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Taxa de desemprego no CE é a maior em 6 anos

O desemprego no Ceará bateu novos recordes no primeiro trimestre deste ano. O número de pessoas desocupadas chegou a 561 mil, alta de 39,2% frente ao registrado em igual período de 2016 (403 mil). Nesse mesmo comparativo, a taxa de desemprego cresceu de 10,8% para 14,3%. Isso significa dizer que de cada 1 mil pessoas do mercado de trabalho, 143 estão desocupadas. Tanto a quantidade de pessoas nessa situação como a taxa são as maiores dos últimos seis anos, período que compreende toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), com base em dados da Pnad, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O total de 561 mil pessoas sem ocupação no Estado é um dado mais grave do que parece, avalia o analista de políticas públicas do Ipece, Alexsandre Lira.

"Isso só é o total de pessoas desocupadas que estão procurando emprego. Você ainda tem que pensar no contingente que está desocupado e não procura por emprego ou simplesmente desistiram de procurar", salienta o analista.

O número recorde, segundo Lira, é atribuído a uma maior pressão das pessoas sobre o mercado de trabalho em meio à crise econômica atual.

"Você tem uma combinação de fatores. Há pessoas perdendo os seus empregos, e isso estimula que outras pessoas da família passem a procurar emprego para recompor a renda familiar. No ano passado, nós estávamos com a crise acompanhada da inflação elevada. As pessoas, para manterem o poder de compra, foram em busca de novos empregos", avalia ele.

Setores
Dentre as categorias de trabalho, a que mais contribuiu para o crescimento do nível de desocupação no Ceará foi da construção civil. A quantidade de pessoas ocupadas nesse segmento teve uma queda de 13,9% entre os primeiros trimestres de 2016 e deste ano. Também tiveram retrações expressivas a indústria geral (-4%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-3,4%). Outros setores tiveram aumento nas ocupações, como transporte, armazenagem e correio (22,5%), alojamento e alimentação (15%), e serviços domésticos (5,5%).

Posições
Dentre as posições na ocupação, tiveram variações consideradas estáveis os empregados no setor privado com (2,5%) e sem carteira assinada (3%) e no setor público (3,7%). Também permaneceram relativamente estáveis entre os primeiros trimestres de 2016 e de 2017 as ocupações no segmento do trabalho doméstico (5,2%).

Já o número de empregadores cresceu 10% nesse mesmo comparativo. Uma alta ainda mais expressiva (76,6%) foi registrada para trabalhadores familiares auxiliares (pessoas que trabalham sem receber pagamento, durante pelo menos uma hora por semana, para ajudar um membro da casa). A quantidade de pessoas trabalhando por conta própria caiu 8,94%.

Previsão
Apesar dos efeitos que a crise política atual do governo Temer podem trazer para o mercado de trabalho, Alexsandre Lira espera "alguma recuperação da economia nacional e local no primeiro semestre deste ano, devido à previsão de redução da Selic (taxa básica de juros), para dar novo fôlego às empresas para elas contratarem novas pessoas".

O cenário nebuloso da política, entretanto, ainda impede avanços significativos. "Eu acredito que vai haver uma melhora nos próximos trimestres por conta da dinâmica da economia. É natural do segundo e o terceiro trimestres sejam empregadores. O segundo tradicionalmente é melhor do que o primeiro. Você começa a produzir no segundo e no terceiro trimestre para atender aos próximos meses do ano. Mas não vai ser uma melhoria radical", prevê.

MURILO VIANA
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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