Mesmo preso, Lula segue líder da corrida presidencial, aponta Datafolha

Preso desde o último final de semana, o ex-presidente Lula (PT) continua sendo o pré-candidato com índices mais altos de intenção de voto para a eleição de outubro - a candidatura do petista pode ser lançada com ele em regime fechado, mas ainda precisaria ser avalizada pela Justiça Eleitoral para se tornar oficial. Na ausência do petista, Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede) aparecem à frente, em situação de empate técnico. Outros possíveis nomes do PT - Jaques Wagner e Fernando Haddad - não ultrapassam 2% das intenções de voto, assim como inexiste apoio popular no momento às pré-candidaturas do MDB: tanto Michel Temer quanto Henrique Meirelles também têm teto de 2% nas diferentes situações testadas. 

Incluído como opção do PSB à Presidência, o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, se sai melhor, alcançando até 10% da preferência dos brasileiros, sempre em condição de empate técnico, porém numericamente à frente, de Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), ambos ex-governadores e com disputas presidenciais no currículo. Nomes testados pela 1ª vez, Flavio Rocha (PRB) e Guilherme Afif Domingos (PSD) também não passaram de 1% das intenções de voto, no mesmo patamar do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que oscila entre 1% e 2%.

Na última pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a disputa presidencial, em janeiro deste ano, Lula alcançava entre 34% e 37% em cinco diferentes cenários. Na pesquisa atual, oscila entre 30% e 31%. Ainda que a comparação direta entre ambos não seja possível - devido, entre outras mudanças, à entrada de novos nomes no quadro de pré-candidaturas -, a queda no patamar de votos do petista verificada na pesquisa estimulada, quando são apresentados cartões com nomes dos candidatos, é reforçada pela consulta espontânea do levantamento, realizada sem apresentação de nomes, que aponta queda de 17% para 13% nas menções ao ex-presidente. Não houve, porém, ascensão de outros nomes nesse intervalo, com seus principais adversários mantendo seus índices anteriores ou oscilando dentro da margem de erro do levantamento, tanto na consulta estimulada quanto na espontânea.

No total, o Datafolha consultou nove cenários de 1º turno para a disputa pela Presidência da República (A, B, C, D, E, F, G, H, e I), que foram apresentados aos eleitores de forma aleatória, rodiziando os cartões de respostas. Isso significa que parte dos respondentes opinaram primeiro sobre o cenário A, outros iniciaram a questão pelo cenário I, houve aqueles que receberam primeiro o cenário B e assim por diante. Não há um cenário principal que anteceda os demais. Esse sistema de rodízio é utilizado pelo Datafolha em todas as pesquisas em que há mais de uma configuração possível nas opções de resposta.

No cenário estimulado (C) inclui Lula, Bolsonaro, Alckmin, Marina, Barbosa, Ciro e Meirelles, entre outros, o petista tem a preferência de 31%, e na segunda colocação está Bolsonaro, com 15%, à frente de Marina (10%), Barbosa (8%), Alckmin (6%), Ciro (5%), Alvaro Dias, do Podemos (3%), e Manuela D'Ávila, do PCdoB, com 2%. Com 1% pontuam Rodrigo Maia, Fernando Collor de Mello (PTC), Henrique Meirelles e Flávio Rocha, e os nomes de João Amoêdo (Partido Novo), Guilherme Boulos (PSol), Paulo Rabello de Castro (PSC) e Afif Domingos não atingiram 1%. Votos em branco ou nulo somaram 13%, e 3% não opinaram.

A vantagem de Lula sobre os demais nesse cenário é mais ampla, principalmente, nos segmentos de menor escolaridade (38%, ante 9% de Marina e 7% de Bolsonaro), de menor renda familiar mensal (39%, ante 11% de Marina, e 9% de Bolsonaro) e na região Nordeste (50%, ante 7% da ex-senadora da Rede e 7% do deputado do PSL).

A candidatura de Bolsonaro, por outro lado, ganha força, principalmente, entre os mais escolarizados (21%, ante 20% de Lula, 15% de Barbosa e 8% de Marina), em todas as fatias de renda acima de 2 salários (entre os mais ricos, com renda acima de 10 salários, por exemplo, o ex-militar atinge 29%, ante 18% de Lula, 12% de Barbosa e 4% de Marina), e na região Centro-Oeste (24% para Bolsonaro, 23% para Lula e 11% para Marina). Entre os homens, Bolsonaro tem mais do que o dobro de intenções de voto do que entre as mulheres (22% a 9%).

