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Juazeiro do Norte (CE): Projeto inovador reduz morte de bezerros

Reduzir a quase zero a mortalidade de bezerras. Essa foi a ousada meta estabelecida por um professor universitário antes de implantar um bezerreiro tropical, também conhecido como bezerreiro argentino, na fazenda Mata dos Araçás, neste Município, na região do Cariri cearense. Após um ano e meio da implantação, o resultado foi alcançado. "Antes, a mortalidade das bezerras era de quase 30%, hoje é quase zero", destaca o veterinário e professor universitário, Antônio Nélson da Costa.

O processo, conforme explica Nélson, "é simples". O bezerreiro contém uma sombrite, espécie de tenda negra que garante conforte térmico ao animal, e cabos de aços que dividem os bichos. "Cada bezerra fica no seu próprio espaço. Os bichos não têm contato um com os outros", detalha o veterinário. O benefício, ainda segundo Costa, é a redução do número de doenças entre as bezerras. Antes da implantação desse sistema, os animais eram criados em baias.

"Eles ficavam todos juntos. Comiam e bebiam água em um único ambiente. Então, quando um adoecia, a probabilidade dos demais também ficarem doentes era muito grande", conta o gerente da fazenda, George Freitas. Com isso, a redução da mortalidade declinou. "Nos últimos 16 meses, apenas um animal morreu", acrescenta Freitas.

Os bichos são destinados ao bezerreiro da fazenda, que conta com capacidade para 20 animais, logo nas primeiras horas de vida. O animal é desmamado após seis horas e levado ao local, aonde permanece por três meses, com alimentação especifica e balanceada. O chefe da ordenha, Bruno Alexandre Santos, lembra que esse alojamento é voltado para animais em uma fase bastante delicada, em que estão constantemente sendo desafiados pelo ambiente e baixa imunidade.

Manejo
Apesar da ressalva, Nélson da Costa afirma que, de todos os sistemas utilizados, o uso de abrigos individuais é uma das mais eficazes práticas de manejo, com melhoria na sanidade dos animais durante a fase de aleitamento. Embora seja largamente utilizado no mundo todo, sendo uma das mais populares opções para bezerras, os bezerreiros ainda são uma realidade distante na região. "São apenas dois em todo o Cariri", pontua. Para Costa, a região possui uma das maiores riquezas ambientais de climas e solo para criação de animais; porém, "a mentalidade dos criadores ainda é muito restrita para novas experiências, ainda que de baixo custo e comprovadamente eficazes", critica o docente.

A opção pelo uso dos abrigos individuais tem como principal vantagem, destaca George, a individualização dos animais. O telhado geralmente é feito com uma manta, que age como isolante térmico, diminuindo a incidência de calor. No bezerreiro, a contenção dos animais é feita através de coleiras fixadas ao chão por grampos. "Usamos coleiras de cachorro. Tudo muito prático e barato", destaca Bruno Alexandre. Isso permite a movimentação da bezerra, que pode transitar para o sol ou ao abrigo dela, nos horários de maior incidência dos raios solares.

Futuro
Com a mortalidade reduzida, o próximo passo será implantar, ainda este ano, um projeto já testado em vacas leiteiras da mesma fazenda. Estudantes da Universidade Federal do Cariri (UFCA) irão medir a temperatura do rebanho com o objetivo de identificar o tipo de raça mais apropriada para a região do Cariri e, atrelado a isso, identificar alternativas para reduzir a temperatura corpórea dos bichos. De acordo com o veterinário Nélson, através de vários parâmetros climáticos, a serem coletados por meio de uma câmera termográfica de infravermelho, seus alunos irão identificar o grupo racial mais apropriado para ser criado nas condições climáticas encontradas na região.

Após identificar o grupo racial com melhor adaptabilidade ao clima semiárido, os pesquisadores vão atuar na melhoria estrutural da fazenda, cujo objetivo é garantir a redução climática do rebanho.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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