Eleições 2012: Cidades têm gasto similar a Capital

Os valores gastos pelos candidatos dos cinco maiores colégios eleitorais cearenses durante a campanha, excluindo Fortaleza, são tão expressivos quanto da Capital. Juntos, os prefeituráveis de Caucaia, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Crato e Itapipoca arrecadaram R$ 9 milhões e declararam ter gasto R$ 8,6 milhões. Os empresários predominam na lista de doadores, e as principais despesas envolvem gastos com publicidade em material impresso, carros de som e combustível. As informações estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No segundo maior colégio eleitoral do Estado, Caucaia, o prefeito eleito, Dr. Washington (PRB), desembolsou R$ 1,4 milhão. Desse montante, R$ 1 milhão foi doado pela empresa Aço Cearense Industrial Ltda. Com publicidade impressa, o candidato gastou R$ 344 mil e R$ 30 mil foram destinados para comícios.

Já Inês Arruda (PMDB) conseguiu arrecadar R$ 477 mil, grande parte doada pela direção nacional do partido, R$ 300 mil. A empresa Aço Cearense Industrial Ltda também doou R$ 100 mil à candidata. Inês Arruda dispensou R$ 64 mil para combustíveis e lubrificantes e R$ 72 mil para produção de programas de rádio e TV.

O pleiteante do PSL, Naumi Gomes, declarou despesas de R$ 593,9 mil, sendo R$ 155 mil financiados pela empresa Alves Holanda e Cia Ltda. Já Paulo César Vieira, do PSDB, arrecadou R$ 200 mil e gastou R$ 206 mil, sendo R$ 86 mil com combustível. O tucano recebeu R$ 150 mil da empresa Cigel Distribuidora de Cosméticos Ltda.

Modesta
O postulante Amarílio Moura (PRTB) apresentou receita de R$ 82 mil, mas só gastou R$ 25,8 mil. Antônio Uedson (PPL) teve despesas de R$ 8 mil. A campanha mais modesta do município foi a de Juscelino de Souza (PSOL), que custou pouco mais de R$ 2 mil.

Em Juazeiro do Norte, a campanha mais cara foi do candidato eleito, Raimundo de Macêdo (PMDB), que custou quase R$ 1,3 milhão, mas R$ 640 mil foram oriundos de doação própria. A Tecnolity do Nordeste Ltda contribuiu com R$ 290 mil. Só para pesquisas ou testes eleitorais, ele destinou R$ 300 mil, enquanto R$ 350 mil foram direcionados para produção de programas de rádio e televisão.

Já o oponente Raimundo Santana (PT) declarou gastos de R$ 850 mil, arrecadados em dezenas de doações de pessoas físicas e jurídicas. As despesas com combustíveis e lubrificantes chegaram ao valor de R$ 106 mil. Já Francisco Demontieux (PSOL) arrecadou R$ 8,2 mil, mas só gastou R$ 2,7 mil.

Parcelas
No quarto maior colégio eleitoral do Estado, Maracanaú, as campanhas dos três prefeituráveis custaram mais de R$2,2 milhões. O prefeito eleito, Firmo Camurça (PR), gastou R$ 1,2 milhão. O candidato recebeu R$ 264 mil, em nove parcelas, da empresa Hidrotintas Indústria e Comércio de Tintas Ltda e R$ 232 mil do diretório municipal do partido ao qual é filiado. As principais despesas do postulante foram com pessoal e publicidade em carro de som.

Por sua vez, Júlio César (PSD) declarou ter desembolsado R$ 914 mil, sendo R$ 570 mil doados pela direção estadual do partido. Os principais custos do candidato foram com serviços terceirizados e carros de som. Com financiamento inexpressivo, o pleiteante Ciro Augusto (PSOL) declarou receitas e despesas de apenas R$ 350.

No Crato, o candidato mais votado, Ronaldo Sampaio (PMDB), financiou a própria campanha. Dos R$ 676 mil arrecadados, ele foi responsável pela doação de R$ 522 mil. Com materiais publicitários impressos, ele gastou R$ 100 mil. Já Antônio Roque (PSB) apresentou receitas e despesas de R$ 354 mil. O diretório estadual do partido doou R$ 200 mil.

Marcos Bezerra (PT) declarou receitas e despesas no valor de R$ 117 mil, dos quais R$ 89 mil foram doados por ele próprio. A prestação de conta da campanha do candidato Cícero Luiz (PV) não está disponibilizada no site do TSE.