Outros segmentos em que Lula fica abaixo da média e seus adversários avançam, ainda considerando o mesmo cenário, são o de brasileiros brancos (no qual o petista tem 21%, ante 19% de Bolsonaro, 9% de Barbosa, 8% de Marina e 8% de Alckmin), de moradores do Sudeste (23% optam por Lula, 18% por Bolsonaro, 11% por Barbosa, 10% por Marina e 9% por Alckmin) e de moradores da região Sul (23% votariam em Lula, 18% em Bolsonaro e 11% em Alvaro Dias). No Estado de São Paulo, Lula tem 20% as intenções de voto, e na sequência aparecem Bolsonaro (14%), Alckmin (13%), Marina (11%) e Barbosa (11%).

A substituição de Meirelles por Temer (D) não traz alteração significativa à disputa: Lula fica com 30%, Bolsonaro, com 15%, e na sequência aparecem Marina (10%), Barbosa (8%), Alckmin (6%), Ciro (5%), Dias (3%), Collor (1%), Manuela (1%), Maia (1%), Temer (1%), Rocha (1%) e Rabello de Castro (1%), com os demais abaixo de 1% ou não citados. Uma parcela de 14% votaria em branco ou nulo, e 2% não opinaram.

Um cenário (I) mais enxuto, sem presidenciáveis do MDB e PRB, mostra um quadro similar aos anteriores, tendo à frente Lula (31%). O petista é seguido por Bolsonaro (16%), Marina (10%), Barbosa (8%), Alckmin (6%), Ciro (5%), Dias (4%), Manuela (2%), Collor (1%) e Amoêdo (1%), além de Rabello de Castro, Boulos e Afif, que ficaram abaixo de 1%. Brancos e nulos somam 13% neste cenário, e 2% preferiram não opinar.

Nos demais cenários, quando o nome de Lula não é incluído entre possíveis candidatos, Bolsonaro e Marina dividem a liderança.

Com Haddad como nome do PT e Meirelles como presidenciável do MDB (A), o deputado do PSL aparece com 17%, e a ex-senadora da Rede fica com 15%. Empatados, na sequência, aparecem Barbosa (9%), Ciro (9%), Alckmin (7%) e Dias (5%). O cenário inclui ainda Manuela (2%), Haddad (2%), Collor (2%), Maia (1%), Rocha (1%), Meirelles (1%), Amoêdo (1%) e, com menos de 1%, Rabello de Castro, Afif e Boulos. Votariam em branco ou nulo 23%, e 3% não opinaram.

Neste cenário, Marina fica à frente de Bolsonaro na parcela de mulheres (20% a 11%), entre os menos escolarizados (17% a 9%, com 12% de Ciro Gomes), no segmento dos mais pobres (19% a 11%) e no Nordeste (16% a 9%, com 15% de Ciro). O nome de Bolsonaro, por outro lado, destaca-se entre os homens (24%, ante 11% de Ciro, 11% de Barbosa e 10% de Marina), nas faixas de renda familiar mais ricas (28% entre quem tem renda de 5 a 10 salários, ante 15% de Barbosa e 10% de Marina; e 29% entre quem tem renda superior a 10 salários, ante 15% de Barbosa e 12% de Ciro), na fatia de brasileiros que se declaram brancos (20%, ante 11% de Marina) e na região Centro-Oeste (26%, ante 16% de Marina).

Na parcela dos mais jovens, Bolsonaro (23%) e Marina (20%) têm vantagem maior sobre Barbosa (7%), Alckmin (6%) e Ciro (5%). Entre aqueles com curso superior, Bolsonaro tem 21%, e seu adversário mais próximo é Barbosa (17%), e não Marina (10%), que tem o mesmo índice de Ciro (10%). Na região Sudeste, o deputado do PSL tem 19%, ante 14% de Marina, 11% de Alckmin e 11% de Barbosa. No Sul, quem se destaca é Alvaro Dias, que fica com 16%, no mesmo patamar de Bolsonaro (19%) e Marina (13%), e com índice superior ao atingido por Barbosa (6%), Ciro (5%) e Alckmin (4%). No Estado de São Paulo, onde foi governador por cerca de 13 anos, incluindo os dois últimos mandatos, Alckmin atinge 16%, empatado com Bolsonaro (16%) e Marina (13%).

A entrada de Temer no lugar de Meirelles não altera esse quadro (B), com permanência de Bolsonaro (17%) e Marina (15%) à frente, seguidos por Barbosa (9%), Ciro (9%), Alckmin (7%), Dias (4%), Manuela (2%), Collor (2%), Haddad (2%), Temer (2%), Maia (1%), Rocha (1%), Amoêdo (1%), e Boulos (1%), além de Afif e Rabello de Castro, que não pontuaram. Os votos em branco ou nulos somam 24%, e 4% deixaram de opinar.

