Câncer que matou Nara Almeida é mais comum em homens acima dos 50 anos

A youtuber Nara Almeida perdeu a luta para o câncer de estômago aos 24 anos, na segunda-feira (21). O caso da maranhense foi incomum. Esse tipo de tumor maligno é mais frequente em homens --o quarto de maior incidência entre eles-- e em pessoas acima dos 50 anos, segundo o Inca (Instituo Nacional de Câncer).

Na maioria dos casos, esses tumores não são hereditários e surgem devido a hábitos ruins, como uma alimentação rica em sal, alimentos defumados, consumo excessivo de álcool e tabagismo, obesidade e falta de atividade física. Mas como uma mulher aparentemente saudável e jovem desenvolveu uma doença grave como essa?

De acordo com Felipe Coimbra, diretor da Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo Cancer Center, apesar de a maioria das pessoas acometidas pela doença se encaixar em alguns padrões, Nara pode ter ficado entre os raros casos aleatórios ou entre os 10% que têm um tumor hereditário. "Sempre existirão exceções e é um risco que todos nós temos. Nosso corpo sofre mutações a toda hora e algumas delas podem se tornar malignas", explica o médico.

Sintomas são vagos
Os sintomas da doença podem passar despercebidos, mas também é possível confundir os incômodos com mal-estar ou estresse. O paciente pode sentir:
  • perda de apetite,
  • indigestão e queimação na boca do estômago, como uma azia constante,
  • perda de peso,
  • dificuldade para engolir e
  • vômito.
No caso de Nara, ela contou que percebeu o primeiro sintoma no início de 2017. "Vinha sentindo muitas dores no estômago e vivia uma semana me sentindo bem e outra me sentindo mal. Às vezes, tinha que ficar na cama, vomitava tudo. Mas tomava remédio e tudo ficava bem novamente, e voltava com minha vida normal", escreveu em uma postagem. Na época, a jovem já tinha recebido o diagnóstico de úlcera gástrica, mas os medicamentos para o quadro não surtiam efeito.

Como vários dos sintomas não parecem indicar uma doença grave, muitos pacientes demoram para ter um diagnóstico. Cerca de 80% dos casos de câncer de estômago no Brasil são descobertos em um estágio avançado, dificultando o tratamento. O ideal seria recomendar uma endoscopia a cada três anos para quem tem fatores de risco.

No meio daquele ano, por exemplo, Nara sentiu uma dor tão forte que desmaiou: ela não comia nada há dois dias devido ao desconforto e vômitos recorrentes. "Lembro de quando saí do banho e olhei no espelho. Nunca vou esquecer do susto que levei ao ver meu estado, porque estava muito, muito magra", disse. Após o episódio, a youtuber foi internada e, após exames, recebeu o diagnóstico de tumor no estômago, em agosto de 2017.

Desde a notícia que tinha câncer, a modelo dividia com seus quase 4 milhões de seguidores no Instagram a rotina do tratamento. Por causa da doença, Nara não conseguia comer e se alimentava apenas por meio de uma sonda.

Tratamentos incluem quimio e radio
É possível identificar o câncer no estômago com um exame simples de endoscopia --o resultado pode demorar de três a sete dias para ser obtido. Confirmando o diagnóstico é preciso saber o tamanho do tumor, onde se localiza e se células cancerosas se espalharam, para indicar um tratamento adequado.

Caso a doença esteja em um estágio inicial, a abordagem pode ser uma raspagem no estômago ou uma cirurgia para retirada do tumor. Se o diagnóstico for precoce, a chance de cura chega a 90%. No entanto, se o tumor estiver um pouco mais enraizado, além da cirurgia para retirá-lo, será preciso fazer quimioterapia ou radioterapia. Quanto mais tarde começar o tratamento, piores as probabilidades de recuperação.

No caso de Nara, ela passou por sessões de quimioterapia de radioterapia. Mas, apesar do tratamento, o tumor progrediu e obstruiu a passagem para o intestino, prejudicando ainda mais a alimentação. "Os médicos me deram a confirmação de que meu caso se agravou, não tem mais possibilidades de cura, o que me deixou totalmente sem chão. Porém, mais uma vez eu repito pra vocês “É SÓ UMA FASE", tenho certeza de que isso não será meu fim, acredito num futuro lindo pra mim", publicou na época.

A jovem ainda passou por sessões de imunoterapia com o objetivo de diminuir o tumor e realizou uma cirurgia para colocar uma sonda em sua barriga, retirando a do nariz. Entretanto, Nara foi para a UTI após sentir dificuldade em respirar. O quadro seguiu piorando e a modelo não resistiu.

Fontes consultadas: Felipe Coimbra, diretor da Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo Cancer. Renata D'Alpino, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e Robson Moura, cancerologista e Presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, consultados em matéria do dia 12/12/2017. Renata Arakelian, oncologista do CPO (Centro Paulista de Oncologia) e Auro Del Giglio, oncologista do HCor (Hospital do Coração), consultadas em matéria do dia 17/08/2017. 

Fonte: Viva Bem/UOL

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