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Novo ciclo de vaquejada reacende a paixão e exibe excelência de animais

Com a seca e mais a convicção de que se estava longe de priorizar o bem-estar dos animais chegaram perto de esmorecer. Mas a tradição e o bom senso foram mais fortes. Com obediência a normas severas para evitar lesões no conflito do vaqueiro e o cavalo com o boi, a prática esportiva voltou. Não mais apenas para preencher o vazio dos apaixonados, mas ter uma oportunidade de mostrar a excelência de animais, tratados como craques e orgulho da raça.

Tratar a vaquejada como fim e não como um meio é, na opinião do gerente da Fazenda e Haras Mix Integral, neste município, Roberto Pirani, como o combustível que verdadeiramente faz com que se reinvente sem perder as raízes do sertão, com a corrida do vaqueiro para derrubar o boi pelo rabo. O trabalho, que leva até menos de dois minutos, é coroado com a sentença do julgador com o "valeu boi".

O fim a que Pirani se refere não é o retorno imediato de dinheiro. Em tempos de crise, não as arquibancadas cheias, os grandes espetáculos de bandas de forró que aglutinam o público e conferem viabilidade ao evento. O destino é final é que esse é o verdadeiro show do cearense e que evoluiu na Engenharia Genética, no uso da ciência para se formar campeões e, sobretudo, mostrar que há de fato um grande amor aos animais.

Custos
Pirani diz que a fazenda Integral, pertencente ao empresário Marcos Lima, avançou na instalação de uma maternidade, em bancos de sêmen e em tratar a raça Quarto de Milha com os métodos mais modernos de acompanhamento sanitário e corrida com distintas funções. Ou seja, para corridas ou vaquejadas, dentre e outras disputas envolvendo os equinos. "A Fazenda e Haras Integral Mix tem um planejamento de reprodução, visando a atender um mercado de potros e animais de competição. Todos os anos, são produzidos aqui cerca de 35 animais. Neste ano, serão produzidos 65. Quase dobramos a carga de monta", comemora.

Demanda
No Haras e Fazenda, há parte para reprodução, cria, recria, doma e treinamento. Os cavalos são comercializados em todas as etapas, como as doadoras, os potros, os desmamados e animais de competição, justamente por haver uma demanda crescente.

Os preços para animais competitivos, de boa genética, variam de R$ 100 a 150 mil, isso já correndo. "No caso do cavalo de ponta, o valor é bem superior a R$ 400 mil ou R$ 500 mil", afirma a gerente de marketing Raquel Dutra.

Os gastos com os bichos são sempre elevados. Um potro de um ano e quatro meses de idade, pesa 340 quilos e come cerca de quatro quilos de ração devidamente balanceada. Se for um campeão, tem acompanhamento semanal com veterinário.

Orgulho
Os benefícios, no entanto, são os mais distintos, desde a venda de sêmen até a satisfação de ser um treinador e corredor com um longo currículo de vitórias. Esse é o caso de José Ivan da Silva, 31, conhecido como Caveira. Ele foi o vencedor da prova do fim de semana passado e recebeu R$ 1 mil. Ele conta que não é o dinheiro a lhe animar nas competições. Na sua opinião, mais importante é ser reconhecido pelo trabalho feito, quando escuta o "Valeu Boi". Caveira conta que não se vê em outra profissão. Ele é filho de criador de cavalos e hoje seus filhos também treinam e aprendem o manejo dos equinos na fazenda. E é assim, que a tradição passa de pai para filho.

MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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