Crato tem muito pouco do seu patrimônio arquitetônico preservado

Largo da RFFSA (Foto: Antonio Rodrigues)
A situação mais grave de conservação está no Crato, onde boa parte do patrimônio já foi destruída ou transformada. Os que resistem não têm nenhum tipo de amparo, nem mesmo de Lei Municipal, que assegure sua preservação. No entanto, ainda há três patrimônios materiais tombados: A Casa de Câmara e Cadeia, o Largo da RFFSA e o Sítio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. "Aqui se destrói do dia para noite porque não tem ninguém para defender", lamenta o arquiteto Waldemar Farias.

Ele acrescenta que até os prédios de meados do século XX, de pouco mais de 60 anos, também já foram destruídos. Ou seja, o Crato sempre se renova. Algumas fachadas têm resquícios do Século XIX, mas são poucos. A Igreja Católica é quem mais preserva. Longe da parte urbana, algumas fazendas antigas e capelinhas sobrevivem ao tempo. "Para tombar, primeiro, a população precisa querer. Um povo sem passado, não tem presente e não tem futuro", provoca.

Até os prédios tombados enfrentam dificuldades. Para Waldemar, o Largo da RFFSA, antiga estação da Rede de Viação Cearense, tem estado muito ociosa. "O prédio da sala de embarque está parado", acredita. Nos outros dois prédios funcionam a Secretaria de Cultura, uma Biblioteca Pública e um auditório.

Enquanto a Casa de Câmara e Cadeia, construída em 1877 e pertencente à Prefeitura, enfrenta sérios problemas em sua estrutura. No térreo, funciona o Museu Histórico e, no andar de cima, onde tinha o Museu de Artes, está destruído. O piso foi retirado para uma reforma, há mais de 10 anos, mas que teve que ser paralisada. Hoje, corre risco de desabamento. Na parte de baixo, o forro de uma das salas cedeu com as chuvas.

Desde 1940, o local já era estudado pelo Iphan porque apresenta peculiaridades, como a enxovia em forma de abóbada, onde ficavam os presos mais perigosos. No andar de cima, funcionaram as primeiras sedes da Câmara Municipal e a Prefeitura.

Segundo o secretário de Cultura de Crato, Wilton Dedê, a Casa de Câmara e Cadeia tinha um processo de reforma de gestões passadas que foi necessário encerrar, refazer a prestação de contas e devolver o dinheiro. No entanto, ele garante que a Prefeitura já está pleiteando uma nova emenda para reconstruir. "O museu sofreu o início de uma reforma, aí teve que destruir uma parte. Daí, parou. Destruíram a parte de cima. A parte de baixo passa por manutenção física, troca de forro, instalação elétrica, parede", explica.

O titular da Pasta conta que há mais de um ano vem tentando resolver os problemas burocráticos do processo anterior e iniciar uma nova reforma. Além disso, fez um levantamento pessoal de 80 prédios no Crato com apoio de professores da Urca, atendendo uma solicitação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) sobre o andamento dos tombamentos.

"Há uma pretensão de fazer um estudo histórico. Uma lei pode ser um incentivo para o proprietário manter. Hoje, não temos diálogo com proprietários. Mas já temos projeto para levarem alunos para dentro do Museu e vamos implantar alguns projetos lá. Preservar os prédios é importante, porque só planeja seu futuro se souber o seu passado. Destruir a memória é impedir de pensar seu futuro", conclui Wilton Dedê. 

ANTONIO RODRIGUES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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