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CNH digital já está valendo em todo o Brasil; veja como é ter uma

Desde o dia 1º de fevereiro os Detrans de todos os 26 estados brasileiros e do Distrito Federal disponibilizaram a versão digital da CNH, a chamada CNH-e, aos cidadãos habilitados. A partir da mesma data o documento no celular poderá ser apresentado a autoridades de trânsito no lugar da Carteira Nacional de Habilitação tradicional, de papel -- que segue sendo emitida e válida.

Atualmente, oito estados (Acre, Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Roraima, Rio Grande do Sul, Tocantins) e o DF já emitem o documento eletrônico, cuja consulta é feita por celulares e tabletes por meio de um app gratuito -- e compatível com sistemas operacionais Apple iOS e Android.

Falamos com dois dos primeiros usuários da CNH-e: o engenheiro Fernando Lopes Maia, de Porto Alegre (RS), e a funcionária pública Nayara Zanolle Neves, 23, moradora de Vitória (ES).

Como funciona?
Fernando Lopes Maia topou contar como está sendo o uso da CNH-e no dia a dia e autorizou a reprodução das imagens de seu documento virtual para esta reportagem -- claro, borramos as informações pessoais para proteção de suas informações pessoais.

"Para mim, é muito mais lógico levar o celular em vez de uma carteira cheia de documentos, que você pode perder e depois precisa tirar de novo. Se eu perder o telefone, posso facilmente bloqueá-lo e instalar de novo os aplicativos em um novo", apontou o engenheiro.

Segundo ele, o processo para solicitar a habilitação virtual levou apenas dois dias e foi algo "simples", mas com ressalvas. "Gente como meu pai, motoristas mais velhos ou cidadãos menos acostumados com novas tecnologias, por exemplo, terão alguma dificuldade", relatou. 

Por quê? Segundo Maia, falta um tutorial em linguagem simples. "O Denatran tem as informações e o passo a passo em seu site oficial, mas falta um tutorial com dicas 'mastigadas' e interface amigável", avaliou, afirmando que animações ou vídeos seriam bem-vindos.

É bom frisar que não adianta ter direito à CNH digital e não possuir um "certificado digital" -- um protocolo eletrônico que traz informações sobre identificação e histórico de contribuinte. É com esse certificado que sistemas eletrônicos como o da CNH-e identificam cada cidadão, funcionando ele próprio como uma assinatura virtual. Existem empresas que emitem o "certificado digital" (quem já tem um e-CPF, por exemplo, não precisa de novo certificado), mas os próprios Detrans estaduais fazem o processo, com o comparecimento presencial.

"Fiz por meio do CPF eletrônico, que é pago e oferecido por empresas certificadoras, mas tem anuidade de aproximadamente R$ 200. Depois de informar o CPF, recebi um código para ativar o aplicativo e depois criei uma senha que preciso preencher cada vez que acesso a CNH-e", explicou Maia.

No caso de Nayara Neves, a CNH-e foi tirada na primeira quinzena de janeiro. A servidora púbica obteve a habilitação definitiva no ano passado e o documento já veio com o QR  Code -- requisito para solicitar a versão eletrônica.

"Estou usando há alguns dias e optei porque facilita muito. Não tenho mais a necessidade de usar o documento de papel, que posso perder e depois é complicado para tirar de novo", relata.

Em relação ao processo de solicitação, Nayara considera que foi rápido e fácil. "Já tinha meu e-mail e número de celular cadastrados e isso agilizou o processo. Segui o passo a passo informado no site do Detran, baixei o aplicativo e logo estava com ele funcionando no meu celular", conta.

Tanto o usuário do Rio Grande do Sul quanto a do Espírito Santo informaram que ainda não precisaram apresentar a habilitação digital a nenhum agente de trânsito. Ambos, porém, acreditam que deve ser questão de tempo para que isso se torne frequente nas fiscalizações.

De fato, parece ser um processo um tanto quanto criterioso, sobretudo para quem não está acostumado ao ambiente digital. O que fazer? Primeiro, vale salientar que a CNH-e não é obrigatória, ou seja, se você não quiser, não precisa aderir. De toda forma, listamos o beabá para quem quiser.

Como pedir a CNH-e? E o app?

1. Verifique se sua CNH de papel foi emitida a partir de maio de 2017. Se sim, ela deverá possuir um "QR Code" -- uma espécie de código de barras em formato quadrado -- no verso. Se tiver, vá ao próximo passo. Se não tiver, aguarde pelo momento da renovação.

2. Tem o QR Code na CNH? Faça o cadastro no Portal de Serviços do Denatran.

3. Fez o cadastro? Baixe o aplicativo da CNH Digital na iTunes (iOS) ou PlayStore (Android). 

4. Baixou? Verifique se você já possui o "certificado digital" pelo app. Não tem? Então visite o Detran de emissão da sua CNH impressa e garanta o cadastro. Outra opção é emitir junto a empresas que prestam este tipo de serviço. Quem tem e-CPF, por exemplo, já possui o certificado e não precisa de outro..

5. Com todos os itens anteriores garantidos, solicite o código de ativação para a CNH Digital, que será enviado por e-mail.

6. No aplicativo, use a senha de acesso ao Portal do Denatran (o login é seu CPF) e digite o código de ativação.

7. O app vai pedir a criação de uma senha simples, de quatro números, que o usuário precisará digitar toda vez que acessar a CNH-e.

Ufa! Após todos esses passos, o aplicativo exibe uma reprodução da frente, verso e do "QR Code" da CNH. Esta exibição é que permite ao motorista deixar a CNH de papel em casa.

E aí, Denatran?
Também consultamos o Denatran para tirar dúvidas em relação à carteira eletrônica.

Uma deles se refere aos motoristas que estejam com a CNH suspensa ou cassada. De acordo com o órgão, documentos nessas condições serão bloqueados a cada atualização do app. Estranhamos a ausência, por exemplo, a ausência de uma tela do aplicativo que indique o total de pontos do motorista. Por ora, essa informação ainda precisa ser verificada junto aos portais dos Detrans, o que gera trabalho extra para o motorista que quiser se inteirar de sua situação. 

Quando será necessário renovar a e-CNH? Segundo a entidade, o processo de renovação segue o mesmo. E isso também vale para quem está tirando a CNH pela primeira vez, já que atualmente é exigido que o motorista tenha a versão impressa para emitir a digital.

Apenas "futuramente", nas palavras do Denatran, o motorista vai poder escolher apenas a CNH-e como documento único de habilitação.

Fonte: UOL

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