Um cenário (H) com o ex-prefeito de São Paulo como presidenciável do PT e a ausências de nomes do MDB e de Rodrigo Maia também aponta liderança de Bolsonaro (17%) e Marina (15%), e na sequência aparecem Barbosa (10%), Ciro (9%), Alckmin (8%), Dias (5%), Manuela (3%), Collor (2%), Rocha (1%), Amoêdo (1%), Boulos (1%), Rabello de Castro (1%) e Afif, que ficou abaixo de 1%. Votariam em branco ou nulo 23%, e 4% não responderam à consulta.

Os cenários com Jaques Wagner como presidenciável do PT não alteram a disputa.

Contra Meirelles e mantidos os demais nomes (E), pontuam Bolsonaro (17%), Marina (15%), Barbosa (9%), Ciro (9%), Alckmin (8%), Dias (4%), Manuela (3%), Collor (2%), Wagner (1%), Meirelles (1%), Maia (1%), Rocha (1%), Amoêdo (1%) e Boulos (1%), com Rabello de Castro e Afif abaixo de 1%. Neste cenário, votariam em branco ou nulo 23%, e 4% não responderam.

A substituição Meirelles por Temer (F) mostra Bolsonaro com 17% e Marina com 15%, seguidos mais uma vez por Barbosa (9%), Ciro (9%), Alckmin (7%), Dias (4%), Manuela (2%), Collor (2%), Maia (1%), Wagner (1%), Temer (1%), Rocha (1%) e Amoêdo (1%), além de Boulos, Aif e Rabello de Castro, que não pontuaram. Votos em branco ou nulo representam 23%, e 3% não responderam.

O cenário sem nenhum nome do PT e Henrique Meirelles na disputa pelo MDB (G) também traz Bolsonaro (17%) e Marina (16%) empatados, e na sequência aparecem Barbosa (9%), Ciro (9%), Alckmin (8%), Dias (4%), Manuela (2%), Collor (2%), Maia (1%), Meirelles (1%), Rocha (1%) e Amoêdo (1%) e Boulos (1%), com Afif e Rabello de Castro abaixo de 1%. Votariam em branco ou nulo 23%, e 3% não opinaram.

Na intenção de voto espontânea, quando o nome dos possíveis candidatos não é apresentado, Lula é citado por 13% (tinha 17% em janeiro deste ano), e Bolsonaro, por 11% (similar ao último levantamento, quanto tinha 10%). Também foram mencionados os nomes de Ciro Gomes (1%), Geraldo Alckmin (1%), Alvaro Dias (1%), Marina Silva (1%) e Joaquim Barbosa (1%), entre outros que não atingiram 1%. A fatia dos que não souberam apontar nenhum nome é de 46%, no mesmo patamar de janeiro (48%). Além disso, 21% declaram espontaneamente que irão votar em branco ou nulo (em janeiro eram 19%).

Os nomes incluídos nos cenários estimulados de 1º turno foram avaliados pelos brasileiros também sob o critério de rejeição, ou seja, quais deles não receberiam de jeito nenhum o voto dos entrevistados. O atual presidente, Michel Temer, lidera essa lista: 64% não votariam nele de jeito nenhum para a Presidência da República. O segundo mais rejeitado é Fernando Collor de Mello (41%), em patamar próximo à rejeição enfrentada por Lula (36%). Na sequência aparecem Bolsonaro (31%), Alckmin (29%), Ciro (23%), Marina (22%), Maia (21%), Haddad (19%), Meirelles (17%), Wagner (15%), Dias (14%), Manuela (13%), Rocha (13%), Rabello de Castro (13%), Afif (12%), Amoêdo (12%), Boulos (12%) e Barbosa (12%). Há ainda 2% que votariam em qualquer um deles, 4% que rejeitam todos, e 2% que preferiram não opinar.

Lula e Marina são nomes mais fortes em disputas de 2º turno
Nas simulações de segundo turno realizadas, o ex-presidente Lula aparece à frente nas situações nas quais seu nome é apresentado.

Contra Alckmin, o petista tem 48% das intenções de voto, e o governador de São Paulo, 27%. Votariam em branco ou nulo 23%, e 1% não opinou. Em novembro, Lula tinha 49%, e Alckmin tinha 30%, com 21% optando pelo voto branco ou nulo.

Na disputa contra Marina, o petista aparece com 46%, ante 32% da ex-senadora da Rede. Há ainda 21% que votariam em branco ou nulo, e 1% que não opinou. Na última pesquisa, o ex-presidente tinha 47%, Marina aparecia com 32%, e 20% votariam em branco ou nulo.

