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Temer diz que população aprova seu governo, mas tem vergonha de dizer

O presidente Michel Temer disse que será um cabo eleitoral "substancioso" para 2018 e aproveitou para perguntar diretamente ao chefe de sua equipe econômica, Henrique Meirelles, se ele é candidato à Presidência da República no ano que vem.

Bem-humorado durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada, Temer foi questionado sobre o fato de uma eventual candidatura de seu ministro da Fazenda prejudicar a votação da reforma da Previdência, marcada para fevereiro.

Respondeu prontamente que não acreditava em qualquer tipo de prejuízo em relação à reforma para, em seguida, dirigir-se a Meirelles, que estava sentado a seu lado: "Você é candidato?". O ministro sorriu e afirmou que, como tem repetido "diversas vezes", que essa decisão só será tomada no ano que vem.

Temer fez uma espécie de balanço de seu ano e meio à frente do Palácio do Planalto e admitiu que as denúncias de corrupção prejudicaram seu governo e sua popularidade –hoje em torno de 5%.

Segundo o presidente, que citou frase do publicitário Nizan Guanaes, "a popularidade é uma jaula" e seus baixos índices de aprovação devem ser usados para que ele faça "o que o Brasil precisa". Apesar disso, acredita que os números vão melhorar até o início do ano que vem, permitindo que ele seja uma "grande cabo eleitoral" em 2018.

"A questão da corrupção prejudicou muito o governo e prejudica muito a popularidade, porque uma pesquisa que eu pedi, em caráter particular, revela que as pessoas têm vergonha de dizer, embora aprovem o governo, têm certo pudor, porque pensam: 'poxa, esse governo corrupto, todo mundo é corrupto, a classe política é corrupta', disse.

Este ano, Temer foi denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva, obstrução da Justiça e formação de quadrilha. Ambas as acusações foram barradas pela Câmara dos Deputados e voltarão a tramitar quando ele deixar o cargo, no fim de 2018.

Ladeado pelos ministros Meirelles e Raul Jungmann (Defesa), além do secretário de Comunicação, Márcio de Freitas, o presidente tentou transferir para "setores privados e públicos" a responsabilidade pela aguda crise política que acometeu seu governo.

Segundo ele, seus "detratores foram desmascarados" e hoje estão "presos ou desmoralizados". Com isso, acredita Temer, será possível recuperar capital político em 2018 –para quando tentar articular um bloco de centro-direita que deve apoiar um candidato ao Planalto.

Meirelles é um dos possíveis nomes que poderia ser sustentado por esse bloco, mas o ministro ainda não bateu o martelo sobre disputar a sucessão presidencial. Temer, por sua vez, afirmou que apoiará um candidato que não seja "extremista", em referência aos dois líderes nas pesquisas –em campos opostos–, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSC), mas disse também que, para isso, esse nome precisa defender as reformas e o governo.

"Haverá candidatos mais extremados e um de centro, as pessoas querem política de resultado, alguém moderado, que saiba compor as várias correntes políticas do país, que não seja guiado pelo certo mal-estar, ódio. Os que se extremarem terão dificuldade", declarou Temer.

'Aumento de 100%'
O presidente fez piada sobre sua baixa popularidade e disse que os índices aumentaram em "100%, de 3% para 6%", arrancando risos dos presentes.

"Penso que, seja o Meirelles ou seja quem for, na época eleitoral o governo estará sendo reconhecido pelo desmascaramento daqueles que se mascararam para urdir o que urdiram e, portanto, acho que seremos grandes eleitores na próxima eleição. O Meirelles já disse isso, mas quem for candidato não vai poder deixar de dizer o que vai fazer com as reformas. Vamos ser eleitores substanciosos", completou.

Lula
O presidente não quis comentar a possível decisão da Justiça sobre o ex-presidente Lula. Uma condenação em segunda instância o deixará inelegível de acordo com a Lei da Ficha Limpa. O julgamento de Lula está marcado para o dia 24 de janeiro no TRF-4 (Tribunal Regional Federal), em Porto Alegre.

"Estou sentado aqui como presidente da República, o constitucionalista ficou lá para trás. Não me atreveria a dar uma solução jurisdicional. Isso vai ser debatido no Supremo [Tribunal Federal], não posso antever", disse o presidente.

Em seus discursos públicos, Lula faz críticas duras ao governo Temer e diz que vai revogar as reformas promovidas por ele, como a trabalhista.

"Aquele que for contra as reformas não terá apoio total do eleitorado", finalizou Temer. 

Fonte: Folha.com

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