No sexto colégio eleitoral do Estado, Itapipoca, o vencedor das eleições, Dr. Dagmauro (PT), apresentou ao TSE despesas da ordem de R$ 564 mil, mas arrecadou R$ 660 mil. Desse valor, R$ 68 mil foram destinados para cessão ou locação de veículos e R$ 30 mil a comícios. Da direção estadual do partido, o petista recebeu R$ 302 mil. O candidato Roberto Pinto (PMDB) não entregou prestação de contas à Justiça Eleitoral.

Proporcional
Levantamento feito nos cinco maiores municípios do Estado mostrou discrepância nos custos de campanha dos vereadores. Enquanto alguns declararam gastos comparáveis aos da Capital, embora disputem em colégios eleitorais menores, outros candidatos eleitos apresentaram ao TSE uma prestação de contas um tanto modesta.

Em Caucaia, a campanha do vereador mais votado, João Campos (PSD), custou R$ 40 mil, dos quais R$ 13 mil foram aplicados só em combustíveis. Em seguida, Cláudia Cordeiro (PRB) conseguiu arrecadar R$ 29 mil, mas declarou despesas de apenas R$ 17,5 mil. O terceiro mais votado, Pastor João Andrade (PRB), gastou R$ 38 mil, recebendo R$ 19 mil do Comitê Financeiro Municipal para Vereador e R$ 17 mil da direção nacional do partido. Só com materiais publicitários, ele gastou R$ 29 mil.

O vereador eleito Sílvio de Alencar Martins (PRP) apresentou receita de R$ 61 mil, sendo R$ 30 mil advindos da empresa Aço Cearense Industrial Ltda, a mesma que financiou as campanhas para prefeito do município. Já Francisco José de Castro Miranda (PRB) gastou aproximadamente metade do que arrecadou. A receita foi de quase R$ 28 mil e a despesa, R$ 13,5 mil.

O candidato a vereador mais bem votado de Juazeiro do Norte, João Borges (PRTB), teve despesas totais de R$ 7,5 mil. O segundo do ranking, Ivan de Moura (PTdoB), apresentou receitas e despesas de apenas R$ 1,8 mil. Em seguida, o então candidato Darlan Lobo (PMDB) financiou a própria campanha, destinando R$ 13 mil, em quatro parcelas, gastos com material publicitário e combustíveis.

Antônio Vieira (PTN) também foi um dos vereadores eleitos que pagaram a própria campanha. Ele gastou R$ 7,5 mil. Quinto em votos do município, Antônio Alves arrecadou e gastou R$ 26 mil.

Investimento
Em Maracanaú, o vereador que obteve mais votos, Carlos Alberto (DEM), declarou receitas e despesas de R$ 30 mil, sendo R$ 13 mil oriundos de doações próprias. Valdemi Peixoto (PR) também custeou sua campanha. Ele doou R$ 40 mil dos R$ 47 mil arrecadados. O terceiro candidato a vereador mais bem votado de Maracanaú, Lucinídio Brito (PV), gastou R$ 86 mil, investimento considerado elevado para o tamanho do eleitorado.

A candidata eleita Helenita Sousa (DEM) arrecadou e gastou R$ 31 mil durante a campanha, conforme declarado. Já Adauto Parente, do mesmo partido, gastou muito mais do que conseguiu arrecadar. Ele apresentou despesas de R$ 31 mil contra receita de R$ 8 mil.

No município do Crato, o postulante a vereador mais votado, Thiago Esmeraldo (PP), declarou despesas e receitas de apenas R$ 3 mil. Segundo no ranking, Raimundo Soares (PV) também teve gastos modestos, de apenas R$ 2,5 mil. Já Luís Carlos Duarte (PSL), terceiro em votos do município, dispensou R$ 4,3 mil para campanha.

Jales Velloso (PTN) elegeu-se vereador no Crato com investimentos de R$ 3,6 mil. Helder de Oliveira (PSDB), o quinto mais votado entre os vereadores, também está na média dos colegas. Ele declarou despesas de R$ 3,7 mil na campanha.

Já em Itapipoca, os gastos por vereador são considerados mais onerosos, levando-se em conta o tamanho do eleitorado. O vereador mais votado, Gustavo Barroso (PV), declarou ao TSE despesas de R$ 34,7 mil. O segundo da lista, Raimundo Filho (PT), desembolsou R$ 28,8 mil na campanha. Flailton Ferreira (PDT) gastou quase R$ 17 mil para eleger-se vereador.

Por sua vez, Euritonio Sousa (PMDB) teve despesas mais amenas, declarando ter desembolsado R$ 7,5 mil. A quinta vereadora mais votada no Crato, Ana Paula Braga, apresentou despesas de R$ 15,7 mil.

LORENA ALVES
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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