Febre Aftosa: Ceará impede trânsito de rebanho vindo do RN e PB

Está proibido no Ceará o trânsito de animais e seus derivados dos Estados vizinhos da Paraíba e Rio Grande do Norte. As barreiras já estão sendo montadas nas divisas cearenses, com a mobilização de fiscais da Agência de Defesa Agropecuária (Adagri), órgão da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), com apoio da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A decisão foi tomada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que restringiu, a partir do dia 17 passado, o ingresso de animais vivos susceptíveis à febre aftosa, seus produtos e subprodutos nos seis Estados envolvidos no inquérito soroepidemiológico (Alagoas, Pernambuco, Ceará, Piauí, Maranhão e parte central do Pará). A norma vale para bovinos, caprinos, suínos, ovinos e bubalinos.

Os Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Roraima, Amapá e Amazonas (exceto parte dos Municípios de Lábrea e de Canutama e as cidades de Boca do Acre e Guajará que já são classificados como livre de aftosa com vacinação) - considerados de alto e de médio risco - foram explicitamente citados como proibidos de transitar seus rebanhos e derivados, desde que fiquem submetidos à quarentena (com confinamento) ou que os produtos industrializados detenham o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para Estados livres ou de médio risco de circulação da febre aftosa.

O presidente da Adagri, Augusto Júnior, disse que a tendência para os próximos dias será a intensificação das barreiras com os Estados vizinhos que tiveram a proibição do trânsito. Para tanto, serão monitoradas todas as entradas e saídas do Estado de maior ao menor fluxo, inclusive estradas vicinais, a fim de se evitar eventuais rotas de fuga.

Dever de Casa
"O Ceará fez seu dever de casa e estamos numa luta incessante para obter o status de zona livre da febre aftosa e o selo internacional para o livre comércio, o que alavancará as exportações cearenses", disse o presidente da Adagri. Ele explicou que há um grande potencial para a elevação das exportações cearenses pelo Porto do Pecém, onde já se fazem de forma expressiva a movimentação de frutas e calçados. "Com a liberação da carne e dos derivados animais, a pauta deverá ter um elevado crescimento ", enfatizou o presidente.

Para Augusto Júnior, o Estado não pode ser responsabilizado se outras unidades da federação não tiveram o mesmo cuidado e o propósito, no cumprimento do calendário da cobertura de vacinas e no pleito para elevação do status. Já no próximo dia 18 e se estenderá até a terceira semana de julho.

Os resultados deste exame deverão ser divulgados até outubro e até dezembro deste ano sai o resultado esperado de "livre da aftosa". Já em maio de 2013, este resultado poderá ter reconhecimento internacional. "Estas decisões do Mapa são, dentre outros objetivos, que o Brasil não sofra vexames quando houver a inspeção internacional e assim obter o livre comércio para outros Países", afirmou Augusto Júnior.

Ontem, ele esteve em Brasília para discutir no Mapa estratégias para maior fiscalização nas barreiras. A Adagri deverá mobilizar cerca de 100 funcionários, entre médicos veterinários e agentes. Além disso, foram repassadas metodologias de monitoramento das 240 propriedades que poderão ser inspecionadas no próximo mês.

De acordo com o Mapa, o objetivo da determinação, publicada por meio da Instrução Normativa nº 11, no Diário Oficial da União (DOU), é reduzir possíveis riscos de introdução do vírus na área em estudo para que o Brasil possa ampliar a zona livre de aftosa com vacinação no final do ano.

Exclusão
Estão excluídos do inquérito soroepidemiológico, no Estado do Pará, os municípios de Afuá, Breves, Faro, Gurupá, Melgaço, Terra Santa; as partes do município de Chaves localizadas na região do Rio Croarí e ainda as ilhas deste município; a região localizada à margem esquerda do Paraná do Rio Juriti Velho e toda a região do Rio Mamurú, na divisa com o Amazonas.

Os ingressos nas áreas envolvidas no inquérito soroepidemioló-gico para avaliação de circulação do vírus da febre aftosa deverão cumprir uma série de requisitos (previstos na Instrução Normativa nº 44, de 2 de outubro de 2007). Para que animais e produtos derivados dos Estados restringidos possam circular em outras localidades, os bovídeos precisarão ser quarentenados e submetidos a exames sorológicos antes de ingressarem na região sob inquérito. A divisa dos Estados também receberá barreiras de fiscalização, com apoio de policiais militares dos batalhões das suas respectivas regiões, além dos efetivos da Polícia Rodoviária Estadual (PRE).

A inspeção tanto leverá em conta o documento da Guia de Transporte de Animais (GTA) e, no caso de produtos industrializados, a obrigatoriedade do selo credenciado do SIF.

"Essas medidas são positivas porque procuram beneficiar e garantir que o vírus da febre da aftosa não venha a ser uma ameaça para o nosso rebanho", disse Augusto Júnior.

Ele negou que os efeitos da seca, com a diminuição dos pastos e rebanhos, possam a incentivar ações ilícitas nos transportes dos animais.

Mais informações
Adagri
Bezerra de Menezes, 1820 - São Gerardo
Telefones: 3101.8056 e 3101.8160

MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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