Barbalha (CE): Hospitais passam por dificuldades

São 45 municípios com cerca de 1,5 milhão de habitantes o público atendido pelo Hospital Maternidade São Vicente de Paulo, Hospital Santo Antonio e Hospital do Coração, referências nas regiões do Cariri e Centro-Sul, além de estados vizinhos, no tratamento oncológico, neurológico e cardíaco. Os três passam por problemas para atender a demanda de pacientes.

A situação mais grave se encontra no Hospital do Coração e no Hospital Santo Antônio, que atende a cardiologia e neurologia, respectivamente. Apesar do teto financeiro para os procedimentos de alta complexidade terem subido, em maio, nos dois hospitais, o valor não é suficiente para atender o atual número de pacientes.

Segundo diretor de projetos das duas unidades, Egberto dos Santos, as cirurgias são caras e a demanda é grande. "Muitas vezes, o paciente chega, mas o problema não é grave. Ele entra na fila de espera, e o problema se agrava com o tempo. O procedimento que era simples, fica mais caro", explica.

Hoje, o Hospital Santo Antônio atende pelo SUS, cerca de 2.100 pacientes, enquanto o Hospital do Coração, em torno de 1.200, contando consultas, internações, exames e cirurgias. "Nós somos obrigados a atender 60%, mas chegamos a atender até 90%. O Ministério da Saúde sabe disso. Os dois hospitais estratégicos, essenciais para o SUS, pelos serviços e pela resolutividade", garante Egberto.

"Para ter possibilidade de manter as portas abertas, podemos reduzir funcionários e o número de atendimentos. Fazer um aperto. Mas isso não é bom nem para o Hospital nem para a população. Pode ter gente morrendo sem atendimento e vai virar um caos", lamenta Egberto.

Alguns pacientes estão indo até Fortaleza por conta da fila de espera, gravidade e porque o teto financeiro não tem condições de atender. Por isso, Egberto prevê que, com o aumento do recuso, os problemas serão resolvidos. "Vamos buscar zerar a fila de espera o quanto antes, aí teremos tranquilidade de fazer conforme a demanda. Em três, quatro anos, atender o Cariri sem mais problema ou até pensar numa ampliação", completa.

Espera
Enquanto os problemas não se solucionam, os pacientes são os mais prejudicados. É o caso do aposentado Francisco Moreira, 63, morador de Juazeiro do Norte. Ele espera há mais de 30 dias para ser operado do coração. "A gente se agonia porque a vontade é tá em casa", lamenta.

O enfermeiro José Sávio, que acompanha o Hospital do Coração, conta que alguns pacientes não suportam a espera e acabam morrendo. "Nós ficamos abalados, frustrados. Se tivesse recursos proporcionais, alguns passariam, no máximo 3 a 4 dias, em casos de infarto".

O Hospital Maternidade São Vicente de Paulo (HMSVP) sofre com um alto índice de partos cesariana, que ultrapassa 42%. O hospital tem, em média, 58% dos nascimentos a partir de intervenção cirúrgica. Com isso, a despesa não são pagas pelo Ministério da Saúde. "Fica na responsabilidade do Hospital. Estamos reivindicando que esses excedentes sejam colocados no TAC com esse recurso que foi liberado", completa Ernani.

O Ministério da Saúde informou que, até o momento, não recebeu solicitação formalizada referente ao aumento do Teto de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar (Teto MAC) para os hospitais de Barbalha. De acordo com o Fundo Nacional de Saúde, houve um crescimento de 80% no repasse federal referente ao Limite Financeiro de Média e Alta Complexidade para o município entre 2010 e 2017, passando de R$ 38,6 milhões para R$ 69,6 milhões.

Além disso, esclarece que a gestão do SUS é compartilhada entre União, Estados e Municípios, responsáveis pela execução dos serviços e a organização da rede de assistência à população, custeados com repasses federais, estaduais e municipais, conforme determina a Constituição Federal. Os valores repassados são pactuados entre os gestores locais e prestadores, mediante acordo referente à oferta assistencial de cada unidade.

Recurso
Em maio, foram liberado R$ 11 milhões para o HMSVP, no tratamento de quimioterapia, radioterapia e cirurgias. "A fila, que chegou a 400 pessoas, hoje está zerada, dentro do prazo que prevê a portaria, 60 dias. Mas em menos de 30 dias já está sendo tratado, em média e alta complexidade", conta o secretário executivo do HMSVP, Antonio Ernani de Freitas.

A expectativa é que em janeiro, o serviço de oncologia pediátrica seja reaberto, inclusive, o HMSVP vai pedir o credenciamento deste atendimento. Além disso, o hospital realiza uma reforma para ampliar os serviços. Hoje, a unidade recebe 1.200 pessoas para quimioterapia e 80 na radioterapia. Este último, funciona também à noite.

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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