Museu de Fósseis do Crato encerra atividades

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Mineração (ANM), antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), aprovou mudanças que afetam, entre outras coisas, a sua estrutura organizacional, que é responsável pela fiscalização, regulação e proteção dos recursos minerais. As alterações foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU), na Resolução de nº 2, de 12 de dezembro de 2018. Com isso, o Escritório Regional do Crato vai encerrar suas atividades e isso pode afetar a fiscalização no Cariri.

De acordo com o chefe do Escritório Regional do Crato, Artur Andrade, a informação de que a unidade local não seria contemplada no novo regimento já circulava, de forma não oficial, mas foi confirmada na última semana.

No município, há apenas dois servidores: Artur, que é geólogo, e outro profissional que trabalha no setor administrativo. Ambos devem, possivelmente, ser deslocados para Fortaleza, onde funcionará uma Gerência Regional. Uma das alternativas para a ANM continuar no Cariri seria a criação de uma Unidade Avançada, como aconteceu em Criciúma (SC), Itaiatuba (PA), Governador Valadares, Patos de Minas e Poços de Caldas (MG).

O Escritório Regional está instalado em um prédio da Prefeitura do Crato, que deve ser devolvido. Já os bens materiais ainda não têm seu destino. No entanto, o material fóssil que está sob sua guarda deverá ser entregue, a princípio, à Universidade Regional do Cariri (Urca), que detém o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

De acordo com o geólogo da ANM, Paulo Ribeiro Santana, o material depositado no Escritório do Crato será destinado, preferencialmente, às instituições científicas da Região, como o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Urca, e a Universidade Federal do Cariri (UFCA).

A maior preocupação com o fim do Escritório Regional é quanto à fiscalização, principalmente, pelo tráfico de fósseis. "A região não vai ter um ponto de referência no sentido de qualquer denúncia", acredita Artur.

"Desinstalando o escritório, as denúncias, tanto em mineração como paleontologia, chegarão a Fortaleza. Aí, devem deslocar um corpo técnico para fazer essas vistorias. Vai demorar mais". O Escritório Regional de Crato era responsável por fiscalizar aproximadamente 10 mil quilômetros quadrados, contando com apenas duas pessoas.

"Aqui estava praticamente entregue a ninguém. Sem dúvida, o fim do escritório está prejudicando e abrindo um precedente sério para o tráfico de fósseis. Pelo bem ou pelo mal, existia um local aqui onde alguém poderia denunciar. Não é só a questão do fóssil, mas da água. Os arenitos da encosta do Crato, que estão fazendo construção de forma perigosa, a retirada de areia dos rios. Eu acho um verdadeiro descaso não ter um ponto de fiscalização direto aqui", lamenta Álamo Feitosa.

Contrabando
A prática de contrabando de fósseis é comum no Cariri. O professor Álamo Feitosa acredita que isso começou na década de 1980 e foi diminuindo, mas está sendo retomada nos últimos anos. Para ele, há uma "cadeia" deste tipo de tráfico. Tudo começa em Santana do Cariri e Nova Olinda, em contato com pessoas de Juazeiro do Norte. Estas, acionam pessoas em São Paulo, que montam os lotes que depois saem pelos portos para fora do País. Importante destacar que cada nacionalidade possui uma legislação diferente, que permite, inclusive, a posse particular desse material. No Brasil, a comercialização de fósseis é proibida.

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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