Zé Ailton Brasil: "Espero que a gente consiga dar mais qualidade de vida para a população do Crato". Confira entrevista

Dois anos após assumir o primeiro mandato eletivo, o deputado estadual José Ailton Brasil deixa a Assembleia para assumir a Prefeitura do Crato, uma das principais cidades do Ceará. Diante da atual crise econômica brasileira, o prefeito eleito planeja um mandato com redução da máquina administrativa, corte de gastos e qualificação da arrecadação de tributos. Segundo ele, essas são as medidas prioritárias e necessárias para manter os serviços básicos à população. Na entrevista a seguir, José Ailton comenta suas estratégias de gestão neste momento de crise e defende atuação conjunta entre os prefeitos do Cariri para criar um plano de desenvolvimento econômico.

Qual é a expectativa que o senhor tem desta nova jornada política, saindo do Legislativo para o Executivo?
Todo político tem o sonho de administrar seu município, mas não pensei que seria tão rápido. Minha ideia inicial era terminar o mandato de deputado, mas as circunstâncias políticas mudaram. O governador determinou a escolha entre os pré-candidatos do Crato para dar sustentação ao governo. Meu nome apareceu na pesquisa como o que a população gostaria de ver como prefeito. Pra mim, é um momento ímpar, de alegria e também de responsabilidade para fazer com que a cidade volte a crescer.

Hoje o País passa por dificuldades financeiras. Qual a expectativa que o Crato pode ter a partir de janeiro?
A primeira coisa que a nossa equipe está fazendo é enxugar a máquina, reduzindo de 20 para 13 secretarias e também de 450 para 300 cargos comissionados. O nosso primeiro dever é a atualização da folha dos servidores e a organização de um calendário para que eles não recebam mais em atraso. Além disso, um dos nossos principais problemas é a saúde. Queremos atacar diretamente esse problema para garantir atendimento e medicamentos de qualidade à população. Outra coisa que quero focar bem são escolas de tempo integral. Também queremos criar um amplo plano econômico para poder gerar emprego e renda.

Como resolver o problema do atraso dos servidores, se a economia do País não permite que municípios recebam mais recursos do Estado e da União?
Eu vejo duas maneiras. Primeiro, nós temos que reduzir gastos. Queremos diminuir os cargos comissionados e dar um choque de gestão. O segundo ponto é dar eficiência à arrecadação sem aumentar a carga tributária, mas qualificando a cobrança. Hoje nós temos uma grande parcela que não paga ISS ou está com IPTU atrasado. O Crato é a sexta cidade do Estado e teve arrecadação inferior a outros municípios menores. Então precisamos melhorar a arrecadação e fazer um caixa para investimentos.

Crato perdeu a sua liderança para Juazeiro do Norte em termos políticos. Qual a expectativa do senhor para que o município volte a ter a mesma expressão política de antes?
Há uma competitividade entre Crato, Juazeiro e Barbalha que não é boa pra nenhum dos municípios. É preciso que todos eles se unam para que a região cresça como um todo. Temos um potencial grande para o Turismo. Precisamos nos unir, e já comecei a conversar com os prefeitos eleitos, para fazermos um plano de desenvolvimento conjunto. É dessa maneira que espero trabalhar nos próximos quatro anos.

O bairrismo das pessoas, especialmente de Juazeiro e Crato, é um complicador pra isso?
Sim. É pelo bairrismo que o Crato é o Crato, mas é também esse amor que pode fazer com que a cidade cresça e lidere vários processos políticos e culturais. É preciso respeitar os outros municípios e colaborar para que cresçam conosco. O bairrismo deve ser o amor pela cidade, mas sem competição.

O senhor já comentou que assumiria a Prefeitura, mas o Crato ficaria sem representantes na Assembleia. Como garantir que o Crato e o Cariri se sintam representados nos Legislativos?
A cada eleição, se candidatam muitas pessoas e se dividem os votos. Com a disputa e sem união, não conseguimos chegar às casas legislativas. O Crato, a cada quadriênio, tem perdido seu prestígio político, a representação que tivemos no passado. Precisamos trabalhar pela união para que a gente tenha também maior representação. Estou feliz em administrar o Município, mas tem o outro lado com uma certa tristeza porque não deixamos nenhum representante. O Cariri tem perdido muita representação política nos últimos anos. Cabe a mim e ao Arnon (prefeito eleito de Juazeiro) rever esse projeto de fortalecimento político do Cariri. Acho que devemos lutar por mais espaço.

Que relação o senhor tem com a Câmara que assume em janeiro?
Dos 19 vereadores, a nossa base tem 11. Mas quero administrar o Crato com a ajuda e a discussão de todo o Poder Legislativo. Quero ter um relacionamento de respeito mútuo com a Câmara para que juntos possamos encontrar as soluções.

O senhor leva alguma coisa da experiência na Assembleia para a relação com os vereadores?
O Legislativo é uma grande experiência, um espaço pra aprender a dialogar. Tudo isso levo para ter um relacionamento melhor com a Câmara do Crato e com entidades da sociedade. Uma coisa que acho interessante do governador Camilo é que ele conversa com a base sobre os impactos das matérias mais polêmicas. Isso é muito importante, e vou levar comigo.

O senhor pretende reduzir as secretarias e os cargos comissionados, o que poderá deixar muita gente de fora do governo, e o legislador gosta de indicar nomes. Isso não dificulta a aprovação das suas proposições?
Com certeza, mas tenho mostrado aos vereadores que não é um desejo meu. Para mim, seria mais cômodo deixar os comissionados, mas não posso pensar apenas no lado político. Só tenho como melhorar a vida do cidadão se reduzir a máquina. Os vereadores irão entender que muito melhor que um quadro grande de servidores é ter um posto de saúde funcionando e deixando as pessoas satisfeitas. O que estamos fazendo hoje é pensando na sociedade, para que ela tenha um serviço público de qualidade.

Como o senhor pensa em sensibilizar a população a pagar os impostos?
Primeira coisa que precisamos fazer é estruturar a Secretaria de Finanças. A gente quer centralizar a arrecadação na pasta e renegociar os débitos antigos. Vamos fazer essa cobrança amigavelmente para recolher o que é cabível ao Município. No lugar de aumentar a carga tributária, queremos fazer com que mais pessoas paguem.

Qual a maior riqueza do Cariri hoje?
A maior riqueza do Cariri hoje é a natureza. Temos um potencial imenso com a Chapada do Araripe, o Geopark, a agricultura familiar, o turismo religioso. A geografia favorece para que o Crato possa ter um grande desenvolvimento no futuro. Também tem a parte da cultura, que não podemos esquecer. Temos a riqueza cultural e a natureza, está faltando a gente trabalhar harmonicamente.

O Cariri tem vocação industrial?
Temos como incentivar mais tanto o polo calçadista do Cariri, expandindo para o Crato, como outras indústrias que poderão se desenvolver na área de alimentos. Mas a área mais forte é o turismo.

O que o senhor espera ter feito depois do mandato de quatro anos?
Espero que a gente consiga dar mais qualidade de vida para a população. Que a gente possa melhorar os péssimos índices de Educação no Crato e ter escolas nota dez. Que a gente possa ter saúde funcionando, que é uma das maiores reclamações. E, principalmente, que a gente possa gerar emprego e poder dizer que o PIB do Crato cresceu em quatro anos.

BEATRIZ JUCÁ/EDISON SILVA
REPÓRTERES

Fonte: Diário do Nordeste

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