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Tomar leite com remédio corta o efeito do medicamento? A ciência explica

Se você é do time que precisa de um bom copo de leite para conseguir engolir um comprimido --seja para "proteger o estômago" ou só pela sensação de conforto, é melhor abandonar o hábito. A bebida pode reduzir e até mesmo anular a eficácia de alguns medicamentos, principalmente dos antibióticos.

Isso acontece por conta das reações químicas que acontecem entre determinados fármacos, que são as substâncias responsáveis pelo efeito do medicamento, e as substâncias presentes no leite, principalmente o cálcio.

Quando as moléculas do princípio ativo do medicamento e do cálcio se unem, dão origem a um novo tipo de composto químico que o organismo é incapaz de absorver, conhecido como "quelatos". O resultado? O corpo não consegue "aproveitar" toda a potência do remédio. Essas reações químicas também podem acontecer com outras substâncias presentes no medicamento. 

O leite exige que o organismo produza diversas substâncias para que seja digerido (como enzimas digestivas e suco gástrico). Aí, outra vez, a interação entre essas substâncias e o princípio ativo do medicamento podem não "dar certo".

A combinação de antibióticos, principalmente do grupo tetraciclina (que tratam acne, pneumonia, otite, sinusite), e leite deve ser evitada. De acordo com a Anvisa (agência de vigilância sanitária), outros remédios, como contraceptivos orais, Digoxina (para problemas cardíacos) e Diazepam (efeito calmante), também têm seu efeito reduzido ao serem ingeridos com leite.

Chás e outras bebidas são permitidas?
De regra geral, remédios e chás também não combinam. A bebida tem uma concentração muito grande de tanino, uma substância química presente nos frutos verdes, sementes e caule das plantas que serve para protegê-las. Ao entrar em contato com os fármacos, a substância pode retardar ou até mesmo anular a eficácia do medicamento. As reações químicas também podem ocorrer com refrigerantes, café e sucos.

Em alguns casos, a ingestão concomitante pode trazer efeitos colaterais, como é o caso de ingerir alguns broncodilatadores com café. Entre os sintomas, podem aparecer palpitações, ansiedade e nervosismo.

Água é a melhor companhia
Na maioria das vezes, a melhor maneira de garantir que o remédio faça o efeito desejado é ingeri-lo com água. Por não ser tão quimicamente complexa, ela não interage diretamente com o medicamento e também não exige a produção de substâncias digestivas que atrapalhariam a absorção.

Um copo (cerca de 200 ml) é a quantidade ideal. Assim, fica mais fácil levar o comprimido até o estômago sem ter muito contato com o esôfago (que leva o alimento da boca até o estômago). Com isso, evitamos aquela sensação de comprimido "entalado" na garganta. 

Estômago vazio ou cheio?
Outra dúvida bastante comum é se remédio deve ser consumido em jejum ou após comer algo. A resposta varia de acordo com o tipo de medicamento. Em alguns casos, não faz diferença alguma, mas em outros, o jejum é recomendado.

No Brasil, desde 2009, a Anvisa obriga os fabricantes a trazer informações claras e detalhadas sobre como o medicamento deve ser tomado.

Nos Estados Unidos, a agência reguladora de alimentos e medicamentos (FDA, em inglês) lançou um manual chamado "Evite interações entre alimentos e remédios" (em inglês, "Avoid Food-Drugs interactions"), que discute como os nutrientes contidos nos alimentos podem prejudicar ou potencializar o efeito dos medicamentos.

Nele, alguns antibióticos podem ser tomados com o estômago cheio. Já outros, como os do grupo da tetraciclina, devem ser ingeridos uma ou duas horas antes de comer. Os anti-inflamatórios são liberados para serem tomados junto com alimentos.

Já quem toma determinados diuréticos, deve evitar consumir alimentos ricos em potássio (como bananas) já que o próprio medicamento já eleva a quantidade da substância no corpo.

O indicado é consultar o médico ou o farmacêutico para saber qual é a maneira correta de ingerir o remédio. 

Especialista consultado: Jean Leandro dos Santos, professor do Departamento de Fármacos e Medicamentos da Unesp (Araraquara); FDA e Anvisa

Fonte: UOL

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