UFCA comemora cinco anos em plena expansão

Há pouco mais de cinco anos, no dia 5 de junho de 2013, por meio da Lei Federal Nº 12.826, sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff, era criada a Universidade Federal do Cariri (UFCA), a partir do desmembramento da Universidade Federal do Ceará (UFC). Além da Terra do Padre Cícero, os campi de Barbalha e Crato, que compunham um campus avançado na Região, se integraram à nova instituição. Na mesma Lei, mais dois novos campus foram criados: em Icó e Brejo Santo. Hoje, ela ainda não possui total autonomia da Universidade sediada na Capital cearense, mas já projeta sua "independência" até o fim deste ano.

No entanto, dois anos antes, a criação da UFCA gerava muita discussão entre professores e estudantes do antigo campus avançado da UFC. "De pronto, as reações foram diversas e, de fato, fomos pegos de surpresa. Disseram que era uma proposta de longo prazo. Tínhamos só cinco anos de campus", lembra o reitor da UFCA, o professor Ricardo Ness. Na época, foi formada comissão de implantação com setores da sociedade e, internamente, foram criados grupos de trabalho para pensar essa nova universidade. Muitos destes grupos se tornaram pró-reitorias.

Primeiros passos
"Não tivemos nenhuma ingerência sobre a proposta. Ela já veio com número de docentes e servidores estipulados e a proposta de chegar a cerca de 7 mil alunos em 2017", conta Ricardo. Este número não foi atingido. Hoje, há cerca de 3 mil matrículas ativas na Instituição. Em 2013, quando foi criada, a UFCA tinha apenas 65 servidores e, durante muito tempo, sobre a gerência administrativa da UFC. "Havia uma autonomia financeira, mas não tinha corpo técnico capacitado para gerir esses recursos, fazer licitação, terminar um termo de referência. Sempre se contou muito com a UFC", acrescenta.

Em 2014, houve um grande concurso, e já começaram as nomeações rapidamente. Destes, muitos foram para Fortaleza ser treinados, principalmente na área de administração. Cursos foram trazidos e servidores enviados para capacitação em outros locais. Com o "vai e vem" de profissionais, a UFCA foi se consolidando. Hoje, possui 276 técnicos-administrativos, a maioria com vínculos fortes na região.

"Hoje, somos praticamente autônomos da UFC. Ainda temos alguma coisa relacionada a folha de pagamento, mas até o fim do ano encerra. Esse quinto ano é o ano de autonomia. Ainda há uma transferência de patrimônio a ser fechada, mas conseguimos fazer toda migração de dados do sistema acadêmico para cá. Vamos prorrogar a parceria com a UFC por mais um ano, mas os vínculos administrativos vão se tornar mais fracos", acredita Ricardo Ness.

O número de 7 mil alunos matriculados não foi atingido porque a gestão da nova universidade se preocupou em atender demandas antigas dos cursos já existentes. Por exemplo, no curso tecnólogo de Design de Produtos, que havia uma carência de laboratórios de joias e calçados, um já está em uso e o último será entregue em breve. Inclusive, esta graduação está em processo de extinção e se tornou um bacharelado em Design. Muitos equipamentos também foram comprados e, até agora, nenhuma nova graduação, além das criadas em Icó e Brejo Santo, saíram do papel.

Novos cursos
Agora com a parte física mais consolidada, o reitor acredita que novos cursos serão criados em Juazeiro do Norte, Crato e Brejo Santo. Será um "crescimento planejado", como ele descreve, pois, será a partir da estrutura já existente de prédios e laboratórios. Devem ser implementadas a partir de 2019 as graduações em Ciências Contábeis, Letras (Libras), Ciências da Computação, Matemática Computacional, em Juazeiro do Norte; Pedagogia, em Brejo Santo; e Medicina Veterinária, em Crato.

No entanto, outras propostas ainda deverão ser avaliadas e aprovada pelo Conselho Superior Pro tempore (Consup). São eles: Cinema e Audiovisual, Arquitetura, Física, Engenharia Mecânica, Arquivologia e Museologia. A UFCA deverá saltar de 15 cursos de graduação - dois estão sendo extintos - para 25.

"Os primeiros cursos já têm professores. Os outros vamos fazendo concurso paulatinamente", adianta Ricardo Ness. Já a pós-graduação, possui três especializações: Economia Solidária, Ambientes de Sistema de Informação e Permacultura, além da Residência médica em seis linhas da Saúde. Além disso, possui mestrado profissional em Matemática e Biblioteconomia; e acadêmico em Bioquímica e Biologia Molecular; e Desenvolvimento Regional Sustentável.

