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Santana do Cariri (CE): Artista faz réplicas de dinossauros

A história deste município, localizado na região do Cariri cearense, se confunde com a paleontologia do Brasil. Segundo pesquisadores, há milhões de anos, inúmeros pterossauros sobrevoavam o céu de Santana do Cariri. Apesar de eles terem sido extintos há muito tempo, após um asteroide atingir o planeta Terra, conforme mostram os vários estudos, os dinossauros fazem parte do cotidiano desta cidade, que conta com pouco mais de 16 mil habitantes.

Passado o período Cretáceo, ainda é possível olhar para o alto e ver os animais. O Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca) abriga réplicas, algumas delas em tamanho real, de pterossauros, dinossauros e outras espécies. Além de atrair milhares de turistas por ano, o local serviu de inspiração para o funileiro Cloberto Ferreira Lacerda, de 51 anos, que há duas décadas iniciou o trabalho de confecção das réplicas dos dinossauros. "Sou do Cariri mas morei 30 anos no Sul do País. Quando voltei para Santana, visitei o Museu e fiquei encantado com as peças", diz o artista.

O primeiro trabalho dele, um dinossauro com cerca de um metro de diâmetro, surgiu após a visita ao Museu. Ele garante que nunca fez nenhum curso ou capacitação. "Peguei os objetos que eu achava que daria certo, fui montando e fiz", pontua o tímido autodidata de poucas palavras. "Não gosto muito de falar ou de aparecer. Para mim é uma atividade normal. Quem tem que se destacar são as peças", acrescenta. Vinte anos se passaram e os carros estacionados no pátio de sua funilaria hoje dividem espaço com varias réplicas.

Logo na entrada, um tiranossauro rex dá as boas vindas a quem chega. Do outro lado da oficina, um espinossauro em tamanho real, ainda em construção, impressiona pelos detalhes. No teto, são nove pterossauros de variados tamanhos e nas prateleiras, dividindo espaço com as tintas utilizadas na pintura dos automóveis, dinossauros feitos em ferro.

Réplica
Para confecção de cada peça, um tipo diferente de material é utilizado, explica o artista. "Utilizo vergalhões, comuns na construção civil, papel machê, ferro, porcelana e fibra de vidro. Depende do tamanho e de qual espécie eu esteja fazendo". O tempo de produção pode ultrapassar os dois anos. "Comecei esse Espinossauro em 2015, devo concluir no final do ano", diz, ao mostrar a réplica com três metros de altura e quase seis de comprimento.

O tempo, entretanto, poderia ser reduzido, caso o artista se dedicasse exclusivamente à arte. "Demora porque tenho que conciliar os afazeres da funilaria, que é meu trabalho, de onde sai meu sustento, com a criação das réplicas, que é meu hobby, meu lazer, e faço com amor", conta. O alto custo de produção também torna o processo mais lento. De acordo com Cloberto, para construir uma única peça, ele chega a gastar entre cinco e sete mil reais. "É muito caro. Por isso vou fazendo aos poucos".

Ao longo das duas décadas, o artista afirma já ter feito mais de 200 dinossauros de variadas espécies. Algumas delas foram comercializadas e outras doadas. Entretanto, o grande desejo do autodidata é criar um parque permanente para expor seu trabalho. "Faço tudo isso sem nenhum apoio financeiro. Então meu grande sonho era conseguir, um dia, um espaço adequado para expor tudo. Criar uma trilha, por exemplo, para colocar as réplicas em locais que se comuniquem com os visitantes", almeja.

Produção
200 peças foram confeccionadas, ao longo de duas décadas de trabalho, segundo o artista autodidata e funileiro Cloberto Ferreira Lacerda.

Mais informações
Museu de Paleontologia da URCA
Terça a sábado, das 8h às 16h, aos domingos, das 8h às 14h
Endereço: Rua José Augusto, 326
Telefone: (88) 3545-1206

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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