trindade (PE) foi coletado uma outra espécie, descrita por pesquisadores locais, que pertence a mesma família. “Houve uma influência marinha por aqui, nem que seja eventual, alguma coisa catastrófica, como tsunamis”, completa o pesquisador.  

O fóssil do camarão será depositado no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, onde ficará exposto para cientistas e o público em geral possa conhecer. “Entendemos que temos que valorizar o que é da nossa região e promover turismo, economia”, ressalta Allyson. O museu está sendo reformulado, chegando novas peças, novas réplicas, em tamanho natural, de fósseis de pterossauros”.  

As pesquisas do Laboratório de Paleontologia da URCA são financiadas pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) através de bolsas de iniciação científica e mestrado. “Com a bolsa, os alunos têm condições de se manter em campo e adquirir experiência não só em campo, mas também em laboratório. Isso nos deixa orgulhoso. Enquanto todo Brasil tem diminuído a verba da pesquisa, o Ceará tem aumentado e temos retribuído com publicações importantes”, finaliza Álamo.

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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