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Contra desemprego, Bolsonaro propõe leis que "beirem informalidade"

O pré-candidato a presidente da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, defendeu nesta segunda-feira (21) que as leis trabalhistas no Brasil devem "beirar a informalidade" e que, se eleito, pretende implementar no país "algo parecido com o que ocorre nos Estados Unidos" --onde empresas e funcionários negociam diretamente, sem a predominância de acordos coletivos entre patrões e sindicatos.

Na visão dele, a flexibilização ainda maior em relação à reforma trabalhista aprovada pelo governo do presidente Michel Temer (MDB) seria a medida mais eficaz no sentido de combater o desemprego.

"É melhor ter menos direito e emprego do que todos os direitos e desemprego", declarou ele, em evento organizado pela ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro), no Rio.

Bolsonaro disse ainda considerar que a intervenção federal na segurança pública do Rio é uma "intervenção política", mas que, considerando o atual cenário de violência no Estado, "antes ela do que nada". "Se eu chegar lá, a intervenção vai ser feita para valer. Com planejamento e ao lado de generais, delegados, policiais federais e coronéis da Polícia Militar", afirmou.

O pré-candidato declarou que é favorável a um Código Penal mais duro e voltou a defender de forma enérgica a liberação do porte e da posse de armas por cidadãos comuns, uma das bandeiras de sua campanha.

Questionado sobre a formação de sua chapa, Bolsonaro negou ter convidado a advogada Janaina Paschoal para ocupar a função de vice. Segundo ele, houve apenas uma conversa entre os dois, por telefone, e que eleição presidencial não foi um dos assuntos abordados. O pré-candidato disse que a ideia de sua equipe é chegar a uma aliança com o PR e indicar o senador capixaba Magno Malta como vice.

Os jornalistas que estavam no evento insistiram na pergunta, mas ele se esquivou e não elencou nomes. "Tanto faz. Alguém que agregue, tenha boas ideias e trânsito em vários setores da sociedade. Não interessa se é homem ou se é mulher."
O representante do PSL na corrida presidencial afirmou que rejeitará participar de costuras políticas a fim de ampliar a sua visibilidade e fortalecer a campanha. "Se eu tiver que negociar com partidos, [eles] estão fora. Se qualquer outro candidato tivesse com 20% [de intenções de voto], como eu tenho, todos os cargos já estariam loteados e rateados", destacou.

"A imprensa sempre diz que eu não teria governabilidade. Mas o que está sendo feito agora é governabilidade ou 'assaltabilidade'?", completou ele, antes de receber aplausos dos empresários.

Em discurso, o pré-candidato abordou questões referentes à economia, mas não aprofundou reflexões sobre o tema. Por mais de uma vez, disse que delegaria a missão a pessoas que, de fato, entendessem no assunto, como o economista Paulo Guedes. Embora ainda não confirme o nome dele para o Ministério da Fazenda em uma eventual gestão, o político diz que está "namorando" Guedes.

"Eu tenho uma história de palavra. Mesmo questões como o regime militar, nunca deixei de fugir do debate com vocês [jornalistas]. Questão de economia, o meu grande conselheiro é o Paulo Guedes, entre outros do ciclo de amizade nosso. Pretendo tratar a economia de acordo com a orientação deles."

"Eu não sou inconsequente. Eu não tenho na ponta da língua a solução para o Brasil. Às vezes, eu não tenho nem para a minha casa a solução, onde são quatro pessoas que moram dentro de casa. Imagina para o Brasil. Eu tenho que ouvir todo mundo."

Bolsonaro disse ser favorável às privatizações, mas com uma postura conservadora em relação a "questões estratégicas". Segundo ele, áreas como minas e energia, por exemplo, são fundamentais para o país e não devem ser privatizadas. "Não podemos ser inquilinos de nós mesmos", comentou.

"Essas questões estratégicas [não podem] passar para capital de país nenhum no mundo. Temos que fazer de tudo para ficar aqui dentro. Na última, se você tiver morrendo, aí você pode pensar nisso."

Questionado sobre sua posição a respeito da privatização da Eletrobras, projeto do governo de Michel Temer, o pré-candidato respondeu que precisava antes "ver o modelo". "Em princípio, eu reagiria a isso aí. Mas tenho que ver o modelo. O Brasil não pode ser um país em situação de leilão."

O evento da associação comercial contou com uma plateia de cerca de 300 pessoas, de acordo com os organizadores. Os associados pagaram R$ 180 para acompanhar a palestra, enquanto os não associados desembolsaram R$ 220.

Fonte: UOL

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