No embate entre Lula e Bolsonaro, 48% preferem o ex-presidente, e 31%, o deputado federal. Os votos em branco ou nulo neste cenário somam 19%, e 1% não respondeu. Em janeiro, o petista tinha 49%, ante 32% do adversário, além de 19% que não votariam em branco ou nulo.

Em uma disputa entre Ciro e Alckmin, ambos têm 32%, e 33% votariam em branco ou nulo, além de 3% que preferiram não opinar. No levantamento anterior, Alckmin tinha 34%, ante 32% do ex-governador do Ceará, com 31% optando pelo voto em branco ou nulo.

Se o 2º turno fosse disputado entre Marina e Bolsonaro, a ex-senadora do Acre teria 44% das intenções de voto, ante 31% do ex-militar. Votariam em branco ou nulo 23%, e 2% não opinaram. Na comparação com janeiro, Marina oscilou (tinha 42%), Bolsonaro ficou estável (tinha 32%) e oscilou negativamente a intenção de votar em branco ou anular (eram 25%).

Na disputa entre Alckmin e Bolsonaro, há empate, com 33% optando pelo tucano, e 32%, pelo adversário. Uma parcela de 32% preferiria anular ou votar em branco, e 2% não opinaram. Na pesquisa de janeiro, o tucano tinha 35%, ante 33% de Bolsonaro, com 30% optando por branco ou nulo.

A simulação de 2% turno entre Marina e Alckmin mostra vantagem da ex-senadora (44%) sobre o presidenciável do PSDB (27%). Também é de 27% o índice dos que optariam por votar em branco ou nulo, e há 2% que não opinaram.

O confronto direto entre Ciro e Bolsonaro mostra um empate (35% para ambos), com 28% de votos em branco ou nulo e 3% sem opinião.

Alternativas a Lula como nomes do PT, Fernando Haddad e Jaques Wagner ficam atrás dos adversários nos cenários de 2º turno testados.

Contra Bolsonaro, o ex-prefeito de São Paulo tem 26%, ante 37% do adversário. Nesta disputa, 33% votariam em branco ou anulariam, e 4% preferiram não opinar. Quando o adversário de Haddad é Alckmin, o tucano lidera com 37%, e o petista fica com 21% das intenções de voto. Uma fatia de 38% votaria em branco ou nulo, e 3% não opinaram.

O ex-governador da Bahia teria 23% da preferência em eventual 2º turno contra Bolsonaro, que alcança 39%. O percentual de brancos e nulos soma 35%, e 3% não responderam. Contra Alckmin, Jaques Wagner tem 17%, e o ex-governador paulista, 41%, com os demais se dividindo entre votos branco ou nulos (39%) e aqueles sem opinião sobre a disputa (4%).

Entre os eleitores de Lula, 66% admitem votar em um candidato apoiado por ele
O apoio do ex-presidente Lula a um candidato levaria três em cada dez brasileiros (30%) a certamente optar por este nome na eleição presidencial deste ano. A fatia dos que não votariam de jeito nenhum neste presidenciável, no entanto, é maior (52%), e os demais talvez optassem por um candidato apoiado pelo ex-presidente (16%) ou não opinaram (2%). O grau de influência do apoio de Lula sobre votos considerados certos teve leve crescimento desde janeiro deste ano, quando 27% apontavam votar em um candidato apoiado por ele. À época, havia 53% que rejeitavam votar em um nome apoiado pelo petista, e 17% que deixavam em aberto essa hipótese.

Entre os menos escolarizados, 43% declaram votar com certeza em um presidenciável apoiado por Lula. Esse índice é de 39% entre os mais pobres, de 39% na região Norte e de 51% na região Nordeste. Além disso, dois em cada três (66%) brasileiros que declaram votar em Lula no 1º turno da eleição presidencial (C) apontam que votariam certamente em um candidato apoiado por ele para presidente (21% poderiam votar).

A taxa de preferência fiel por um candidato apoiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fica em 10%, contra uma maioria (66%) que deixaria de votar em um presidenciável que recebesse o apoio do tucano. Há ainda 21% que talvez votassem nesse candidato, e 3% que não opinaram. A comparação desses resultados com os obtidos em janeiro mostra um grau de influência estável do ex-presidente tucano: há três meses, 64% rechaçavam alguém apoiado por Fernando Henrique, 10% encampavam essa candidatura, e 22% talvez considerassem o voto.

Também em patamar estável, o apoio do presidente Michel Temer segue sendo o mais rejeitado pelos brasileiros: 86% não votariam em um candidato a presidente apoiado pelo peemedebista, 3% votariam com certeza neste concorrente, e 8% poderiam votar.

Fonte: Datafolha

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