No entanto, já tem perspectiva de novas pós-graduações, como a especialização em Libras. Também foram enviadas cinco propostas de mestrados que são: Administração em Gestão da Inovação, Ensino de Ciências e Matemática, ambos profissionais; Ciências Médicas II; Comunicação e Cultura; e Filosofia. Os três últimos são acadêmicos. Os documentos necessários para a efetivação dos cursos, em sua primeira etapa, já foram entregues.

Para adequar os novos cursos, a UFCA está passando por obras de urbanização no campus de Juazeiro do Norte. São quase R$ 4 milhões investidos. Os prédios já criados terão interligação que possibilitará a inauguração da Residência Universitária.

Impasse em Icó
Além do curso tecnólogo em Design de Produtos, que deu lugar ao curso de Bacharelado em Design, o curso de História, único do Campus de Icó, está em processo de extinção. As atividades acadêmicas serão encerradas quando o último aluno colar grau. Isso acontece porque a UFCA teve problemas com a cessão de um espaço para abrigar o Instituto de Estudos do Semiárido (Iesa), uma das unidades acadêmicas, que também sediaria a graduação de Gestão Pública. No início, os estudantes foram instalados em uma escola municipal. Depois, tiveram que ser deslocados.

Segundo o reitor Ricardo Ness, a situação de Icó é peculiar, porque a Prefeitura não tinha muitas áreas para ceder à Instituição para a construção do prédio que abrigaria o Iesa. Com isso, foi discutida a possibilidade de cessão de uma das áreas que pertence ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Houve momentos tensos, como a criação de um movimento "Libera Dnocs" num local que depois se tornou área ambiental. Hoje, o órgão federal volta a sinalizar com a possibilidade de cessão e já assinou acordo de cooperação técnica.

Com todo este impasse, o campus não recebeu investimento em instalações. "Não podíamos reservar orçamento para Icó aguardando momento favorável. A Universidade tinha que ser tocada e Icó ficou prejudicada por essas peculiaridades", pondera o reitor. O curso está em protocolo de extinção e deve formar todos os alunos até metade de 2019. "Icó é projeto que começa do zero. Já estive lá conversando com o atual prefeito. Vamos partir de audiências públicas, pensar outros cursos, outras propostas. O cenário é bem difícil e bastante complexo", completa.

Como foi criado por Lei Federal, o campus de Icó só pode ser extinto pelo mesmo caminho. Inclusive, a criação de novos campus em outros municípios depende de aprovação na Câmara de Deputados.

Pesquisa e extensão
Segundo o professor Juscelino Silva, vice-reitor da UFCA e pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, a Federal do Cariri tem um amplo eixo de pesquisa. "Há áreas teóricas, como Relatividade, Física Quântica e mais práticas, que são retorno rápido à sociedade, como Saúde Coletiva, Doenças Tropicais, Recursos Hídricos, Águas Subterrâneas, Fortalecimento de Sementes. Em quase todas as áreas que a região precisa, temos alguma linha de pesquisa ou algum grupo", explica.

No curso de Biblioteconomia, a professora Maria Cleide Rodrigues pesquisa a imagem das bibliotecas públicas para a comunidade em que estão inseridas. Foi a partir disso, que desenvolveu trabalho de territorialidade destes equipamentos, conhecendo as necessidades destes espaços e como os usuários podem contribuir. Foram dois anos estudando os conceitos e mais dois anos aplicando questionários como uma auditoria, em Crato e Juazeiro do Norte. Como biblioteca polo, a segunda foi escolhida para ser monitorada.

"A partir do que a pesquisa apontar, vamos construir uma política, aplicar acompanhar por três anos", explica. Se tiver sucesso em Juazeiro do Norte, ela poderá ser replicada em outras bibliotecas. "Criar estratégias, dar ânimo para procurar editais e melhorar a imagem da biblioteca pública. Melhorar, dando condições para que possam atender melhor e isso inclui cursos de capacitação para atendimento, uma série de coisas", descreve a professora.

No curso de Medicina, o Programa de Ações Articuladas em Pediatria trabalha com três projetos que atendem crianças das comunidades carentes da região: a Liga Caririense de Pediatria (Lipec), o projeto Prevenção de Acidentes na Infância e o programa de rádio "Saúde da Criança e do Adolescente em Foco". De acordo com a coordenadora, a professora e pediatra Maria Auxiliadora Brito, o objetivo é promover educação, produção científica e ações nas comunidades por meio da biblioteca móvel, palestras mensais, painéis, consultas pediátricas e oficinas. "Fazemos o projeto em parceria com as escolas para que não fique uma ação isolada", explica.

Contribuição
Não só com pesquisas e projetos de extensão, mas UFCA tem contribuído para inserção de profissionais no mercado de trabalho local. São 270 empresas públicas e privadas com convênio ativo recebendo os estudantes para os estágios. Além disso, 80% dos alunos são oriundos de escolas públicas. "É uma universidade bebê. Mas com um papel de inclusão", acredita Ricardo Ness.

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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