Caderneta de poupança: mudanças e queda dos juros

Conforme já era esperado pelo governo, o anúncio da mudança nas regras da caderneta de poupança foi recebido com atenção parcimoniosa pela opinião pública. As explicações sobre os motivos da medida (a necessidade de baixar os juros em geral para a economia avançar) estão sendo bem digeridas. É que o acesso ao crédito alcança um contingente cada vez maior da população e esta vinha reclamando taxas de juros mais baixas para empréstimos e financiamentos.

A caderneta é um instituto considerado quase intocável, por se constituir em ponto nevrálgico para a credibilidade do sistema. No Brasil, surgiu por iniciativa de Dom Pedro II, em 1861 com a finalidade de “receber, a juro de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas e de assegurar, sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer a cada contribuinte, quando este o reclamar”. A credibilidade da poupança só foi afetada pelo desastrado confisco de seus fundos pelo governo Collor, em 1990. O trauma foi tão profundo, na população, que hoje o governo “pisa em ovos” quando tem de anunciar alguma medida corretiva nessa área.

Desta vez, o governo Dilma teve o cuidado de avisar que os depósitos feitos até o dia 3, último, não sofreriam qualquer alteração em sua remuneração. Só os depósitos realizados a partir do dia 4 poderiam sofrer alguma alteração na remuneração (70% da Selic + a TR). Assim mesmo, só se a Selic ficasse abaixo de 8,5%. E continua a valer a isenção de Imposto de Renda.

Se não houvesse essa mudança, quando a Selic ficasse abaixo dos 8,5%, as aplicações em renda fixa teriam ganhos abaixo dos da poupança e então os aplicadores correriam para esta. Com isso, não haveria mais como o governo tomar dinheiro emprestado para financiar a dívida pública, pois os depósitos da poupança são destinados (65%), obrigatoriamente, ao financiamento do sistema habitacional.

Dessa forma, os juros se manteriam elevados e o crescimento do País seria travado. Ao contrário, com as mudanças efetuadas na poupança os juros, em geral, cairão e as prestações tanto de empréstimos como de financiamento de bens de consumo ficarão bem mais baratas.

Fonte: Blog do Eliomar / O Povo

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