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História: Patrimônio arquitetônico de Barbalha é um dos mais preservados do Ceará

A Casa de Tontonho Filgueira, no Centro de Barbalha,
ostenta belos azulejos portugueses em toda a
fachada (Foto: Antonio Rodrigues) 
A história do Cariri começa pelos índios que dão nome à região. Passa pelos colonizadores, os escravos, as missões, a cana-de-açúcar, as casas de farinha, os cangaceiros e personagens, como Bárbara de Alencar e Padre Cícero. A memória de um povo está nos livros, na oralidade, em cartas, documentos e na cidade. E esta pode ser a região do Ceará que menos preserva seu patrimônio material ou sua memória.

O processo de preservação mais concreto aconteceu em Barbalha, na virada do último século, quando a Prefeitura realizou o Inventário de Bens Culturais Imóveis (IBCI), em parceria com o Iphan, Universidade Regional do Cariri (Urca) e Universidade Federal do Ceará (UFC). O trabalho, concluído em 2001, levantou 40 edificações propostas para tombamento.

Destes, dois são tombados em nível estadual e os demais, parados, no Iphan, mas, segundo o turismólogo Rodrigo Sampaio, a Secretaria de Cultura está buscando coletar material para dar continuidade ao processo. A primeira conquista foi o resgate do IBCI. "É de extrema importância para o Município preservar sua identidade, sua história, apesar de ser recente em relação a outros locais", pontua.

No Hotel Casarão, na Rua da Matriz, hoje funciona a sede da Secretaria de Cultura, a Escola de Música e a Biblioteca Pública. O local foi construído em 1859 com mão de obra escrava para se tornar residência do comerciante Antônio Manuel Sampaio, que não chegou a habitá-lo. Em 1976, foi restaurado e adaptado para hotel, passando, então, a pertencer à Prefeitura. No dia 30 de novembro de 1983, foi tombado por Lei Estadual.

O prédio esta com boa estrutura e recebe visitantes, diariamente, pelos vários equipamentos que funcionam por lá. No entanto, sofreu com algumas atividades irregulares nas gestões passadas, como a troca das fechaduras originais por outras mais modernas. Existia também um túnel, chamado de "porão", que servia de esconderijo e rota de fuga para o canavial quando havia invasões de jagunços, mas foi aterrado na construção da estrada que liga Barbalha a Juazeiro. No entanto, o piso de madeira, a fachada e o teto se mantêm.

Outro prédio tombado em nível estadual é o Palácio 3 de Outubro, edificado em 1877, durante a grande seca no Ceará, para amenizar o flagelo da população. Ele custou, na época, mais de quatrocentos mil réis aos cofres do Império. Lá, funcionou o Fórum de Justiça, no andar de cima, e a cadeia pública, no térreo. Hoje, também pertence à Prefeitura, e dá vida à Escola de Saberes de Barbalha, que realiza diversas atividades culturais e educacionais, com duas bibliotecas, sala digital, auditório e sala de exposições.

Os outros 38 prédios são amparados por leis municipais que buscam preservá-los. No entanto, não foi criada uma comissão ou um conselho. "Por essas leis, não se dá, efetivamente, este tombamento. Infelizmente, não podemos fazer muitas intervenções nesse aspecto", lamenta Rodrigo Sampaio. Na gestão passada, houve uma tentativa de reativar o Conselho de Patrimônio Histórico, mas não passou de uma reunião. "Acho que ia mexer em várias casas que não poderiam ser modificadas e causou um desconforto com os proprietários", completa o turismólogo.

Apesar das leis municipais não darem um amparo efetivo à manutenção destes prédios, os proprietários têm isenção no IPTU. Alguns desses prédios recebem tratamento pelos proprietários que têm condições financeiras melhores, buscando manter a originalidade externa e interna. Parte deles são comerciais, outros residenciais e uma minoria está desocupada. Um prédio preservado é o Solar Maria Olímpia, que tem salas alugadas e restaurantes.

"A preservação pode dar um retorno financeiro. As pessoas às vezes entram no Casarão só pra olhar e isso pode acontecer com outros casarões", conclui Rodrigo. Segundo o secretário de Cultura, Rômulo Sampaio, o Ministério Público tem procurado a Pasta para cobrar sobre os tombamentos, pelo menos em nível municipal. "Eles têm dado um suporte de orientar na forma jurídica para legalizar e regularizar os prédios", explica. Ele acrescenta que outros dois prédios antigos serão utilizados para uma Escola de Artes. "O objetivo é ocupá-los".

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR


Fonte: Diário do Nordeste

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