Cariri terá primeiro Centro de Referência Sobre Drogas

Após três anos implantado em Fortaleza, o Centro de Referência sobre Drogas (CRD) chega à terra do Padre Cícero para atender 19 municípios do Cariri. Com parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado, o primeiro equipamento do Interior do Ceará funcionará no Centro Multiuso, ao lado do Vapt Vupt. Com ele, as políticas públicas sobre uso de álcool e drogas serão integradas, promovendo ações de prevenção, acolhimento e encaminhamento de usuários e seus familiares para a rede assistencial, além de capacitar colaboradores e fomentar pesquisas.

A expectativa é de que o CRD do Cariri seja inaugurado na primeira quinzena deste mês. Os equipamentos já chegaram ao prédio e os profissionais que irão atender participaram de treinamento no último dia 20 de abril. Como contrapartida, o Município cederá os profissionais como psicólogo, assistente social, enfermeiro, motorista, recepcionista e auxiliar de serviços gerais.

Funcionamento
O CRD realiza um trabalho intersetorial, que deve integrar as secretarias municipais de Saúde e de Desenvolvimento Social e Trabalho. Os pacientes que procurarem o equipamento terão seu caso avaliado e poderão ser encaminhados para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou para as comunidades terapêuticas parceiras do projeto. "O dependente químico tem uma família sofrendo e fica sem saber quem procurar. O Centro é a porta de entrada. Lá vai ter essa equipe para avaliar o caso", explica o titular da Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas do Estado (SPD), Will Almeida.

Caso o paciente seja transferido, um veículo estará disponível para transportá-lo e iniciar o tratamento. "Já temos algumas comunidade terapêuticas cadastradas e conveniadas em Barbalha e Mauriti, e estamos tentando parceria em Juazeiro", projeta Will. Nestes locais, as pessoas serão acolhidas darão início à recuperação para reinserir o dependente no convívio familiar.

Qualificação
Em Fortaleza, o projeto Novas Escolas, realizado pela SPD, tem ofertado cursos profissionalizantes, qualificando os pacientes. Além capacitações sobre autoconhecimento e comunicação, as pessoas atendidas recebem aulas para trabalho de pedreiro e mecânico, por exemplo. A ideia é estendê-lo ao Cariri. "A gente vem conseguindo recuperar pessoas da dependência química, considerada doença crônica, que necessita alerta constante, do acompanhamento que o centro proporciona", completa.

No ano passado, na Capital, o CRD realizou 2.044 atendimentos presenciais. Além disso, a equipe faz visitas pelas unidades móveis, palestras e auxílio por telefone. "Nós temos vários casos de pessoas que foram encaminhados para as comunidades terapêuticas e lá foi feito o trabalho de recuperação da autoestima e da aproximação da família, além da reinserção profissional", exata Will Almeida.

Ainda segundo suas informações, Juazeiro do Norte foi escolhida para receber o equipamento pela sua importância e seu crescimento. Além disso, o Município é referência na Saúde Mental no Estado, pois já existe uma rede organizada, incluindo Caps Álcool e Drogas (AD), Caps III e Infanto-Juvenil. Atualmente, é este equipamento que faz o primeiro atendimento e realiza a desintoxicação do paciente.

Fortalecimento
A secretária da Saúde de Juazeiro do Norte, Nizete Tavares, afirma que o CRD fortalece esta rede como mais um espaço para atender os pacientes, não só do Município, mas da região. "Ele vai atender necessidade, não só de saúde, mas sociais. Não dá para fazer saúde sozinho. Ela passa por coisas que fogem à nossa Pasta, por isso são importantes as parcerias. A saúde mental é uma necessidade premente. O estilo de vida e o consumismo vêm levando a grandes frustrações", acredita.

Além disso, Nizete lembra que a Pasta já vem trabalhando na prevenção e promoção da saúde mental, que evita contato com álcool e drogas. Hoje, os Caps AD e Caps III - voltado ao público em geral - atendem 24h e trabalham junto com o Programa Saúde da Família (PSF), já que muitos pacientes não precisam estar nestes locais e são acompanhados em suas casas. "Ainda assim, estamos pensando em instalar uma Casa de Acolhimento", projeta.

Segundo Elizângela de Gouveia, diretora da rede de saúde mental de Juazeiro do Norte, o paciente chega a ficar 14 dias interno, podendo ser prorrogado por mais 14 dias. Estando mais estável, ele passa a fazer um tratamento na modalidade intensiva. O tratamento intensivo é diário; o semi-intensivo, três vezes por semana; e o não-intensivo, três vezes por mês. Depois disso, é trabalhada a inserção social. Parceiros como o Serviço Social do Comércio (Sesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Sistema Nacional de Empregos (Sine) auxiliam na capacitação e na procura de emprego. "A família também participa, pois quem cuida também adoece", explica.

Perfil
Hoje, só o Caps AD recebe cerca de 200 pacientes por dia. Às vezes, são 120 por turno. A maioria tem problemas com o álcool e a busca pelo serviço público costuma ser por pessoas mais pobres. "O álcool está na maior parte das classes. Por ser lícito, quem não consome é como se não estivesse agregado à sociedade e o álcool é a porta de entrada para as outras", acredita.

"Infelizmente é um problema social grande, porque estamos vivendo numa sociedade que procura as drogas como fuga dos seus problemas, suas dificuldades. Como o álcool é uma substância depressiva, depois de um tempo de uso, as pessoas não querem isso. Ele também está associado, principalmente, à cocaína que a pega uma classe de média para alta", descreve.

Geralmente, os pacientes vão até este tipo de serviço acompanhados dos familiares ou de algum profissional da Saúde no serviço público. "É muito raro ele mesmo procurar", conta. É comum a comunidade identificar uma situação de vulnerabilidade e buscar apoio das secretarias, por isso, trabalham com as pastas de Educação e Desenvolvimento Social e Trabalho.

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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