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Caminhada da Fraternidade reúne milhares de pessoas no Cariri

Tradição há 27 anos, o Dia do Trabalho iniciou, no Cariri, com a Caminhada da Fraternidade, que reuniu, segundo a Diocese do Crato, dez mil pessoas, num percurso de 15Km, entre a Igreja São Francisco, no Bairro Pinto Madeira, em Crato, até o Santuário dos Franciscanos, no bairro de mesmo nome, em Juazeiro. Marcada para iniciar as 4h, a caminhada teve atraso de 1h.

A Caminhada trabalha sempre o tema da Campanha da Fraternidade. Neste ano, os biomas brasileiros e a defesa da vida, com o lema "Cultivar e guardar a criação" (Gn 2.15), buscando alertar sobre a necessidade de cuidar e proteger a natureza.

O evento se configura como uma das maiores manifestações realizadas no Dia do Trabalho, no Estado. No percurso, os participantes seguiram cantando, orando e levando faixas e cartazes, em protesto às reformas da Previdência e Trabalhista. Neste ano, explicou o pároco da Igreja de São Francisco, padre Arileudo Machado, diante da realidade do País, a caminhada foi pensada "para fortalecer a luta do povo por vida e dignidade, sobretudo relacionada às reformas".

O religioso recordou que a Caminhada consegue contemplar questões sociais e religiosas além de "confraternizar a data do trabalhador de uma forma diferente, com oração e alegria, mas sem esquecer os problemas diários enfrentados".

No trajeto, animado pela banda Nova Órbita, formada, sobretudo, por jovens, o religioso leu mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a data. Segundo a carta, "pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação e contribui para a construção de uma sociedade justa. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna".

Padre Arileudo destacou, ainda, a "precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das 'reformas'" e, conforme exposto na mensagem da CNBB acrescentou que o "trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres".

Na chegada à Matriz de São Francisco das Chagas, os peregrinos receberam bênção especial do pároco, Frei Raimundo Barbosa, e também do padre Luciano Virgulino, vigário da Paróquia São João Bosco, conhecida como bênção do Trabalhador. No local, também ocorreu o tradicional café comunitário.

Redução
Apesar de ser uma importante data, que simboliza a luta pelos direitos trabalhistas, a Caminhada tem perdido adeptos nos últimos anos, conforme atestam aqueles que participam desde as primeiras edições. "Há 13 anos participo da caminhada. Apenas em 2014, por conta de uma doença, não pude vir, mas o público tem caído. É uma pena, pois, sem luta, o povo não consegue nada", avalia o ambulante José Oliveira Custódio Sobrinho, ao afirmar que a diminuição nas vendas é reflexo do pequeno público. "Hoje, não deve ter três mil pessoas acompanhando. Antes, a avenida ficava lotada. Hoje tem muita gente na saída e na chegada, mas no trajeto, são poucos", reforçou a vendedora de água Gorete Holanda.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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