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4 anos da UFCA: educação, resistência e encontro no Cariri cearense

Há quatro anos, no Cariri cearense, a Universidade Federal do Cariri (UFCA) começou a erguer a própria identidade. Em meio aos desafios de consolidar uma universidade pública e gratuita no Interior do Ceará, diante das muitas dificuldades enfrentadas no atual momento político e econômico; em meio aos desafios de produzir conhecimento numa região permeada de contradições e desigualdades no semiárido nordestino e de tornar-se parte da sociedade caririense em um momento de esvaziamento da cena pública e política, a UFCA segue resistindo, modificando a realidade local e construindo a própria identidade a partir daqueles que a compõe.

Vindas de diferentes lugares do Brasil, do mundo e do próprio Cariri, as 3.535 pessoas que diariamente percorrem os corredores dos cinco campi – Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Icó e Brejo Santo – transformam a UFCA num grande lugar de encontro do conhecimento, das culturas e dos afetos. Em quatro anos de existência, a comunidade acadêmica conta com 2.713 estudantes de graduação, 261 estudantes de pós-graduação, 280 docentes e 281 técnico-administrativos. Tem ainda centenas de egressos, de docentes e outros profissionais que por aqui passaram e também deixaram a sua contribuição.

O trabalho árduo ao longo dos quatro anos de UFCA, que também herdou outros seis anos da Universidade Federal do Ceará (UFC) no Cariri e mais cinco do curso de Medicina em Barbalha, resultaram em 14 cursos de graduação – Administração, Administração Pública, Agronomia, Biblioteconomia, Design de Produto, Engenharia Civil, Engenharia de Materiais, Filosofia-Bacharelado, Filosofia-Licenciatura, Interdisciplinar em Ciências Naturais e Matemática, Jornalismo, Medicina, Música e História – e em dez programas de pós-graduação, incluindo especializações, residências, mestrados e um doutorado interinstitucional. Além da atuação no ensino, há projetos de extensão, pesquisa e cultura, que contribuem diretamente com a sociedade e na produção de conhecimento na instituição.

No âmbito da multiplicidade cultural, a universidade abriu espaço para receber estudantes dos mais diversos países. Hoje, são dois da Nigéria, 17 do Cabo Verde, um de Cuba, quatro da República Popular do Congo, um da Colômbia, um do Paraguai, um de Gana, um de Moçambique, um da Angola e outro de São Tomé e Príncipe. Também deu oportunidade para discentes do Cariri estarem no exterior: Portugal (1), EUA (22), Irlanda (1), Reino Unido (1), China (1) e Canadá (1).

Na dimensão dos afetos, a UFCA recebe pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo que transformam a universidade num lugar de encontro. Entre processos de Sistema de Seleção Unificada (Sisu), concursos e transferências, estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos vão e vêm contribuindo para incrementar ainda mais a razão de ser da UFCA e, consequentemente, o desenvolvimento da região do Cariri.

Comunidade acadêmica
Entre essas pessoas que chegaram à UFCA, a professora Cláudia Marco, do curso de Agronomia, ressalta a importância de estar aqui para educar e transformar. E também a possibilidade da Universidade Federal do Cariri começar com várias pessoas, vindas de vários lugares, com o propósito de construir junto com a sociedade. “Quando a gente vê uma universidade que se volta para o interior para construir, para reconstruir uma região no sentido educacional, é muito gratificante”, disse.

A estudante do curso de Jornalismo, Fernanda Simplício, que veio de São Paulo, destaca a calmaria que a UFCA proporciona diferente da cidade grande. “É aquela coisa de agregação mesmo, você se sente abraçado, apesar da universidade ser nova, ter pouco tempo, a gente percebe que a universidade se expande, se torna um centro onde todos nós nos encontramos, vem diversas pessoas de fora e acabam se encontrando na UFCA”.

O administrador Tiago Alencar, que trabalha na Pró-reitoria de Planejamento e Orçamento (PROPLAN), é do Crato. Para ele, a universidade contribuiu para o desenvolvimento da região, desde quando chegou aqui, especialmente devido à mistura cultural proporcionada pela vinda de tantas pessoas à região. “A gente tem uma mistura muito grande de cultura, de pontos de vista, de opiniões em função de uma diversidade de pessoas que vieram de outras regiões para contribuir para o crescimento e desenvolvimento do Cariri, uma vez que só enriquece a região. Nossa economia teve um crescimento muito interessante durante esses últimos 10 anos em função da vinda dessas pessoas para cá, movimentando o comércio, movimentando a indústria, movimentando principalmente todo o lado intelectual e cultural da região do Cariri”.

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